Concordâncias e Discordâncias – 7

Concordâncias e Discordâncias – 7

A Propósito de Discordâncias e das Discórdias. (Folhas do Outono 7)

 

Estas reflexões servem para alertar o leitor a propósito da existência de diferentes perspectivas em relação a qualquer assunto, pois tudo é relativo, e dependendo de quem faça a avaliação de qualquer comunicação oral, ou escrita, mesmo que seja prática e racional, pode ser rejeitada como utópica e ou absurda. Dependendo da perspectiva do observador, leitor ou ouvinte, o assunto pode refletir na mente, com discernimento, ou, com enfoques mentais limitados que filtrem as informações de acordo com seus limites de percepção.

 

Se as informações afetarem de alguma maneira os sentimentos, o nível emocional pode gerar uma atitude de defesa por orgulho, soberba cultural e ou espiritual, egoísmo e ou inveja, também interesses pessoais em detrimento da razão.

 

Uma focalização mental limitada pode ser por ignorância total, ou, ignorância relativa, pois as pessoas têm a tendência de se especializar. O campo de pesquisas e de informações decorrentes das mesmas é difícil de ser inteiramente dominado, pois alem de ser muito grande ele muda a cada momento em quantidade e qualidade.

 

Se formos limitados por um conjunto fixo de informações e, orientados por uma só perspectiva, tenderemos a ter o nosso raciocínio limitado à compreensão atingida. Como a compreensão dá o rumo da percepção, vivemos sonhando (imaginando) dentro desses limites. Assim teremos nossa realidade pessoal restrita e, por ela discutimos e a defendemos, pois o nosso nível de percepção determina o nosso nível de Consciência.

 

Muitas vezes, pretendemos converter um interlocutor relativo ao nível de nosso relacionamento social, para dentro dos limites de nossa cultura política social ou religiosa. Quando não há acordo resulta que pareça que o interlocutor é falho no entendimento.

 

Geralmente em termos de religião, se suas idéias ameaçam nossas crenças, esse outro é considerado um “perdido”. Se, no entanto, concorda conosco, pode parecer um tipo que despertou com “nossas abençoadas luzes” e desfruta de momentos de grande lucidez! Aleluia!

 

Se nós somos Consciências e nos desenvolvemos a partir do momento em que somos um Espírito em ação e, se a Consciência habita um corpo como se ele fosse a um santuário, um templo do Espírito como sugere o Apóstolo Paulo em Iª Carta aos Corintios, capítulo 3, dá para perceber a diversidade com que a Consciência de cada um manifesta esse “espírito” ao usar esse “templo”.

 

Analisando-se este aspecto, não há dúvidas de que há uma evolução de Consciência na medida em que há aumento de entendimento. Se o indivíduo deseja partir para uma melhor compreensão, dá abertura para mudar o sentido da percepção analisando outros pontos de vista, ou, outras perspectivas.

 

Esta evolução pode ocorrer, mesmo quando se considera um grupo de estudos, desde que as pessoas se esforcem por alcançar um consenso com racionalidade e objetividade, avaliando honestamente todas as perspectivas possíveis.

 

Não é difícil separar o que é lógico, racional e objetivo, do que é lógico, até razoável, mas puramente subjetivo abstrato e pouco provável, pois, estes últimos tipos de raciocínio são as fontes dos desacordos e das discórdias. Daí por diante se houver a evolução do pensamento, do que seja razoável e pouco provável para o que for razoável e provável, já é um grande passo.

 

Pessoas movidas por um interesse comum poderão manifestar-se de maneira não adequada em relação à ética. Quando uma maioria aceita um tipo de arrazoado como verdade e converte-o em norma de conduta, princípio, ou, fundamento, pois sempre haverá uma minoria que pensa de modo diferente.

 

Diferentes pessoas produzem diferentes pensamentos, pois os pensamentos partem de realidades diferentes e cada um tem as suas próprias razões. Isto é possível porque todos têm razões a oferecer, cada qual de acordo com o arrazoado que é capaz de fazer. Resta-nos avaliar e medir a razoabilidade e a probabilidade de ser provável em cada razão apresentada.

 

Na medida em que pertencemos a uma ou outra minoria, qualquer um de nós poderá estar sujeito a uma próxima caça as bruxas. Se formos pensadores livres e não concordamos com uma eventual falta de bom senso de um líder, poderemos ser “queimados” diante de um grupo dominado por ele, e mais sujeito às suas falas, mas sempre podemos dispor da essência das nossas idéias à espera de uma ocasião mais favorável para externar o que pensamos.

 

Para evitar maiores atritos e isolamentos, usa-se a inteligência para não discordar, sem concordar com uma maioria dominante, mesmo que isto pareça violentar a própria consciência. A maioria dominante pode usar o princípio democrático, mas concordar com uma maioria pode ser discordar de uma minoria. Escolha o seu lado, ou, isole-se e viva em paz profunda com suas reflexões, pois há um Universo de possibilidades a serem consideradas.

 

A Democracia é instrumento de dominação, como está disposto nos Protocolos dos Sábios de Sião, que parece ser uma cópia dos pensamentos de “O Príncipe” de Nicholó Maquiavel. Dominem-se os “representantes do povo”, em qualquer tipo de Sistema Organizado, dando a eles qualquer tipo de “vantagem” para que aceitem uma perspectiva apresentada, e o povo sob esse governo, congregação, ou, grupo, estará sujeito.

 

O mal não está nas filosofias, mas nos Sistemas e nas Organizações formadas de modo arbitrário que se aproveitam das mesmas como bases para normas e princípios convenientes a seus interesses.

