A Religião no Cérebro e o Cérebro na Religião

A Religião no Cérebro e o Cérebro na Religião

A Religião no Cérebro e o Cérebro na Religião

 

Ao receber dados e informações com atenção, se entendemos, podemos conferir reflexivamente se nós apreendemos (registramos) o que entendemos. Durante a leitura devemos sempre tentar perceber qual é a perspectiva de quem informa ou propõe, pois esta influi no entender e na compreensão. Analisando-se a sucessão de informações podemos avaliar a coerência e ordenar as novas ideias com as nossas ideias anteriores que sejam correspondentes a elas. Uma nova análise introspectiva e podemos fazer uma síntese, ordenando dados e informações de modo didático, no mínimo entendível, buscando compreensão sob outras perspectivas para fazer comparação. Um perfeito entendimento de uma questão, fato, dado, informação e conhecimento é a finalidade da Gnose. O desenvolvimento psíquico no processo de intelectualizar e entender é a finalidade da Filosofia.

Com certeza a religiosidade no Homem, é consequência da percepção de que, há um nível psíquico em sua própria natureza. Essa percepção dificilmente é realizada antes dos sete anos de idade, pois até então a mente trabalha predominantemente de modo introspectivo e subjetivo, sendo dedutiva e de registros sem análise lógica. A mente infantil é de registros biológicos, é chamada mente reativa e favorece a implantação de crenças. Nos seus oito anos de idade inicia-se um processo de imaginação criativa. Há no mínimo um nível de imaginação como fantasia, que preenche o psiquismo além das percepções racionais incipientes, que procedendo de adultos, orientam as perguntas e indagações próprias da idade. São os primórdios da racionalidade.

 Se a mente do homem é trabalhada desde os dois a três anos até os oito ou nove com ideias e pensamentos que são registrados em nível reativo, formam-se os conceitos básicos prévios, ou, os preconceitos que sustentam as crenças. É a época em que são introduzidos os padrões da ética e da moral aceita no grupo social e implantada pelos pais e autoridades educacionais. Os conceitos de Moral e ética passam a fazer parte do caráter quando aceitos e associados ao temperamento. Este último é devido ao genoma e são as reações emocionais básicas próprias de cada um.

Os preconceitos também servem para filtrar as novas informações nesse início de relacionamento com pessoas do ambiente e é assim que o indivíduo manifesta as diferentes facetas adaptativas da personalidade, que são variações da manifestação do caráter.

Os mais desenvolvidos em idade e nos processos de racionalização filtram as ideias e pensamentos próprios e os recebidos como informação, selecionando-os como em uma peneira de grade progressiva e seletiva, e podem separar o que é provável e útil, do dificilmente provável, ou mesmo improvável, jogando os últimos na lixeira. A eficácia deste processo depende da maturidade.

Aqueles que não desenvolveram um processo racional completo com esse tipo de peneira seletiva, ou foram impedidos de selecionar o provável do improvável pela ignorância ou pela bitola do processo racional aplicado durante o treinamento. Nestes indivíduos temos que considerar as pressões dos reforços psicológicos meramente induzidos, ou mesmo impostos, pois as pessoas sofrem a influência de sugestões de todo tipo até que haja o “despertar” de uma racionalidade independente.

Sempre há uma verdadeira elite que pensa, independentemente de grau de instrução, posição social, dinheiro disponível, ou sofisticação. Esta elite sempre procura informação e instrução e avalia as sugestões recebidas.

Como temos uma vida psíquica e temos a percepção de que somos uma entidade psíquica, é possível imaginar que possa haver uma entidade psíquica maior e mais poderosa no nosso universo subjetivo. Podemos imaginar que ela é a causa de todos os acontecimentos que escapam à nossa vontade.

A percepção de que os pensamentos possam transcender atingindo e influenciando subjetivamente outras pessoas, e de que há possibilidade de perceber subjetivamente o que outra pessoa pensa ou imagina, sem que se comunique conosco objetivamente, alimenta a ideia da transcendência e da existência dessa entidade maior, onisciente, inteligente, imaterial e onipotente. Dependendo das circunstâncias podemos aceitar a ideia de toda uma hierarquia existente no universo da subjetividade.

Dificilmente as pessoas conhecem o fenômeno chamado “consciência coletiva”, que é composta de todas as ideias e pensamentos processados nos diferentes cérebros, que como energia estão no espaço, em diferentes níveis de frequência vibratória. Essa consciência coletiva foi chamada por Jung de inconsciente coletivo e pode ser acessada por cérebros de pessoas que praticam introspecção. São os “flashs de iluminação” caracterizados por ideias novas e abrangentes, que alimentam o Superconsciente como um dos aspectos intuitivos da nossa Consciência.

