Maturidade e Imaturidade

Maturidade e Imaturidade

Maturidade e Imaturidade

 

Antropologicamente as pessoas podem ser divididas em dois grupos a considerar: 1- psicologicamente maduros    2- psicologicamente imaturos.

A característica principal dos adultos psicologicamente maduros é saber pensar, apresentando bom senso e coerência. Outra característica do adulto maduro é a de que, se há uma incerteza em relação a qualquer assunto, ele convive com essa incerteza. O adulto maduro percorre o caminho da razão e da verificação científica sempre que possível. Se uma incerteza persiste, convive com ela e prossegue no espírito de investigação.

A característica da criança, do adolescente e do adulto imaturo é a de não poder conviver com as incertezas, pois estas causam ansiedades e alterações emocionais. Daí a razão dos “por que”?  Crianças, adolescentes e adultos imaturos procuram pessoas que lhes confiram segurança em questões incertas; geralmente procuram pessoas que dando respostas, mostrem-se seguras de suas próprias certezas em relação a uma incerteza. Assim se faz a dominação dos mais fracos em ideias e argumentos, por aqueles que usam como sugestão explicações que muitas vezes obedecendo a uma certa lógica, são até razoáveis, porém pouco prováveis.

Se uma pessoa qualquer der uma mesma explicação fantasiosa, mais do que dez vezes, a explicação imaginária é mais do que incorporada em seu próprio banco de memória (subconsciente) e para ele, aquela explicação passou a ser uma verdade, pois faz parte de sua própria realidade.  A convicção com que passa a expor essa explicação é extraordinária e com isso teremos um discursador carismático autodiplomado.

As pessoas imaturas se contentam e se encantam com afirmações que estimulem a imaginação e movam as emoções. Basta que sejam lógicas e até razoáveis, sendo poucos os que consideram o que seja pouco provável.

O sucesso de mistificadores estará garantido, principalmente se os ouvintes se dispuserem a ouvir duas ou mais vezes as mesmas afirmações, como uma criança que lê e relê uma história em quadrinhos. Maior será o sucesso se o mistificador fizer teatro e der um show.

Mais sucesso ainda vestindo algo inusitado e talvez uma lente de contato colorida de azul nos olhos, adentrando o ambiente com uma música que sugere ação com sucesso e repetindo frases que se convertam em jargão. A tendência dos impressionáveis que não pensam por si mesmos é repetir as mesmas frases, que se tornam identificação do grupo.

Algumas frases são associadas a melodias simples, quando as pessoas são levadas a cantar repetidas vezes corinhos. Outras ainda repetidas com ar de sabedoria são muito comuns e até folclóricas como: “é isso aí bicho”! “Legal”!  Ou ainda, “Aleluia!…. Que glória”!.

Esse fato independe da idade e do grau de cultura como escolaridade, uma vez que a maior parte das escolas dá informações e descuidam da formação no sentido de fazer pensar de modo lógico, racional e analítico. A maior parte das escolas cuida de memorizar informações no lugar de desenvolver o raciocínio dedutivo e indutivo, o qual ajuda a analisar os pensamentos e desenvolve o discernimento.

Conheço “Faculdades Teológicas” e Seminários, em que a técnica é fazer decorar textos logo no 1° ano, de modo que o banco de memória usado para raciocínio fica limitado às afirmações do texto de cor e salteado, enquadradas por uma interpretação conveniente. Assim é com todas as religiões.

A maioria das pessoas não raciocina com clareza, vivem como num sonhar acordado onde a fantasia predomina sobre a imaginação. São pessoas que agem e reagem com uma certa infantilidade, sendo muito emotivas. Um grupo de mais ou menos 25% da população pensa de maneira mais objetiva. Estes raciocinam em cima de ideais relativas a objetivos concretos e são mais diretos e objetivos em suas afirmações. São os que negociam com as fantasias e obtém lucro.

Um pequeno número de pessoas tem a capacidade de pensar de modo abstrato sem cair em fantasia, talvez 5%. Os pensamentos abstratos surgem quando se comparam pensamentos que se contrapõem. Se o indivíduo é levado a pensar de modo limitado, direcionado, sem liberdade de raciocínio, dificilmente elabora questionamentos. Elaborar perguntas é bem mais difícil do que responder.

É por essa razão que em todas as principais religiões podemos observar a “presença” de um Deus abstrato, do qual se torna difícil querer falar de seus desejos, vontades e necessidades sem fantasiar, porque é abstrato.

Depois se observa a “figura” de um homem divino que com seus predicados pensamentos e vivência exemplar, satisfaça as pessoas de pensamento direto, concreto e objetivo.

E ainda uma miríade de santos, anjos, serafins, ou ainda deuses para cada qualidade humana, que satisfaça a fantasia da massa de emotivos com mentalidade infantil. Sob este ponto de vista, uma evolução no pensamento religioso se observa quando há eliminação da fase de fantasia, mantendo-se no concreto podendo daí partir para o abstrato, para finalmente permanecer no abstrato.

Alberto Barbosa Pinto Dias, Bacharel em História Natural (todas as Disciplinas Biológicas e Geológicas), Licenciado, Especialista. USP, 1955.

 

 

Postado em : Consciência, Inteligência e Realidade

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