02 – Mais Rituais

02 – Mais Rituais

Mais Rituais

Todo ser vivo é um gerador de energia. Somos seres vivos e como os demais, além de gerar, trocamos energia com o meio ambiente. No mínimo trocamos calor. A energia pode se apresentar em diferentes frequências vibratórias, manifestando-se aos nossos sentidos como energia térmica, luz, energia mecânica, energia química etc.

Tomemos como exemplo a energia sonora que atinge os tímpanos como energia mecânica das vibrações do ar. Os tímpanos transmitem aos ossículos do ouvido médio e estes transmitem as vibrações à membrana que reveste a janela do ouvido interno e que está em contato com o líquido que preenche os canais semicirculares e a cóclea ou caracol. Essas cavidades são revestidas por células que sofrem as variações de pressão transmitidas pelo líquido. A energia mecânica é convertida em energia elétrica de origem química, que se transmite ao cérebro como ondas de despolarização elétrica. No cérebro essas ondas de despolarização são reconvertidas em energia química, resultando em percepção. Se o som é repetitivo e ritmado, além de ser acima do limiar necessário para ser percebido, teremos um acúmulo de energia no nível do cérebro, provavelmente estocado como ATP. O acúmulo de energia pode gerar um impulso inconsciente, o qual se manifesta como um desejo, como por exemplo, o desejo de acompanhar o ritmo com os dedos, de balançar o corpo, ou de sair dançando. Poderia ainda somar a tudo isso a explosão de um grito ou de cantar no ritmo além do balanço.

Uma vez iniciado o processo, pela repetição e desinibição, instala-se o condicionamento e o automatismo que gera o Estado Alterado de Consciência.

Fácil verificar quando do blues balançado e cantado, passa-se para o gospel balançado, cantado e no bate palmas do louvor dependendo do ambiente.

As Igrejas tradicionais e formais perdem 75% da população para as renovadas, ou ainda semi-renovadas um pouco mais discretas e mais a gosto da classe média A, mais culta. Isto se dá pelo fenômeno da participação ativa do público.

Pudemos observar em 1972 e depois disso, o procedimento das reuniões ditas pentecostais. Não é preciso dizer que estávamos em um período de grande religiosidade e em busca do Divino, além daquilo que era apresentado nas tradicionais Batista, Presbiteriana e Metodista. Fomos a uma Igreja denominada Maranata, no que seria Vila Guilherme (?). O Povo era simples e cheio de fervor religioso. Os bancos eram de taboas de pinho sem tratamento algum. Todos sentados e oravam em voz média, cada um na sua própria oração. Sentamos e ficamos quietos observando. Logo, alguns começaram a levantar a voz e clamavam em voz alta, outros, num impulso levantaram-se e oravam em pé. Muitos repetiam frases seguidamente. Resolvi abrir a Bíblia e ler um pouco até que houvesse prosseguimento do culto. Ao acaso, abri em João 15, e comecei a ler concentrado na leitura devido o ruído geral. Para meu espanto, quando lia o versículo que diz “convém que limpeis os ramos para frutificar”, duas senhoras se levantaram uma na minha frente de costas para mim, e outra a esquerda, a uns dois metros, e começaram a falar em voz alta e bom som, repetindo o que eu lia. Prossegui lendo introspectivamente até o fim e elas me seguiram. Fechei a Bíblia e elas sentaram-se. Abismado com o que aconteceu, resolvi tentar de novo. Ao acaso abri em Lucas 19, e lia a respeito de “Zaqueu desce depressa”, lembrando-me da preferencia que o querido Emygdio Pinheiro tinha a respeito desse trecho. Li até o fim e nada aconteceu. Pois comecei novamente a ler Lucas 19, superconcentrado, desejando que as mulheres repetissem. Quando estava na metade do capítulo, o Pastor da Igreja que meditava calado no fundo do palco levantou-se, abriu os braços para os fiéis pedindo silêncio e então disse: ”O Senhor me revelou que todos nós devemos abrir nossas Bíblias e ler a passagem que se encontra em Lucas 19”.  E assim foi. Coincidência?

Não satisfeito, fui a uma reunião pentecostal em uma casa de família no Braz. Perto de nós se encontrava uma senhora magra que olhando para cima repetia chiribim…chiribim…chiribim , de modo incansável. Como estávamos de pé, a maioria com os braços levantados, me aproximei dela e pude observar as pupilas dilatadas, que indicam um nível de transe auto-hipnótico. Nada mais foi observado nesse dia. Concluí que ela entrou em transe clamando por Querubim ?

Dias depois, meu querido amigo Antônio Ferreira levou-me a uma reunião em um apartamento, onde havia uma senhora que recebia visões e era capaz de detectar problemas de saúde nas pessoas da sala, para depois orar em favor das mesmas. O prédio era no final da ladeira, logo depois da Secretaria da Fazenda do Estado de S.P. Havia umas 20 pessoas na sala. E começamos a orar. No meio da prece, estavam orando e mencionaram algo a respeito dos anjos. Com a alusão, evoquei uma cena do passado em que minha irmã deveria ter uns 13 anos, e minha mãe experimentando um par de sapatos na mesma, comentou em tom de brincadeira “mas que pé de anjo”, referindo-se a que naquela idade de início de adolescência havia uma desproporção. Lembrei-me da situação da Igreja de Maranata e resolvi testar. Imaginei um anjo enorme andando dentro da sala com um pé descalço, mas nº 50. Ao terminar a prece, a senhora disse ao auditório: “tive uma visão, vi um anjo quase da altura desta sala, ele tinha um pé enorme e andava de lá para cá entre vocês”. Em seguida começou a falar sobre os problemas de uns e outros. Não tive a menor dúvida de que essa senhora, através da oração, entrava em nível de harmonia interior e estabilizava as pulsações cerebrais na faixa das ondas Alfa, quando então fazia captações do conteúdo mental das pessoas, nos moldes em que Jesus o fazia. Imediatamente lembrei-me das recomendações “vivei em oração” e “orai pelos vossos inimigos”, como instrumento simples de introspeção e de harmonização interior, facilitando a hiperestesia e a comunicação subjetiva.

