Para entender Análise Transacional

Para entender Análise Transacional

Para Entender Análise Transacional

As potencialidades são próprias a cada pessoa, pois dependem da estrutura e funcionamento do Sistema Nervoso. Poderíamos dizer que cada um de nós tem um nível de realização a ser atingido. Tentar ultrapassar esse nível poderia resultar em frustração porque sentimos quando somos incompetentes, e quando não sentimos, os demais percebem.

Alguns visam a realização financeira, outros a segurança econômica, outros a realização no meio intelectual, mas há uma medida comum a todos, que é a satisfação pessoal. Este estado de alma somente ocorre quando a pessoa é autêntica na maneira de pensar e de agir. Sendo assim é previsível no seu papel como membro da sociedade e é alguém em que se acredita como digno de confiança.

Quando a pessoa é ele mesmo, não jogando com hipocrisia, torna-se feliz com o que é e como é.

Conta-se que um rei era infeliz apesar de todas as riquezas que possuía. Essa situação o levava a apresentar vários sintomas de moléstias. Um dia um místico disse à mulher do rei que ele seria feliz se vestisse a camisa de um homem feliz. Procuraram em todo reino um homem que fosse feliz e o encontraram no campo, em seu trabalho de agricultor. O rei foi até ele e pediu que ele lhe desse uma camisa, ao que o homem retrucou: ”mas eu não tenho camisa”!

O homem que é autentico não joga pôquer consigo mesmo, diante de um espelho, escondendo o az nas costas.

O homem que é autêntico é verdadeiro consigo mesmo e como membro da sociedade. Todos nós somos mais ou menos autênticos dependendo das circunstâncias, e tendo consciência da não autenticidade circunstancial, deve haver uma busca da verdade pessoal o que leva o indivíduo a vencer a si mesmo e nisso ser um vencedor.

Todos nós temos padrões de comportamento, que são a maneira como nós reagimos diante de uma circunstância, e que de certo modo norteiam os nossos planos de ação para futuro. Esses padrões são valorizados pelos pais na primeira infância, e assumidos como indicadores de rumo.

Dependendo da família e do meio em que a criança se desenvolve, o norte pode ser a retidão e a integridade, sendo ainda reforçado pelo senso de justiça. Em outro meio o valor fundamental poderia ser a habilidade de lidar com as pessoas, o que obriga a um jogo de cintura e manipulação, que associada à prudência de nem sempre dizer o que se pensa, poderia sugerir hipocrisia.

Na prática, em termos de progresso, cuidar de prudência e habilidade (manipulação inteligente) é 10 vezes mais eficiente do que simplesmente ser reto e justo. Até onde tudo deveria ser justo e perfeito, geralmente quem comanda é o habilidoso e prudente.

Quando o indivíduo programado debaixo dos padrões de retidão e justiça, observa o progresso dos que praticam prudência e habilidade, por certo ou discute a validade de uns e outros, ou tenta mudar seus padrões de comportamento. Evidentemente há conflito interior, como expressou o grande homem Rui Barbosa.

Outro tipo de conflito poderia surgir quando o habilidoso e prudente, houve uma prédica a respeito da validade da retidão e da justiça, e se sente culpado de alguma coisa não correta ou injusta.

De outro lado é duro o adepto da justiça e da retidão ouvir uma série de prédicas de reforço desses valores e observar que o predicador na prática é do tipo prudente e “habilidoso”, e ou não é justo, ou, tampouco é reto todo tempo.

Os seguidores da análise transacional buscam uma saída para esses nós psicológicos, pregando que em primeiro lugar cada indivíduo é singular. Não há duas pessoas iguais. Em segundo lugar afirmam que a realização não é o mais importante, mas sim a autenticidade, pois indivíduos realizados, mas não autênticos, geralmente desenvolvem distúrbios e até doenças de fundo psicossomático, devido o conflito entre o consciente e o subconsciente.

Outra recomendação dos analistas é a de que cada um procure ser o que é, sem se preocupar com o que o outro é, ou poderia ser, ou ainda deveria ser.

Segundo os conceitos da análise transacional o “vencedor” como autêntico, poderá apresentar períodos menores ou maiores de autonomia, mas sempre buscando ser autônomo e independente. Nessa busca haverá momentos de tropeçar e mesmo de cair e fracassar, mas deve manter a confiança em si mesmo e seguir em frente.

O indivíduo que é autêntico sabe raciocinar por si mesmo e usa o que sabe. O fundamental é que distingue os fatos das opiniões. Ninguém tem todas as respostas, por isso o esquema é ouvir, coligir os dados e tentar concluir por si mesmo, pois as conclusões em geral são prováveis, pouco prováveis, ou ainda improváveis, sejam próprias ou de terceiros.

Podemos e devemos admirar as qualidades de terceiros e suas facilidades de ganhar vantagens, mas não devemos nos limitar, nem nos atemorizar em relação aos demais.

O mais importante é assumir a responsabilidade e não permitir aos outra falsa autoridade, de modo que não deverá restar ocasião para apontar culpados. Toda mensagem traz uma informação. Ao receber a informação, devemos perceber o significado, tentando preservar o valor e a dignidade dos envolvidos, preservando também a nossa dignidade.

