A propósito de Habilidades Psíquicas

A propósito de Habilidades Psíquicas

A propósito de Habilidades Psíquicas

Reflexões – Folhas de Outono

Introdução:- O interesse pelo psiquismo decorre de que, desde o momento em que homem teve consciência de existir como homem, algumas pessoas apresentaram habilidades psíquicas e produziram fenômenos que a maioria não produz. Essas habilidades psíquicas são conhecidas desde a antiguidade, e há a tradição oral havaiana com relatos de mais do que 13.000 anos relativos à Magia. Em algumas culturas os resultados dessas ações denominam-se milagres. Há esqueletos humanos bem conservados que mostram uma estrutura igual a da atual, e têm 300.000 anos.

            Os fenômenos psíquicos permitem a suposição de que haveria pessoas diferentes das demais em suas ações psíquicas, que são usualmente denominadas “espirituais”. Atuariam com a consciência em uma ou mais dimensões onde haja níveis de energia vibratória relacionada com diferentes tipos de enfoques mentais,  cujas frequências vibratórias ainda não foram detectadas pela aparelhagem dos físicos, mas demonstrando efeitos objetivos e constatáveis.

            Assim como há mutantes em toda série animal ocasionando alterações estruturais e fisiológicas, também no organismo humano há mutações para estruturas de circuitos neurais e sua funcionalidade, a neuroplastia.

            Na medida em que o homem percebe que tem vida psíquica individualizada, e que alguns têm possibilidades de mover energia por ação do psiquismo, deve pensar na possibilidade da existência de entidades independentes dos humanos, que estão fora do nível físico conhecido, e que, portanto, estão alem das três dimensões materiais. Há quem acredite que essas entidades também têm possibilidade de ação na terceira dimensão e que influem nas ações dos humanos.  

            Como consequência lógica surge à idéia de que alguns homens poderiam ser assessorados e usados para o bem por alguma dessas entidades, ou, para o mal por outras. Essa atitude levou as pessoas a criar os diferentes conceitos a respeito de espiritualidade e de religiosidade, todos relativos a esse “mundo espiritual”.      

            A maioria entende por Espiritualidade um conjunto de boas qualidades morais e éticas, caracterizadas pela atitude mental que acompanha os indivíduos que apresentem, ou não, habilidades psíquicas. Também entende por Religiosidade, o sentimento de que existam seres Conscientes e Superiores ao homem, na dimensão da energia que está além dos sentidos físicos, onde somente o psiquismo tem o seu alcance com a imaginação, para projetar e para receber formas de energia como informação. Essa é uma boa parte, quando não é todo universo intelectual subjetivo dessa maioria.

            Por sua vez a palavra energia tem apenas 400 anos de existência e foi idealizada para expressar um conceito:- “Energia é o princípio geral responsável por todas as ações, movimentos, deformações, construção e destruição”. Energia aplicada resulta em Força que dependendo do potencial pode ou não produzir movimento ou deformação. Anteriormente à criação da palavra energia os termos usados com o mesmo significado eram “espírito” e “virtude”. Estes termos são encontrados com significado de energia nas escrituras mais antigas e sempre ligados a fenômenos (fatos) considerados espirituais, e os fenômenos mencionados em escrituras são devidos a ações de origem subjetiva com resultados objetivos.

            O que verdadeiramente chama a nossa atenção, são os resultados objetivos das ações psíquicas daqueles que, sendo supostamente espiritualizados, produzam fenômenos.

            Alguns desses fenômenos, muitas vezes são previamente anunciados, se referem à cura de doenças e enfermidades e outros produzem alterações na matéria bem como nas forças da natureza, como o vento, as chuvas, as tempestades etc.

            Nosso interesse é saber a causa e o motivo dessas ações psíquicas. As motivações de ordem emocional, intelectual e psíquica nós intuímos, mas para entender a causa necessitamos de dados e informações seguras. Se o homem não dispuser de dados objetivos para perceber a causa desses fenômenos produzidos por enfoque mental, percebendo apenas os efeitos, é usual que o homem comum tente explicá-los e, para isso, a sua atenção passa a trabalhar subjetivamente, onde impera a imaginação criativa, e ou, mais ainda, a fantasia por falta de dados e mais informações, e é o que impera na maioria das vezes.

