Onde e como a Mente age

Onde e como a Mente age

Onde a Mente Age

De conformidade com o que já expusemos no artigo anterior, a Mente é a ligação entre a massa de energia inteligente do EU mais profundo com o cérebro. O cérebro é como uma máquina que funciona a base de energia eletroquímica, sendo que o potencial desta varia de acordo com o estado mental. Ele apresenta diferentes áreas funcionais que puderam ser delimitadas na medida em que os médicos e pesquisadores dispuseram de cérebros lesados em diferentes áreas, associando a lesão observada com a disfunção produzida. Feridos de guerra e acidentados foram um material abundante neste aspecto. Portanto, podemos separar dois aspectos, o da localização morfológica das áreas e o da localização das zonas fisiológicas.

O estudo demonstrou que a porção superficial (córtex) do   cérebro pode ser dividida em Áreas, e estas em Zonas funcionais. Anatomicamente o cérebro é dividido áreas que são separadas por sulcos. Assim em qualquer figura de livro didático você observa na parte anterior o Lobo Frontal; na posterior os Lobos Occipitais; na porção mediana superior os Lobos Parietais e na mediana inferior os Lobos Temporais, representados no esquema I.

Quando o lobo temporal apresenta maior irrigação sanguínea, há uma facilidade para que se processem associações de ideias, lembrando situações do passado, associando-as com situações do presente, avaliando e imaginando como melhorar no futuro. Ora, quando se está relaxado, ouvindo música suave, sem estímulos fortes, sejam luminosos ou tácteis, automaticamente há esse fenômeno de aumento de irrigação no Lobo Frontal. Portanto o relax proporciona ótimas condições para reavaliação das condições de vida.

Quando a pessoa pensa em mover um membro como braço ou perna, ou, mão ou pé, ou simplesmente um dedo, há aumento de irrigação sanguínea na área denominada frontal, próximo ao sulco de Roland. Essa é a área motora, onde distinguimos uma zona psicomotora, ativa quando se imagina um movimento e outra motora, mais irrigada quando se faz o movimento.

Para trás da incisura de Roland, está a área táctil, que fica mais irrigada quando se faz um movimento cuidadoso, pensando em pegar um objeto delicado como uma agulha, ou que se imagina que está quente, ou que está frio por exemplo.

Para baixo da área táctil está o lobo temporal, onde se localiza a área auditiva, e mais para adiante a área olfativa.     Na parte posterior do cérebro, no lobo occipital, encontra-se uma área bem desenvolvida relacionada com a visão.

Todas as áreas apresentam três zonas distintas: 1- Primária, onde chegam os impulsos eletroquímicos procedentes dos órgãos dos sentidos correspondentes. 2- Psíquica, onde os impulsos são decodificados permitindo a percepção. 3- Gnósica, onde o que foi percebido é armazenado no banco de memória da área correspondente. Observe a gravura e as indicações correspondentes para melhor compreensão.

Como a Mente Age

A somatória do conteúdo dos bancos de memória de todas as áreas constitui o que é denominado subconsciente. A Mente acessa seletivamente, de acordo com a intenção e comando da inteligência, tornando consciente a informação desejada e nesse nível, processando a conotação das informações. A conotação é a associação de ideias de modo inteligente.

Cada informação que recebemos através dos órgãos dos sentidos, resulta numa impressão na área correspondente do cérebro e torna-se um ponto de referência. Cada ponto de referência é o que denominamos ideia. Cada ideia pode ser associada a uma palavra que é uma abstração da ideia. Cada palavra constitui um símbolo sonoro que pode despertar símbolos como imagens.

A associação das ideias que procedem do banco de memória é processada no Lobo Frontal e constitui os pensamentos.

A Inteligência direciona a Mente que por sua vez enfoca de modo objetivo, se está ligada com as informações procedentes do meio ambiente através dos órgãos dos sentidos. Numa introspeção a Mente enfoca de modo subjetivo. Assim lembramos de sons, odores, sabores, e visualizamos imagens. Esse estado mental de plena consciência objetiva e domínio da imaginação a nível subjetivo, consome energia.

Quando há cansaço a pessoa perde o domínio da atenção e consequentemente não grava informações novas. A natureza psicológica da atenção está em usarmos todos os sentidos para colher as informações. Quando por cansaço diminuímos a atenção, perdemos a objetividade, e nos tornamos introspectivos. Aí pode haver descontrole da imaginação e começa um processo de divagação improdutiva. Certamente há perda de controle de acesso às informações do banco de memória (lapsos de memória) como também decai a velocidade e a coerência da associação de ideias. Pessoas cansadas são incoerentes.

Nos casos de esgotamento, podem surgir os sintomas de descontrole dos impulsos do subconsciente, que normalmente estão sob controle do consciente, caracterizando algum grau de perda de memória ou em casos mais graves, algum grau de esquizofrenia. (excesso de trabalho, esporte, estudo, sexo, etc.)

A Mente age por um processo de exclusão relativa. Quando estamos fazendo enfoques objetivos, deprimimos os enfoques subjetivos. Inversamente, se estamos introspectivos, perdemos relativamente a capacidade de fazer enfoques objetivos, perdemos o contato com a realidade exterior, perdemos a consciência do que ocorre ao nosso redor. Fica bem simples de entender se imaginarmos a Mente como uma gangorra, um baloiço como se diz em Portugal. A medida que um lado sobe, o outro lado desce. Há todas as posições intermediárias. A posição de equilíbrio é quando a gangorra está na horizontal.

Podemos dizer que há equilíbrio quando a pessoa está objetiva, sem perder a subjetividade e está subjetiva sem perder a objetividade.

 

Alberto Barbosa Pinto Dias, Bacharel em História Natural (todas as Disciplinas Biológicas e Geológicas), Licenciado, Especialista. USP, 1955.

Postado em : Psiquismo

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