Como exemplo, há um fenômeno que ocorreu em 1979, quando eu devia fazer uma apresentação no auditório da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná. Iniciei a palestra no improviso e desenvolvi um tema que para mim era original. Ao encerrar uma hora depois, fui procurado por pessoas que disseram que eu havia feito uma exposição muito lúcida a respeito do pensamento de Jung que se encontrava em um Livro denominado “O Eu e o Inconsciente”. Como nunca havia lido nada de Jung, desconversei e depois prossegui no Treinamento para Desenvolvimento mental e Psíquico. No dia seguinte, logo cedo comprei o livro mencionado em uma livraria existente no calçadão. A surpresa foi encontrar nos três primeiros capítulos, de modo distendido, o que eu havia resumido em uma hora. Fiquei pasmo querendo entender o que havia sucedido.

Os homens mais primitivos, antes do desenvolvimento das ciências, associavam um grande número de entidades imaginárias com as variações dos ambientes ocasionadas pelos fenômenos naturais, que nada têm a ver com psiquismo a não ser o medo causado pela destruição. Os fenômenos naturais benéficos podem ser louvados como bênçãos das mesmas entidades.

O temor gerado por essas imaginárias possibilidades, induz à religiosidade como sentimento, desde os primórdios da humanidade. Assim a religiosidade é um sentimento e juntamente com o temor correspondente, pertencem ao nível emocional-mental. É um sentimento natural, porque não há prova factual, mas se forte e determinante de pensamentos e atitudes, é denominado Fé. Como somos uma Consciência que tem por qualidade ser inteligente, podemos imaginar que possa haver uma Consciência maior, de dimensão Universal, a Consciência Cósmica, e temos a sua existência como um sentimento que gera ideias e pensamentos místicos.

Reforçando o pensamento, a Fé tem origem em um sentimento que associado a uma crença, e mais a uma expectativa, é determinante de convicções e consequentemente de atitudes e condutas. A Fé é endógena e como sentimento é uma certeza de que o psiquismo pessoal está sujeito a essa Consciência Cósmica, que recebe um nome próprio de acordo com a linha religiosa escolhida, ou, sugerida.

Naturalmente há pessoas que sentem mais intensamente essa possibilidade. Outras pessoas sentem menos, mas passando por heterosugestões, podem ser convencidas de que a Consciência Cósmica está atuante e determinante. É possível perceber que há as pessoas que verdadeiramente sentem, mas há pessoas que por interesses em relacionamentos, fazem de conta que sentem. Afinal há condições para fazer parte e receber benefícios de alguma tribo, ou comunidade. A palavra Fé também tem o sentido de Desejo como ponto de partida, sendo este associado a uma Crença que o faz perseverar, e tendo ainda mais a Expectativa de que o desejo possa ser alcançado, ganha força total.

Todos começam por adquirir uma crença de nível 1 quando estão de algum modo convencidos por alguma sugestão que obedeça um raciocínio lógico e até razoável. Uma pessoa convencida pode, por novas informações e percepções e ainda por racionalização das probabilidades diante das incertezas, mudar de ideias e consequentemente de atitudes e ações.

A dominação começa quando as diferenças de idade e nível de entendimento, somadas às diferenças de percepção e de consciência, ou ainda devido à falta de recursos de sobrevivência, obriguem a que as pessoas vivam em grupos, tribos ou nações e tenham a tendência de serem lideradas por alguém diferenciado com possíveis condições de protetor. Surgem os líderes, primeiro os da força física, depois os imaginosos e sugestivos líderes dominadores através do temor ao desconhecido, que pode ser relativo a um futuro, os quais influenciam as pessoas que apresentem religiosidade, ou outro tipo de carência.

A força física tem a sua vez e estabelece uma hierarquia de respeito por medo à espada ou ao confinamento. Também se faz pelas posses adquiridas pela força. Depois a força mental e psíquica de sugestão tem a sua vez e estabelece uma hierarquia que também impõe respeito pelo temor à divindade, ou, divindades, e pelo medo às sansões das autoridades que “as representem”. Geralmente as duas lideranças quando inteligentes se unem para melhor dominar os infantis e fantasiosos, que sempre constituem mais do que 70% da comunidade, independentemente de nível de instrução formal racional, ou da cultural que dependa de memória ou de habilidades físicas.