Todos têm sentimentos. Todos nós temos limitações. Conhecendo os sentimentos e as limitações, e não os escondendo, não há o que temer, pois para todos há o momento de ser afetivo e o momento de expressar ira. Saber amar e ser amado.

Todos nós devemos ser espontâneos, e ninguém se obrigue a agir de forma determinada e prefixada. Mudam-se a circunstâncias, devemos mudar os planos e a maneira de agir. As pessoas felizes são aquelas que gostam do que fazem, seja trabalho, diversão, alimentação, sexo, esporte, ou passeios pela natureza, sem se sentir culpados por isso.

Tenho visto que os amigos mais felizes e realizados são os que se solidarizam e se empenham em melhorar a vida e a natureza, própria, da família e dos demais.

Com relação à família o maior cuidado é evitar que os filhos tenham qualquer tipo de experiência traumática que impeça o desenvolvimento de qualidades que tragam autonomia. De outro lado, proporcionar todas as oportunidades que permitam a autorrealização.

A maioria das pessoas começa a vida com pouco amparo e até com desamparo. Os que lutam conseguem transpor o período de transição do desamparo para a independência, e muitos conseguem um equilíbrio de interdependência em um grupo maior, de autoproteção como há no corporativismo de certas categorias profissionais.

É triste observar o caminho dos que ao longo da juventude começam a evitar o tornar-se autorresponsáveis.

Poucos são totalmente vencedores ou perdedores em todos os aspectos. A maior parte das pessoas é vencedora em algumas áreas e perdedora em outras. Muito do que aconteceu na infância é responsável por essa situação, porque determina padrões de comportamento. Toda criança que sofre pressões aprende a ser maleável e aprende a manipular os outros. Essas técnicas de manipulação são difíceis de ser abandonadas mais tarde e se tornam padrões estabelecidos. O indivíduo que luta por ser autêntico procura mudar esses padrões. O perdedor apega-se a eles de maneira infantil e segue sendo infantil.

A pessoa que está equilibrada vive intensamente o presente, o dia de hoje. Quando há falta de equilíbrio, o enfoque mental é para o passado, relembrando coisas desagradáveis, o que gera o quadro de amargura, ou com projetos para o futuro, onde a tônica é “ai que bom seria se…”, o que por si mesmo gera tristeza.

O que impede mudanças para melhor ou para pior é ter medo de coisas novas, o que faz com que se conserve o status.

Podemos usar a inteligência de modo apropriado para vencer as circunstâncias. Racionalizar e intelectualizar tem validade quando impele para frente de maneira criativa e construtiva, quando há honestidade de propósitos. É preciso cautela quando se percebe que o indivíduo, sendo intelectual, intelectualiza com verbosidade tentando tapear os outros. Outro sintoma de evidente desequilíbrio é quando racionaliza para tornar suas ações aparentemente plausíveis e válidas.

Mudanças Para Melhor

Toda pessoa pode e deve desejar ser autêntico, isto é, viver o seu papel na sociedade, seguro de que faz o que gosta e de que dá o melhor de si, sem vestir máscara ou fantasiar uma persona. O relacionamento pode ser íntimo, direto e honesto, no trabalho, na família e na sociedade.

Quando há necessidade de mudança para melhor, pode-se usar como ferramentas, além de outras, as abordagens do tipo Gestalt e a análise transacional.

A palavra Gestalt diz respeito a “um todo organizado” que sendo integrado, apresenta um significado. Quando várias ideias esparsas são associadas de maneira conveniente e resultam em um pensamento coerente dizemos que houve uma Gestalt.

Podemos dizer que percebemos uma realidade, quando ha uma Gestalt em relação a uma situação ou a um contesto.

A terapia Gestalt ganhou importância com Frederick Perls, que teve formação como psicanalista freudiano. A análise transacional desenvolveu-se com Eric Berne.

Ambos baseiam-se no fato de que muitas pessoas apresentam um Eu muito fragmentado, daí muitas personalidades apresentarem falta de integridade. Esse aspecto é apontado por Gurdjieff, segundo escreve o filósofo Ouspenski.

A personalidade seria como um mosaico, e a pessoa não tem uma boa ideia do conjunto e se expressa por partes na medida da necessidade do momento e da circunstância.

O propósito da terapia Gestalt é ajudar na integração. É preciso desenvolver a consciência de que há as partes e desenvolver um esquema de integração. A integração da personalidade ajuda a transição da dependência para a autossuficiência. Da libertação do esquema de apoio que se faça da autoridade exterior, pais, professores, pastores, autores, governadores, autoridades em nome de quem o indivíduo se apoia, para o apoio em um conteúdo íntimo e autêntico.

 

Alberto Barbosa Pinto Dias, Bacharel em História Natural (todas as Disciplinas Biológicas e Geológicas), Licenciado, Especialista. USP, 1955.

Qualquer questionamento sempre será bem recebido e respondido.

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Postado em : Caminhos da Psicologia

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