A Relatividade dos Entendimentos

A Relatividade dos Entendimentos

A Relatividade dos Entendimentos

Todas as reflexões são relativas.

 

Esta reflexão é relativa à relatividade de minha capacidade de percepção.

Só Deus é absoluto, portanto só Deus conhece a verdade absoluta, se você crê que Deus existe. Se não crê esta afirmação está prejudicada, pois ela é relativa à existência de Deus. O Mundo é aquilo que você acredita que seja, portanto o mundo é aquilo que cada um acredita que seja, ou, o Mundo é relativo às Crenças de cada um.

Se você crê que Deus existe, deve crer que Deus é a verdade absoluta. Como a capacidade de percepção do homem é relativa, ele só pode perceber uma porção da verdade. O tamanho da porção da verdade que ele percebe, é relativa ao que ele considera verdade no sistema de crenças, que ele carrega como sendo a sua própria realidade.

Cada indivíduo tem a sua própria realidade. A realidade de cada indivíduo pode diferir da dos demais, mesmo que pertençam ao mesmo sistema de Crenças, devido à possibilidade de diferentes perspectivas ao enfocar fatos e textos.

Se ele crê em um sistema de crenças que compreende normas, princípios dogmas e ou fundamentos de um sistema organizado de forma arbitrária pelos homens, e que perfaz uma religião, podemos dizer que é um crente adepto dessa religião. Há centenas de religiões. Tudo é relativo às Crenças. Assim sendo toda ortodoxia é relativa à uma Religião, e toda Heresia é relativa à muitas Religiões.

Todo sistema de crenças pode ser submetido a diferentes perspectivas para entendimento, e o homem inteligente, que sabe mudar de  perspectivas, pode acomodar o seu sistema de crenças às diferentes circunstâncias, processando raciocínios lógicos e razoáveis em diferentes perspectivas mais convenientes.

Crenças rígidas com normas e princípios considerados imutáveis, que caracterizam uma religião, aprendidos na juventude, podem ser  acomodadas na idade madura por mudança de perspectiva, convertendo crenças rígidas em crenças conciliatórias, pois não há significados sem os relacionamentos cabíveis. Os Homens maduros acabam percebendo que o valor de todos os significados de uma informação recebida,   depende das circunstâncias.

Certa vez encontrei um homem, aparentemente muito crente nos princípios cristãos, construindo uma casa para ser presenteada, mas em local impróprio, em uma reserva de mata verde, pequena, dentro de um Condomínio, e sem licença da prefeitura e nem do CREA, e ainda podendo causar prejuízo ao poço de água potável de terceiro se a fossa negra fosse feita no local planejado. Questionei o fato de ele ser crente e estar produzindo uma ilegalidade.

A reação não foi nada legal e a casa foi terminada, presenteada a uma instituição que dá formação a pastores evangélicos, e aceita. Esse é apenas um exemplo no meio de uma série de irregularidades, que se observa em diferentes locais e circunstâncias em ambiente de crentes nos Evangelhos, que se denominam cristãos, mas o são relativos às circunstâncias.

Dá a impressão que as normas e princípios devem ser seguidos solenemente pelos crentes cristãos nas igrejas, mas fora delas relativamente não tem valor dependendo dos interesses e das circunstâncias. Só para lembrar, as Cruzadas, as Indulgências, e a Santa Inquisição.

Comentando o fato com um advogado crente em princípios cristãos, ele justificou que crente é aquele que é salvo pelo sangue de Jesus por ter aceitado Jesus como seu salvador, mas como o homem é falho, procede mal, mas não deixa de ser salvo. Como o Homem aceitou Jesus como salvador está salvo, e o mal que possa fazer, Deus perdoa aos remidos pelo sangue de Cristo. Neste caso a Salvação da Alma é relativa a uma Crença.

Desde criança ouvi coisa semelhante em igrejas evangélicas, e desde adolescente me questionei se quem salva é o sangue derramado, ou, se são as normas e regras de conduta ética, dos Evangelhos, a serem obedecidas para o resto da vida, em função do sangue derramado por elas.

Na prática, prevalece o sentido lógico, do que é mais conveniente. Assim para os advogados da causa da Salvação da Alma, ela é relativa ao sangue derramado, e não à ética e a moral cristã e ao prejuízo causado a terceiros. Na lógica dos que advogam a Salvação pelo sangue derramado, seja cristão batizado, desconsidere-se a ética e a moral, porquanto já se está salvo.

Como tudo é relativo, percebo uma Crença que redime sem limites, mas nos obriga a outras crenças limitantes, todas tidas como verdadeiras. Então para que os limites representados por normas e princípios éticos considerados como parte da religião?

O que os pastores pensam a respeito? Poderiam explicar? Sim, acredito que relativamente possam. As abstrações não tem fim.

Os fatos: Jesus morreu na cruz. Deixou bem marcados normas e princípios de como viver de modo íntegro, e assim ter a Alma salva pela integridade e pela integração com os planos superiores comumente denominados Espirituais.

No entanto a suposição básica dominante é a de que O Sangue derramado por Jesus na cruz salva quem aceita esse fato, mas deve passar o resto da vida, se equivocando e pedindo perdão por seus atos. Verdade, ou, relativa hipocrisia? O que é isso?

Fraternalmente, Alberto Barbosa Pinto Dias, Especialista, USP – 1955.

Postado em : Reflexões

2 Comentários


    • Arthur Alves Dos Santos
    • agosto 1, 2015
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    Concordo com a reflexão, acho que por isso mesmo o Senhor Jesus também nos diz a respeito, apesar do Seu Sangue derramado, “Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres?’ Então eu lhes direi claramente: Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal!” – Mateus 7:21-23 Acho que ele diz bem claro que mesmo pessoas com dons de milagres e que fazem prodígios e que o seguem serão julgados ainda assim pelas obras diversas apesar das boas.

      • Alberto Barbosa Pinto Dias
      • agosto 30, 2015
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      Perfeito!

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