Podemos observar essa verdade histórica nos relatos das conquistas de povos menos civilizados por outros “mais civilizados”. Por exemplo, a conquista do Havaí. Primeiro chegaram os militares, depois os salvadores de almas e depois os comerciantes cujos lucros são repartidos na forma de impostos aos primeiros e contribuições aos segundos. As fontes de recursos sempre são os dominados física e mentalmente pelo Sistema.

As lideranças de um modo geral impõem regras de conduta e submissão, as quais denominam de leis no profano e de doutrina no plano religioso. O povo, dominado, paga todos os tributos para sustentar o triangulo de ferro: Executivo, Legislativo, Judiciário e os Militares. Os religiosos recebem contribuições à parte, com um governo sempre liberal, que espera apoio moral.

O respeito entre os participantes de cada grupo social estabelece os limites no relacionamento comunitário que é conhecido como ética. Desafiar a ética adotada como consenso para comportamento social de um grupo é partir para um conflito, no mínimo, de ideias.

O consenso do grupo em relação ao respeito pessoal e as relações de comportamento comunitário são a ética e a moral daquele grupo. A moral é relativa e depende até de local e de nível social. Pessoas que não foram treinadas em comportamento moral e ético local até os oito anos de idade, dificilmente se ajustam à ética e à moral que o grupo social aonde vive, espera delas. Assim forma-se a maioria dos marginais de uma sociedade.

Considerando-se a religiosidade na linha do tempo, verifica-se que os líderes estabelecem normas, princípios, fundamentos, dogmas e rituais. Isto mantém o grupo unido, pois o que se rebela está fora do grupo e desprotegido. Atualmente os núcleos religiosos de certa forma substituíram as relações tribais, principalmente observáveis nas igrejas evangélicas independentes depois da Reforma Luterana.

Normas, princípios, fundamentos, dogmas e rituais caracterizam uma Religião. Como há diferentes povos em diferentes regiões do planeta, com diferentes níveis de psicoreligiosidades, seus lideres por diferentes motivos e diferentes recursos locais, estabelecem diferentes normas, princípios e rituais, constituindo as diferentes religiões e ou seitas. Acreditar em uma religião sugerida por uma liderança é estabelecer uma crença de nível 2, onde o convencimento da fé é reforçado pela crença sugerida em normas, princípios dogmas, fundamentos e rituais, regulamentados pela doutrina e pelos estatutos das igrejas locais.

As sugestões são implantadas em estados alterados de consciência. Estes geralmente são ocasionados pelo desenvolvimento de estados emocionais através de rituais com sacrifícios entre os incultos, ou, pregações sugestivas e outros recursos que desenvolvam emoções nos meios mais civilizados. Sempre há indução de alto grau de sugestibilidade.

As pessoas mentalmente convencidas de que uma nova situação vai favorecer uma vida melhor, no mínimo no além tumulo, ganham o fator esperança que as tornam mais fortes diante das vicissitudes. Cada um torna-se mais conformado e mais obediente ao poder temporal, tido e acreditado como instituição divina, quando apoiado pelo poder religioso. Também se observa que certas regras doutrinárias favorecem a economia pessoal e familiar, o que redunda em benefício da liderança da comunidade no final da linha.

Pessoas mentalmente imaturas não sabem conviver com as incertezas, favorecendo o esquema do Sistema dominante, sempre baseado em afirmações lógicas até razoáveis, se bem que pouco prováveis. Pessoas maduras convivem bem com as incertezas e são questionadoras e são os considerados rebeldes, ou ainda hereges.

Assim a Religião passa a ser a oficialização da existência de uma ou mais divindades no nível do psiquismo. O ritual é a oficialização do respeito e veneração às divindades sugeridas. Os Templos são os locais adequados ao ofício religioso. A Igreja é a egregora formada pelo grupo de adeptos em um templo em cada local que, dispondo dos meios financeiros arrecadados, passa a constituir uma firma de pequeno, médio, ou grande porte e até de multinacional livre de impostos, pois geralmente apoiam os governos.

Este mesmo esquema de Sistema pode ser observado em organizações de fundo místico e não sectário no aspecto religioso.

Toda grande religião oferece uma doutrina teórica em três níveis: o abstrato, o concreto e o fantasioso, satisfazendo os três principais níveis de mentalidade da humanidade em evolução no mental e no psiquismo. Ao de pensamento abstrato o Cosmos Insondável e Incognoscível. Ao de pensamento concreto um ou mais homens divinos ou divinizados que servem de padrão de vida. Aos de mentalidade fantasiosa miríades de deuses, santos e seres afins.

Acreditar que só a sua própria religião é a certa e seus dirigentes infalíveis no que professam, já é estar com o pensamento orientado por sugestão hipnótica de nível 3, tornando-se um convencido convicto. Estas colocações simplistas e objetivas mostram uma estrutura que é básica em todos os Sistemas que manipulam os níveis de percepção psicológica de um agrupamento humano.

