Concordâncias e Discordâncias – 4

Concordâncias e Discordâncias – 4

A Propósito de Concordâncias e Discordâncias – 4 (Folhas de Outono)

Na Convivência – A Política

Política é a habilidade de sugestionar ao lidar com as pessoas

Se pelas circunstâncias convivemos em um ambiente, onde as normas aceitas pela maioria são aquelas que exigem sermos limitados mentalmente por crenças, e onde predominem fantasias tidas como sendo pelo menos parte da verdade, qualquer busca e ou divulgação de mais conhecimentos que ultrapassem os limites do senso comum local, geram discordâncias, mas, em compensação, para toda manifestação de ignorância que seja confundida com humildade, sempre haverá unanimidade de aprovação pela maioria.

Sorrir e manter a aparência de ser ignorante em relação a determinados assuntos tratados pelos preceptores, ou, de estar de acordo com a verdade local, é bom se houver interesse em uma convivência harmônica mesmo que temporária, ou, se for um fator de sobrevivência. Quando não há nenhum tipo de dependência, por qual razão manter a aparência de não estar informado, e de concordar em pensar como pensavam os que viviam em outras circunstâncias e recursos de há 500, 2.000, ou, 4.000 anos passados?

Todo Homem em seu relacionamento social é político. Se for educado e polido, poderá evitar atritos e discórdias. Sendo culto poderá envolver os interlocutores com argumentos de maior ou menor profundidade, dependendo de a quem se dirija. Pode ser um político não sectário, um político partidário, um político religioso, ou, ainda um religioso político dentro de um sistema organizado. Se um dia resolve apresentar novas idéias que invalidem alguma verdade relativa estabelecida no Sistema, não adianta ser político, pois haverá reação. Nesse caso é melhor se mudar para onde se possa evoluir.

As Filosofias podem dar origem às múltiplas ideologias, ou, doutrinas, algumas organizadas em religiões, e outras em partidos políticos que sustentem seus líderes. Os Sistemas Organizados de forma arbitrária de qualquer tipo que sustentem seus líderes, sempre são carentes de fontes de sustentação. O sustento honesto vem do trabalho dos adeptos sujeitos a um Sistema Organizado por aceitação de uma Filosofia como ideologia social, ou, religiosa. Há exceções. A aquisição de novos adeptos depende de novas conversões aos padrões e valores próprios do Sistema Organizado em questão, e expresso por normas, princípios e fundamentos. As adesões podem ser temporárias.

A tendência dos indivíduos é querer converter um interlocutor para dentro dos limites de seu conhecimento religioso, ou, político social, que quase sempre provém de um Sistema caracterizado por normas princípios e fundamentos. Outros Sistemas somam dogmas, e todos eles têm um “corpo hierárquico”. A “hierarquia” sempre é autoritária e dogmática na manutenção das normas e princípios aceitos como verdade, pois garantem sua posição e sustento. Esse comportamento sempre é sugerido como benéfico e democrático, e sendo regido por um estatuto. Lembremo-nos de que o “Poder” político de qualquer tipo é devido à autoridade que pode ser atribuída a uma pessoa, ou, a um Sistema, mas nós como indivíduos é que lhe atribuímos autoridade, ou, não. Os princípios da seita batista, por exemplo, dão liberdade de interpretação das Escrituras. Alguns dirigentes e adeptos se esquecem, ou, se omitem desse detalhe.

A Autoridade é o resultado de um Valor Ético e Moral individual que seja reconhecido e aceito por um ou mais indivíduos. Um presidente de uma republica, ou, de qualquer outro Sistema Organizado com fundamentos democráticos, pode ter o Poder como presidente de uma maioria em um cargo eletivo, mas se não tem o mérito do conhecimento, ou, o mínimo de sabedoria para usar o pouco conhecimento que tenha, não é autoridade para um grupo esclarecido que não vive da hipocrisia na concordância.

Por essa razão o bom e verdadeiro Sistema “democrático” apresenta-se como uma situação em que o cidadão não tema represálias físicas, morais e ou econômicas por discordar da política do poder constituído. O inverso é devido à hipocrisia.

Sabedoria é saber usar bem o pouco que se conheça e de modo útil, e sem atritos.

Fazer parte de qualquer tipo de Sistema Organizado com hierarquia, mesmo que seja a trabalho, pode alimentar o Ego pela segurança de uma posição social tipo tribal, mas limita o EU, pois sempre se obrigam aos limites representados pelas crenças, normas, princípios e ou estatutos a serem obedecidos. Nas religiões a política é a obediência às normas, princípios, dogmas e rituais, cujo conjunto caracteriza cada uma das religiões. Há religiões em que as igrejas são independentes e regidas por estatuto.

