Concordâncias e Discordâncias – 3

Concordâncias e Discordâncias – 3

A Propósito de Concordâncias e Discordâncias – 3 (Folhas de Outono)

Toda compreensão é relativa à perspectiva usada para dar o entendimento.

Quando alguma tentativa de entendimento de um fato, ou, de alguma informação nova, não permite compreensão lógica e razoável e nem mostra possibilidades de eles serem prováveis, é preciso iniciar novamente o processo de introspecção, reflexão, análise e questionamentos sob outras perspectivas.

Sair de uma perspectiva e experimentar outros pontos de vista é saudável, pois facilita mudar o entendimento e a compreensão e perceber sob qual das perspectivas o entendimento é mais lógico, razoável e provável, portanto, menos fantasioso.

Como a compreensão dá o rumo da percepção e nós vivemos imaginando em função do que tenhamos percebido, nós seremos sempre limitados, no exercício da imaginação criativa, pelo nível de percepção das informações recebidas e processadas por nossa Consciência. Por essa razão vale a pena se informar cada vez mais!

 O Mestre Jesus sabia disso e por essa razão exortou:- “De tudo examinai e retende o que for bom”. Ele aconselhou as pessoas desta maneira, mas modernamente cabe dizer:- “retende o que for eficiente e útil”, independentemente de ideologias, crenças e teologias que Ele mesmo, Jesus, não estruturou para as doutrinas que transmitia. A eficácia na ação e os resultados positivos sempre serão as medidas da verdade. Jesus sempre mostrava resultados de habilidades psíquicas antes de teorizar.

Se o acesso para alguma informação nos for negada, ou, se uma nova informação for rejeitada, desconfie se a rejeição é devida a uma compreensão direcionada por uma só perspectiva, e se o pressuposto limitante está sendo considerado como uma verdade imutável. Se for assim, é melhor que nos retiremos.

Novas informações consideradas com reflexão, análise e avaliação por outro tipo de enfoque podem mudar qualquer crença estabelecida como sendo a verdade, pois tudo é relativo. Um dos aspectos que seria problema devido às mudanças de perspectivas é o fato de que muitos sobrevivem à custa de manter algum tipo de crença baseada em alguma filosofia, sustentando um status social rentável.

 Cada um de nós tem uma Realidade Pessoal subjetiva, formada por nossas idéias e pensamentos que acreditamos como verdadeiros, e muitas vezes, discutimos e os defendemos com paixão. Sentimentos e emoções elaborados a partir de uma crença baseada em pressupostos impedem um raciocínio mais claro, e livre de barreiras psicológicas.

No início do desenvolvimento intelectual o cérebro trabalha em função de engramas, ou seja, idéias decoradas, repetidas e fixadas por um tempo determinado. O teor das idéias e pensamentos dependem do nível de informações que as pessoas recebem, percebem e armazenam na memória, bem como do tipo de treinamento que têm em usá-las teoricamente em jogo intelectual, e em experiências na prática.

Idéias e pensamentos mesmo que usuais, sem as experiências práticas que mostrem resultados objetivos e conclusivos, têm um valor relativo e não mudam as realidades pessoais que são subjetivas. Não podemos mudar os padrões e os valores ensinados como verdades na infância e na adolescência, época em que não há capacidade de análise crítica em plenitude. É por essa razão que alguns sistemas organizados como religiões exigem profissão de fé aos sete anos de idade, pois toda mística é sustentada pelo que seja lógico, até razoável, mas pouco provável.

Uma criança que seja maior do que sete anos pode ser inconveniente ao perguntar:- Mas por quê? Embaraçando o adulto despreparado.

O problema maior está nos adultos com idade cronológica alem dos vinte e oito anos e que, com memória Lábil menos eficiente, não perguntam mais nada e apenas raramente questionam porque já estão bitolados em normas e princípios arraigados como crenças limitantes.

Os resultados pessoais das experiências práticas, associados com nossos sentimentos, emoções, crenças aceitas, pensamentos fixos e muitas vezes repetidos para nós mesmos, ou, repetidos como sendo verdades para terceiros, é a base com que cada um de nós cria a própria realidade subjetiva, a nossa própria verdade. Isso é importante, pois em função disso é que fazemos os nossos julgamentos e tomamos posições. Assim sendo, aquilo que você pensa que é a verdade, é a verdade para você!

O Mundo passa a ser aquilo que você pensa que seja, até que novas experiências com resultados eficientes mostrem o contrário. É por essa razão que eu tenho encontrado resistências absurdas às experiências psíquicas em Sistemas Organizados como religião, baseadas em normas princípios, dogmas, fundamentos e rituais.

As possibilidades de mudanças no modo de pensar, ou, mudanças na realidade subjetiva e consequentemente nas atitudes e ações, dependem do nível de informações e este nível depende da curiosidade pessoal para as novas informações e, ainda mais, da capacidade de imaginação. A curiosidade para adquirir novas informações e os limites da capacidade de imaginação pessoal dá o alcance da percepção e conseqüentemente do psiquismo de cada um.

A imaginação pode trabalhar com as fantasias, ou então, trabalhar com a criatividade baseada em dados objetivos, os quais, alimentando a nossa Realidade Objetiva, proporcionam subsidio para formar uma Nova Realidade Subjetiva. É o desenvolvimento do psiquismo a cada nova realidade mais abrangente.

Inversamente, ao se perceber informações que chegam via subjetiva no processo de comunicação direta de cérebro a cérebro, tidas como intuição, ou, revelação, são rótulos para um fenômeno natural, que certamente ajudam a entender a Realidade Subjetiva. A comunicação entre cérebros é normal e constante. Falta desenvolver é a percepção subjetiva, onde predomina a objetividade.

É você quem faz a escolha entre permanecer na fantasia, ou, partir para a imaginação criativa sem fantasia, mas verifique sempre por qual perspectiva você está sendo direcionado e se é por sua vontade, ou, se o direcionamento da imaginação é resultado de sugestão de terceiros, que sejam fantasiosos, ou, que têm os pés no chão.

Se os seus enfoques mentais forem resultados da influência de sugestão de terceiros, acautele-se com a fantasia, verifique se ela, a fantasia, está sendo controlada por sua capacidade de ser lógico e razoável, e de sua capacidade de separar o provável do improvável. Verifique sempre se é possível experimentar e ver resultados práticos.

Se vocês têm o controle da lógica na informação que lhes foi passada, o controle da percepção com razoabilidade, e se vocês avaliam as probabilidades de a informação ser comprovada, vocês amadureceram e em nenhuma circunstância predominarão as fantasias, que nunca podem ser provadas, sendo o paradigma da infantilidade e da imaturidade no adulto mal informado.

Um fato objetivo pode gerar uma realidade subjetiva, mas a qualidade de uma realidade subjetiva que possa ser expressa como verdade, depende do nível de percepção de quem a recebe e do nível de inteligência e lucidez de quem a relata.

O Mundo é para você, aquilo que você pensa que seja. Abra-se para as informações e novas experiências expandindo a Consciência, pois não há limites para ela. “A ignorância é o maior desafio da humanidade”.

Alberto Barbosa Pinto Dias, Bacharel em História Natural (todas as Disciplinas Biológicas e Geológicas), Licenciado, Especialista. USP, 1955.

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