Toda pessoa dominada por algum tipo de programação cerebral, tem uma natural dificuldade de pensar em outras perspectivas e estão praticamente impedidas de mudar a maneira de pensar. Tentar fazer isso é perda de tempo, principalmente se o “sujet” já defendeu suas ideias e crenças, em público cativo que o tenha aplaudido, e dado consideração, ou ainda, cujo sustento pessoal e ou familiar dependa da defesa dessas mesmas ideias. Outra maneira de manter o adepto como firme contribuinte e colaborador nos trabalhos é honrá-lo com cargos e funções nas igrejas, diplomas, medalhas e colares simbólicos nas Ordens.

Estar em desacordo com normas e princípios de uma religião é ser herege em relação a essa religião. Ser ortodoxo em relação a uma religião é ser herege em relação a 400 outras religiões; logo todos os religiosos são hereges. Não deve haver problema em ser herege a menos que afetemos o Sistema Político aliado do religioso, ou o Sistema religioso que domine o político e afete o seu emprego ou o seu sustento.

Hoje encontramos, em média, 3 % de pessoas que são psíquicos naturais. Encontramos 25 % que podem ser convertidos em psíquicos por treinamento. Quando o homem era mais primitivo, tendo menos subsídios para desenvolver o lado racional, deveria predominar a imaginação e poderia ser que os psíquicos naturais fossem em maior porcentagem. Uma boa parte deles desapareceu na santa inquisição e nas perseguições do tipo Salem entre os evangélicos convictos, os “Verdadeiros Crentes” do tempo pós-reforma.

Sempre os psíquicos chamaram a atenção por suas habilidades psíquicas. Se o ambiente favorecia o psíquico poderia transmitir suas ideias e se elas contivessem fundamentos de ética e de moral e se aceitáveis na comunidade, poderiam ser base de uma filosofia de vida. A evolução de qualquer filosofia de vida, que tenha tonalidade de liberdade de pensamento e de ação, para se converter em uma religião é uma questão de tempo. A filosofia de vida pode conter uma doutrina quando se destina a fazer adeptos fiéis seguidores de uma linha de comportamento para melhoramento pessoal e social.

Jesus, por exemplo, apresentava habilidades psíquicas inquestionáveis, que foram consideradas milagres. Honestamente Jesus declarou: “isto eu faço para que creias em mim”. Ele pregava uma filosofia de vida rica em ética e moral e a base era o amor à Divindade e ao próximo com tonalidade de libertação: “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. Assim quem ama respeita e quem respeita não ofende, não injuria e nem prejudica o próximo e assim não peca.

Quem tem comportamento ético e moral de acordo com os preceitos de Jesus e de acordo com o consenso da comunidade, sendo honesto, puro, limpo e bom, é considerado espiritualizado. Podemos observar que os seguidores de Maomé e adoradores de Alá, os seguidores de Buda, de Confúcio e de outros filósofos e que são honestos, puros, limpos e bons, criativos e construtivos, também põem ser considerados espiritualizados.

Curiosamente, adeptos da filosofia cristã que pertencem ao cristianismo organizado como Sistema, não admitem liberdade de pensamento além da doutrina imposta.

 A doutrina pregada por Jesus tinha dois níveis. Um nível doutrinário destinado à massa, com ensinamentos passados por parábolas. Outro nível de doutrina reservado aos discípulos, que após certo tempo, passaram a manifestar habilidades psíquicas positivas, “espirituais”, ou espiritualizadas, como curas de doenças e de enfermidades.

Acredito que Jesus estendeu essas qualidades aos demais quando afirmou: “aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço e as farão maiores do que estas porque eu vou ao Pai…”. Sendo verdade que todos os que crêem podem, o milagre passa a ser habilidade devida a uma condição psíquica de obediência a certos princípios.

Os discípulos coligiram os ensinamentos, ideias e pensamentos de Jesus constituindo no conjunto os conceitos dos Evangelhos. A habilidade psíquica de Jesus mais a inteligência dos ensinamentos suscitaram inveja e muitas polêmicas entre aqueles que estavam ocupando posições de destaque e temiam pela queda do prestígio pessoal e do poder de dominação, baseado em fantasias vazias de verdade e de resultados práticos. A história sempre se repete até hoje.