            Com a possibilidade de observação acurada de um fenômeno, e dispondo de hipóteses que nos orientem a entender como proceder aos pensamentos para que possamos dispor desse tipo de ação, poderemos experimentar reproduzi-los. Se os resultados dessas ações conscientes permitirem a repetição controlada de um ou mais fenômenos relativos às habilidades psíquicas, teremos a chave para estudá-los, reformulando as hipóteses e estruturando uma teoria com base científica.

            Quando o pensamento trabalha só com referenciais subjetivos, o processo intelectual desenvolve hipóteses baseadas na imaginação criativa, visando o que poderia ser e os pensamentos, que justificam as hipóteses, na maioria das vezes são lógicos e razoáveis, mas são improváveis, ou, no máximo, pouco prováveis. Assim é orquestrada toda fantasia relativa à “espiritualidade” nos Sistemas Organizados de forma arbitrária como Religião, e onde mais se rejeite o apoio da Ciência.

            Se essas hipóteses forem conotadas e, em seu conjunto, sugeridas e aceitas somente por serem lógicas e razoáveis, poderão chegar a constituir uma Filosofia de base mística e há muitas filosofias de base mística para que alguma delas seja a mais certa.

            Definimos como místico todo pensamento lógico e até razoável, se bem que pouco provável, ou mesmo, improvável, e que são relativos à espiritualidade e à religiosidade. Uma maneira de tornar o conceito de espiritualidade objetivo e constatável é basear-se em Filipensis 4: 8 e considerar espiritual toda pessoa que for criativa e construtiva, como se supõe que seja o Espírito Divino, e Honesta, pura, limpa e boa como deve ser a Consciência humana, centrada e equilibrada pela sua sugerida origem divina.  

             Uma Filosofia que esteja associada a fenômenos devidos às habilidades psíquicas, supostamente associadas à espiritualidade, pode ser aproveitada para o desenvolvimento de uma Religião, onde conceitos de ética, de moral e bons costumes dão uma nota tônica.

            Cada Religião é um Sistema Organizado à base de normas, princípios, fundamentos e ou dogmas e rituais, estabelecidos pela imaginação dos homens para concretizar o que acreditam que deveria e poderia ser o mundo espiritual, estabelecendo com isso uma crença que tenha como suporte uma Fé.

            A crença é o resultado de um processo de sonhar acordado muito comum a qualquer pessoa que use a fantasia, e ou a imaginação, para construir uma realidade interior, subjetiva e individual. Assim, aquilo que você acredita que é verdade, é verdade para você e o resultado de suas crenças é a sua Realidade Pessoal.

            Os líderes de cada uma das religiões estruturam o seu próprio Sistema e há muitos Sistemas Organizados, pois cada um deriva das muitas filosofias existentes, fruto da imaginação criativa direcionada para organização de um Sistema qualquer. Geralmente diferentes Sistemas Organizados obedecem a um modelo filosófico onde haja conceitos de ética e moral e, são regidos por estatutos para controle de comportamento dos associados e dos líderes sujeitos ao Sistema. 

“TODOS OS SISTEMAS ORGANIZADOS SÃO ARBITRÁRIOS”

            Todas as Religiões são Sistemas Organizados Arbitrários que usam o emocional desenvolvido por sugestões, tendo um ritual como um meio de promover um estado de alta sugestibilidade e estabelecer a motivação emocional de um credo. O credo é constituído de uma série de princípios e normas a serem obedecidos.

            Em um Sistema qualquer quem tem habilidades psíquicas faz acontecer. Quem não faz quer explicar, ou, ensinar. Quem não faz e não sabe explicar quer mandar, ou, quer liderar um sistema organizado e usufruir de alguma vantagem, no mínimo de uma posição social de aparente importância, mesmo que seja um círculo social restrito. 