 

A falta de racionalidade em relação a certos fatos e fenômenos naturais não é uma característica exclusiva de pessoas com percepção limitada; há os intelectuais de áreas restritas e, também há aqueles que se limitam por interesse da “vocação” escolhida. Assim sendo, a falta de racionalidade é uma perturbação no cérebro, pois o espírito que o habita, pelas supostas Origens, deve manifestar sempre equilíbrio consciente e Bom Senso, reconhecidos como sendo do Espírito Santo. Infelizmente não é o que ocorre sempre.

 

Uma reação mental a uma informação pode ser má decodificação dos símbolos de uma linguagem, pois vem do choque de idéias que representam os interesses dentro de cada “templo humano”. O Apóstolo Paulo, depois de Jesus, sabia disso, daí os conselhos dados aos de Corinto e aos Filipenses capítulo 4, versículo oito, sempre citados, dificilmente seguidos.

 

A falta de racionalidade e de bom senso, como doença que determina alterações de comportamento de um grupo, em qualquer nível da estrutura social, já afastou, ou mesmo matou mais pessoas do que as enfermidades.

 

Através dos tempos históricos algumas pessoas se esforçaram para introduzir ferramentas mentais que ajudem a evitar os problemas de entendimento entre as pessoas. Sócrates colaborou com a introdução da dialética. Aristóteles melhorou a dialética com os aspectos da lógica racional.

 

Os sofistas, como Hackers, introduziram uma perturbação ocasional no sistema lógico. Mais tarde Francis Bacon, com o método experimental, aonde valem os resultados objetivos das experiências controladas, ajudou a evitar as armadilhas de uma Mística baseada em sua lógica puramente abstrata, e suas fantasiosas conclusões pouco ou nada prováveis.

 

“A eficácia é a medida da verdade”. A experiência e os resultados práticos, mesmo os das habilidades psíquicas, são evidentes, mas as hipóteses e as filosofias místicas decorrentes podem ser questionadas. Os místicos esotéricos que são os místicos que buscam explicações na ciência tradicional dão um alívio mais objetivo a uma parte da mística restrita a sistemas e que não os toleram.

 

Devemos lembrar ainda que o Ocidental em geral raciocine de modo a estabelecer exclusão relativa:- “se isto é assim, não pode ser diferente de assim”. O Oriental, ou, o Ocidental que tenha um maior desenvolvimento psíquico pensa: – “pode ser que seja assim, mas também pode ser que seja diferente de assim” e “pode ser que não seja nem uma coisa nem outra”.

 

A ciência dos processos mentais comprova que mudando-se a perspectiva é que se pode entender a possibilidade de diferentes maneiras de compreensão, pois mudando o entendimento e a compreensão, muda o sentido da percepção e esta modifica o nível da conscientização.

 

A maneira de raciocinar do ocidental psicologicamente primário confunde os dizeres de Jesus em relação à sinceridade e a retidão de caráter pessoal. Confunde “seja o seu dizer, sim, sim, ou não, não” com rigidez de conduta, pois ao pé da letra, sugere impossibilidade de relatividade. A rigidez de pensamento linear e de conduta sempre é relativa a uma das verdades sugeridas, e considerada em um dos níveis do entendimento e de compreensão.

 

Verificamos que Jesus ensina relatividade quando recomenda:- “Seja justo e reto, mas, hábil e prudente”. “Humilde como a pomba e prudente como a serpente”. Ser hábil e prudente no relacionamento com as pessoas exige relatividade de atitudes.

 

É mais importante saber a maneira como se age e reage em termos de evitar stress e atritos, do que aquilo que se pensa e que se poderia dizer e fazer, pois “O que você pensa que é verdade, é a verdade para você”.

 

O Sistema Democrático permite manifestações com razões prováveis mesmo quando se perde no resultado da votação que, nem sempre expressa os interesses da maioria. Indo além do que a alfabetização funcional obriga, nós podemos refletir e podemos então verificar o que há nas linhas e nas entrelinhas dos pronunciamentos escritos, ou, falados, e quanto a isso Freud e Yung nos ajudam a entender em parte as perturbações da nossa relação espírito/corpo no aqui e agora, bem como a entender as perturbações que possam ocorrer nas demais pessoas e alem disso, compreender as variações de semântica na linguagem que evolui com a evolução da consciência e com o passar do tempo.

 

Mesmo sabendo disto, não conseguimos abolir as recaídas ocasionais de estupidez que eventualmente afetam o nível mental dos praticantes mais adestrados de qualquer das modalidades científicas, culturais, jurídicas, místicas, e as teológicas, sendo estas últimas confundidas com o que fosse espiritual.

 

Para tudo o que ocorre há solução quando esse ataque de estupidez já não é crônico, e decorrente da fixação de alguma deficiência de adestramento, ou, bloqueio psicológico por lavagem cerebral.

 

O que resolve qualquer tipo de discórdia é haver consciência e inteligência com Bom Senso, amor a Deus (Deo us) e pelo menos o respeito ao próximo, quando há amor compartilhado, como queria Jesus o Cristo o maior psicólogo de sua época, pois o amor sugerido é subjetivo e pode levar aos enganos, enquanto que respeito é objetivo, direto e mensurável como é quando há o amor fraterno.

 

Além da cultura “é preciso ter corações sábios”, ou, ao que se saiba, é preciso que, no mínimo se use bem o pouco que se sabe e, que se entenda que, se há amor não há julgamento.

Alberto Dias, 07/07/07.

 

Alberto Barbosa Pinto Dias, Bacharel em História Natural (todas as Disciplinas Biológicas e Geológicas), Licenciado, Especialista. USP, 1955.

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