As crenças limitantes que nos foram impostas, ou na infância, ou na adolescência, podem mudar em função dos resultados vividos em nossas experiências pessoais. Estas fazem mudar as perspectivas com que encaramos as informações recebidas, e com isso mudamos o rumo das percepções, nossas atitudes e a maneira de agir. Somente os resultados eficientes das novas experiências é que podem mudar as crenças e a Realidade Subjetiva individual, ou seja, a Realidade de qualquer pessoa.

As experiências psíquicas, os insight, os clarões de introspecção, sempre são pessoais e mudam a realidade do próprio indivíduo, mas não podem mudar as crenças e a realidade subjetiva dos demais, pois é o tipo de vivência e as pressuposições aceitas como verdades que estabelecem a realidade de cada indivíduo.

É possível transmitir oralmente, ou, por escrito, as experiências pessoais e os seus resultados para outrem, mas alguém só será convencido dos nossos resultados se experimentarem e verificarem os mesmos por si mesmo. Os que sejam intelectualmente imaturos e inseguros que vivem apoiados em sua ideologia, e na manutenção de uma posição social escorada em uma crença, dificilmente aceitam novas informações, ou, fazer experiências cujos resultados mudem, pelas evidências, uma ou mais crenças raiz.

Se você tem experiências psíquicas, não perca tempo com discussões a esse respeito se não houver interesse da parte do interlocutor pelas suas experiências e pelo conhecimento decorrente delas. Dez por cento (?) tem entendimento por experimentar.

Nas discussões, se não há acordo quanto às pressuposições e suposições que defendam uma Filosofia que se apresente como ideologia, como é, por exemplo, a Teologia, pode parecer que, o interlocutor seja falho no seu entendimento e na compreensão relativos à perspectiva usada para sustentação, pois cada qual vive sua própria Realidade. Daí as guerras religiosas que já mataram mais pessoas do que as pestes e outras doenças.

Ninguém conhece Deus (Incognoscível, Insondável, Inescrutável), e por essa razão, ideologias teológicas sempre são os frutos da criatividade das lideranças humanas e de seus interesses. Assim sendo há muitas ideologias teológicas para serem discutidas, avaliadas, escolhidas e ou impostas. Se alguma fosse a certa, seria a única. Há pelo menos quatro tipos de teologias caracterizando as quatro grandes religiões que são importantes pelo número de adeptos. Curiosamente também há quatro tipos principais de ideologias políticas, mas inúmeros “partidos”. Assim também é no cristianismo que, como religião, há pelo menos 1.800 seitas, ou mais.

Apesar de todas as Filosofias divulgadas, é fato que nenhum homem tem a capacidade de entender e perceber Deus, pois é uma Consciência Superior à sua e, muitas vezes, nem mesmo percebe o nível de Consciência de um seu semelhante. Se alguém se opuser aos que acreditam que são capazes disso, e pregam uma ideologia baseada em pressuposições, seja a crença fruto de ideologia religiosa, ou, política, pode ser considerado como perdido em suas idéias, ou, perdido para “salvação” de sua alma.

       Esse julgamento é comumente expresso por um líder convicto e pelos demais sujeitos à crenças sugeridas e aceitas como verdadeiras.

Se, alguém concordar com a opinião da maioria que está sujeita, aparentará ser um tipo esperto, que despertou para todas as luzes do intelecto (alheio) e pode até desfrutar da fama de ter grande lucidez, de ser um bom crente, ou ainda, o melhor companheiro político, independentemente da relatividade do tipo de verdade apresentada.

Concordar ou discordar não muda o conteúdo da realidade subjetiva de um indivíduo em um dado momento, mas pode mudar o tipo de relação social. Ao concordar, pelo menos estará a salvo, do juízo dos outros a ele associados em algum Sistema Organizado enquanto convém. Também estará livre de ter que ouvir os arroubos de eloqüência na defesa de idéias, pensamentos, ou mesmo de defesa da integridade dos fundamentos da “corporação”. Lembre-se sempre de que qualquer razão sempre admite outra em sentido contrário, e um juízo é apenas uma afirmação e ele pode ser perfeito, ou, imperfeito, verdadeiro, ou, inverídico, provável, ou, improvável.

Em qualquer lugar, sempre há alguém que quer convencer aos demais de que ele é quem tem a razão definitiva, e poderá apresentar juízos perfeitos relativos a um assunto e sob uma só perspectiva. Avalie sempre se alem de lógicas e razoáveis, as afirmações são prováveis, pouco prováveis, ou mesmo improváveis. Depois mude a perspectiva que mudará o entendimento e o modo de compreensão. Esse jogo intelectual é válido na defesa da relativa validade dos diferentes posicionamentos, pois tudo é relativo. Por uma questão de justiça e equilíbrio de consciência, avaliemos se essa não é também a nossa posição quando queremos convencer alguém!