Aí foi a vez de conhecer Doña Helena Galvez, através do eminente professor, biólogo culto e investigador, Sr. Flávio Pereira. Dona Helena, descendente de espanhóis, começava a reunião conversando com todos os presentes, de maneira informal, até que todos estivessem bem à vontade e descontraídos. Isto não demorava muito devido sua simpatia e seu encanto pessoal, sempre muito fina e educada. Estando com o ambiente preparado, ela fazia uma prece, sempre em espanhol apesar de falar um português perfeito. Quando abria os olhos, tranquilamente encarava um dos presentes e começava a falar a respeito dessa pessoa, situações de sua vida e outras pessoas relacionadas, descrevendo o aspecto físico e o carácter dessas pessoas relacionadas com detalhes, inclusive a respeito de suas intenções. Assim ia um por um dos presentes, com toda paciência, mas nunca revelando algo de negativo em público. Certa vez, deu-se um Curso em Campinas e levei dona Helena e seu marido comigo. No final do curso reunimos 20 pessoas e ela pacientemente falou a respeito de cada um, acertando detalhes de modo incrível, diante de todos. Eu tive a honra de receber dona Helena em minha casa. Minha mãe estava presente e dona Helena descreveu com detalhes “uma pessoa muito querida” para ela. Reconheci Miss Ennie e conferi a perfeição dos detalhes da imagem descrita. Miss Ennie, uma norte americana solteira, despenseira do Colégio Batista Brasileiro, foi como uma mãe para a minha mãe, interna como órfã. Nesse mesmo dia Dona Helena olhou para minha esposa e disse: “vejo um menino clarinho com cabelos pretos, levemente ondulados, correndo em um campo de trigo, e é para você Talitha”. Dois anos e meio depois nasceu o Ricardo, hoje com 40 anos de idade.

Meu mais profundo respeito e admiração para Dona Helena Galvez, que considero a maior e melhor “vidente” no Brasil, que manteve sempre toda pureza de gestos e intenções, jamais transparecendo nem de leve qualquer interesse de ordem material. Deus a abençoe. Um exemplo de hiperestesia, telepatia e premonição. Um poço de exemplos de humildade e sobriedade.  Tenho a certeza de que em Israel seria profeta (se os Homens permitissem). Em Delfos, uma pitonisa sem par. Mas, um questionamento. Por que a prece deveria ser em espanhol? Ela me disse que essa era a oração que aprendeu com a mãe aos 4 anos de idade e que sempre foi essa a principal prece em sua vida e que se fizesse outra não funcionava. Poderíamos supor que aos 4 anos, quando desperta, como toda criança dessa idade, seu cérebro funcionaria com predominância de ondas Tetha. Tendo feito muitas preces junto à mãe dos 4 aos 7 anos, teria gerado um feedback, e adulta, ao repetir a prece em espanhol, automaticamente funcionava em nível mais profundo de introspeção. “Vivei em Oração” e “é preciso ser como as crianças para entrar no reino dos céus” podem ser pistas a respeito de um processo que Jesus dominava e queria que todos dispusessem – “se fizerdes as coisas que digo que façam coisas maiores do que estas que eu faço vós fareis”.  Louvado seja o Mestre Jesus.

Consideremos que as crianças até os sete anos não têm capacidade de análise crítica. Crianças aceitam sugestões como se estivessem em hipnose. O cérebro de uma criança funciona com predominância de ondas Tetha. O adulto em estado de hipnose tem o cérebro funcionando com predominância de ondas Tetha. Crianças têm facilidade de percepção subjetiva, vivem no “mundo espiritual”. Adultos em hipnose têm facilidade de comunicação subjetiva e outras ações consideradas do mundo espiritual. Seria possível tirar alguma conclusão disto?

Ler seguidamente um livro de orações em voz alta. Repetir seguidamente uma poesia longa. Cantar seguidamente um cântico com dizeres sugestivos e agradáveis de modo ritmado. Tocar uma mesma música em um instrumento por algum tempo. Concentrar-se em um órgão do próprio corpo, fixando a imagem, mudando mentalmente a cor do órgão. Situar-se em uma mesma postura por pelo menos 20 minutos desejando não sentir o corpo. Relaxar toda musculatura do corpo, desejando não sentir o mesmo. Todas estas são condições que poderiam levar a um feedback que desencadeia um Estado Alterado de Consciência, induzido ou auto induzido. Um estado que corresponde à auto hipnose, que poderá ser consciente e cada vez mais profunda até que resulte a pessoa simplesmente sentir que existe porque tem consciência de que percebe apenas uma luz intensa e sem origem, e pode estar perto de desdobrar, saindo do corpo.

Alberto Barbosa Pinto Dias, Bacharel em História Natural (todas as Disciplinas Biológicas e Geológicas), Licenciado, Especialista em Fisiologia (Bioenergética e Órgãos dos Sentidos) USP, 1955.
Qualquer questionamento sempre será bem recebido e respondido.

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