Paulo, posterior aos discípulos e à morte de Jesus, converteu os Evangelhos em Filosofia Cristã. Posteriormente, o imperador Constantino, para manter as tropas unidas em torno de uma só crença, favoreceu a coleção de escritos que hoje constituem a Bíblia Sagrada e também favoreceu a implantação de uma religião cristã com a criação da Igreja Católica Romana. Normas, princípios, dogmas e rituais foram criados através dos tempos e mais outros na medida da necessidade da Santa Sé. Normas, princípios, dogmas, fundamentos e rituais, passaram a ter força de verdade religiosa aos que estão convencidos.

Com os desmandos das autoridades eclesiásticas posteriores a Constantino, como os Bórgias e os Medicis. Com a venda das indulgências e as inquisições que visavam restaurar o tesouro material de Roma, surgiram as igrejas da Reforma e depois todos os exageros, restrições e incompreensões destas últimas em suas variantes.

As cruzadas com seus morticínios e os desvios de moral de muitos dos monges e dos templários, tanto em sua vida particular como nas suas ações como guerreiros, mostravam, como mostram nos guerreiros de hoje que, normas e princípios, dogmas e fundamentos, podem unir grupos de comportamento tribal, todos convencidos da validade da filosofia cristã, mas nada convertidos ao pensamento do Cristo.

Com as cruzadas e as perseguições ao Islã e aos Judeus com os morticínios e confisco de bens e de mulheres em nome da crença, houve uma reação natural desses povos do oriente. Alem da invasão da Europa pelo Islã, formaram-se sociedades reservadas para a resistência à prepotência, orgulho e arrogância dos que estavam convencidos de terem alcançado a “salvação pelo sacrifício do Cristo”, mas deixaram a moral e a ética cristã de lado nas ações de seus interesses imediatos. A questão passou a ser a mudança nas formas de governo absolutista, baseado em sua falsa moral e ausência de ética, para dar chance às minorias, aos intelectuais, cientistas e aos desprotegidos da fortuna.

Quem insuflou e financiou a revolução francesa? Descendentes de que povos desenvolveram a ideia do socialismo? A que psicoreligiosidades pertencem os que financiaram a revolução socialista na Rússia? A que psicoreligiosidades pertencem os que financiaram Hitler no início de suas empreitadas e por quê? Que tipos de cobranças sociais se fazem hoje no oriente e no ocidente? Por que o choque do Islã com o Judaísmo? O que significam os recentes incêndios na Capital da Notre Dame?

Uma vez constituído o poder baseado no crédito das autoridades e no número de adeptos filiados, o poder religioso começou a interferir na vida social e ditar conceitos de ética e moral convenientes à igreja, seja romana ou não romana. Assim, outra perspectiva para análise é abordar o fato de que antes da Renascença, quando não havia desenvolvimento da medicina e de outras ciências físicas e naturais, o monopólio das curas e as explicações dos fatos naturais era propriedade da igreja e de seus representantes, pois se acreditava que as doenças “eram devidas” a demônios e quejandos e os acontecimentos naturais aos desígnios de Deus. Nessa época, pessoas que usavam as mesmas ferramentas psíquicas dos sacerdotes, mas não professavam os mesmos enfoques mentais, as mesmas crenças, perderam suas vidas em nome da moral e da ética cristãs.

Com a Renascença, o desenvolvimento do pensamento científico a partir de bases localizadas no pensamento oriental para matemática, física e outras ciências, encontrou resistência principalmente por parte da Igreja Romana. Uma vez estabelecidas, reconhecidas e aceitas as ciências médicas, o pensamento e as descobertas científicas atuais, ainda encontram a resistência das religiões em relação aos temas da criação, da evolução dos seres vivos e da utilização de células embrionárias para resolver problemas médicos.

Ainda hoje a igreja de modo geral, pretende interferir nos trabalhos científicos relativos a clonagens, utilização de embriões para obter as células tronco, aborto por necessidade de satisfazer aspectos de saúde e mesmo de ordem moral, com aquilo que estabeleceu como moral e ética, sem levar em conta que essa mesma moral e ética tida como cristã já serviu para chacinas maiores do que as de Gengis Kan, denominado o bárbaro, e mais aquelas de todos os demais bárbaros juntos em toda história da humanidade.

Como tudo evolui, o pensamento dos que buscam o conhecimento também evolui. Basta não ficar mentalmente preso a uma linha de pensamento, a uma perspectiva, ou a um sistema de crenças qualquer.

Alberto Dias. Atibaia, 21 de janeiro de 2006.

Alberto Barbosa Pinto Dias, Bacharel em História Natural (todas as Disciplinas Biológicas e Geológicas), Licenciado, Especialista. USP, 1955.

Qualquer questionamento sempre será bem recebido e respondido.

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