Lembremos de que as atitudes de uma mentalidade sectária são devidas à imaturidade. Todo indivíduo psicologicamente imaturo não consegue conviver com incertezas e na procura de certezas, aceita, mesmo que temporariamente, afirmações que sustentem as certezas relativas e aceitas por uma comunidade. Os Sistemas Organizados, onde a filosofia e os líderes garantam algum tipo de certeza útil ganha adeptos imaturos. Por exemplo, a idéia da divisão igualitária de bens, e a inclusão dos excluídos sob uma perspectiva unilateral etc. É o uso do princípio da segurança em um meio tribal. Setenta por cento da humanidade, em qualquer grupo cultural, vive como homem natural em busca de agrupamentos de convívio do tipo onde haja um personagem tipo Pajé, e ou, Cacique. Observe-se a quantidade disso no Brasil.

As certezas procuradas podem ser relativas à espiritualidade, à religião, à política social, e para alguns vale para obter um simples status, ou, para aquisição de bens materiais com a prestação de serviços à comunidade. Há quem consiga misturar todos esses aspectos na busca de adeptos contribuintes e encontra quem os aceite, como os 70% da humanidade que prefere não pensar, ou, que age de modo instintivo e emocional, incapaz de pensar e se orientar por conta própria por falta de informações.

Observe-se que os líderes de Organizações de qualquer tipo sempre são pessoas inteligentes, e são administradores com predominância de pensamento concreto, direto e objetivo, mas gostam de dominar os demais falando de assuntos subjetivos e abstratos. Alguns extrapolam e pretendem administrar até a liberdade dos pensamentos dos adeptos, pois há os que aceitam isso. Outros defendem com mão de ferro suas posições e se associam aos seus iguais, ou, similares, perfazendo corporações, mas mantendo o próprio feudo mediante estatutos independentes.

Os líderes verdadeiramente espiritualizados são de pensamento onde predomina o abstrato e são voltados para a subjetividade. Se estiverem em um Sistema Organizado, deixam o lado material do processo para alguns de seus seguidores. Os verdadeiros são criativos, construtivos, honestos, puros, limpos, bons e, “Pelos frutos os conhecereis”.

Todo e qualquer dirigente com pensamento concreto direto e objetivo, como homem é político. Aqueles que são políticos religiosos, em igrejas, ou, em outros sistemas organizados e místicos, como sociedades esotéricas, secretas, ou não, levam vantagem, pois as pressuposições dadas como sugestões são relativas a um futuro de possibilidades subjetivas a serem constatadas na maioria post mortem, se o forem. Qualquer futuro é apenas uma suposição baseada em pressuposições, e o vulgo pouco distingue uma suposição de uma realidade objetiva.

Há algumas organizações que proporcionam orientação para a vida em sociedade, bem como o desenvolvimento de habilidades psíquicas através de exercícios práticos, onde os resultados podem ser aproveitados no aqui e agora e isso é bom.

Em outras somente há Filosofia. Você naturalmente escolhe a que mais se adapta ao seu nível de consciência do momento, lembrando-se de que tudo pode mudar e a escolha pode ser temporária, ou então, vai durar tanto quanto forem os seus dias, meses ou anos de aprendiz de lógica, racionalidade e análise crítica. O término poderá ser em outra encarnação, se houver e quando houver.

Os líderes de partidos políticos e de governo devem ser objetivos e devem mostrar resultados práticos imediatos, ou, em curto prazo, ou então, se desmoralizam diante dos 30% que observam e analisam. Os demais 70% se contentam com pequenos agrados, ou, bolsinhas de todo tipo, que são as migalhas que caem da mesa dos dirigentes espertos em vivacidades.

Não há mal, ou, pessoa má que dure para sempre. Esse prazo depende do nível de conscientização de um povo, mas curiosamente os déspotas lutam pelo poder durante uma geração, sacrificando as vidas dos inconformados, como em Cuba na atualidade.

Todos os tipos mencionados dependem do poder de elaboração de um mito. Em política social, quando não há um mito de tradição cultural, forjam um. A durabilidade do mito depende de como ele se expõe, ou, se esconde.

Muitas pessoas gostam de curtir a manutenção de um mito pela emoção da fantasia e pela esperança que uma novidade pode dar. Um dia o mito desaparece diante da atualização da realidade em um momento dado, pois a avaliação passa a ser objetiva.

Assim é e assim será com todo indivíduo e com todo tipo de relação política entre os homens em evolução, e em algum dos seus diferentes estágios, seja na política social, ou, seja na política religiosa. Tudo passa porque tudo evolui. É uma questão de tempo.

Observação- Reforço: Política é a habilidade no relacionamento com as pessoas. A maioria das pessoas gosta de ser enganada por alguém que diz que assume as responsabilidades, pois ninguém gosta das mesmas responsabilidades.

Alberto Barbosa Pinto Dias, Bacharel em História Natural (todas as Disciplinas Biológicas e Geológicas), Licenciado, Especialista. USP, 1955.

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