A PRESERVAÇÃO DA INDIVIDUALIDADE E DA PERSONALIDADE DA ALMA

            Quando uma pessoa começa a pensar por conta própria, no meio do turbilhão de sugestões ouvidas desde a mais tenra idade, busca um caminho para melhor entender e mesmo desenvolver as habilidades psíquicas, que deram origem às hipóteses e às sugestões ouvidas e aprendidas como sendo verdadeiras.

            Podemos dispor na atualidade de informações exatas obtidas através do método científico. Ignorando as informações científicas e as informações disponíveis, há quem prefira se satisfizer apenas com o misticismo que envolve o emocional, onde experimenta experiências psíquicas tidas como espiritualidade, e que mostra a medida da ignorância em relação às informações disponíveis.

            Esta última atitude é característica da infância, da adolescência e do início do amadurecimento da racionalização. É a idade em que a imaginação está voltada para a fantasia e está sujeita a informações inexatas recebidas de fontes que também são alimentadas pela imaginação voltada para a fantasia, ou pelo interesse em manter a fantasia.

            Quanto a este aspecto, observa-se que, nem todas as pessoas amadurecem no sentido psicológico, ou, por falta de informações exatas devido ao baixo nível de escolaridade recebida, quase sempre voltada para a decoração de dados e com falta de treinamento para o desenvolvimento do processo lógico e racional. Este fato é evidenciado pelo analfabetismo funcional, muito comum e característico de quem lê, mas não entende o que lê.

            Considere-se também a possibilidade de deficiência neurológica evidente em muitos indivíduos, ou ainda, os bloqueios de raciocínio causados pelo tipo de programação religiosa recebida na primeira infância e, fixados durante a mesma como sendo uma verdade absoluta.

            A impossibilidade de fazer uma análise crítica é característica da primeira infância, mas torna-se evidente no adulto mal informado e ou sem treino para tanto.

            Se o Homem continuar no caminho subjetivo, baseado somente no abstrato para evolução mental no campo do psiquismo, tem duas escolhas:- Ou fica com uma Filosofia associada à Mística, ou, embarca em um Sistema Religioso, organizado a partir de alguma filosofia que contenha mística.

            Há quem fique nos dois caminhos, buscando por uma verdade final em uma posição intermediária, pesquisando, ou não, no mundo científico.

            Os místicos denominados esotéricos pesquisam os dados oferecidos pelo mundo científico para que haja suporte para entendimento de suas percepções, idéias e pensamentos elaborados predominantemente de modo subjetivo, sem abandonar o que ainda seja mistério para suas mentes. Curiosamente os místicos esotéricos são desprezados pelos místicos que são forçados às crenças limitantes por suas lideranças que tem por paradigma a Fé nas crenças aceitas como verdades.

            Nos três casos citados, o indivíduo estará sensível às sugestões que são repetidas periodicamente em sucessivas reuniões de sua comunidade, e que passam a ser “verdades” dentro da “realidade” de cada um dos adeptos, os quais, progressivamente, perdem o senso da relatividade para ficarem presos a algum tipo de certeza, agora configurada como ponto de segurança psicológica e comumente denominada Fé, essa em pressuposições que são a base de alguns fundamentos.

            Se algum indivíduo em algum momento não se satisfazer com a mística, devido a alguma análise crítica com questionamentos de origem pessoal, ou, sugerido por terceiros, e dispuser de dados científicos e informações confiáveis, o mesmo tem mais condição de analisar as hipóteses e as sugestões que lhe sejam feitas. Poderá então entender melhor as várias situações decorrentes do comportamento das pessoas que participam dos sistemas místicos, suas crenças e a relatividade dos seus diferentes pensamentos e posicionamentos.

            Poderá também atribuir importância relativa a alguma filosofia sugerida e partir em busca de um caminho mais prático para se desenvolver psiquicamente. Também poderá procurar exercícios e práticas que, de algum modo, ponham em ação circuitos neurológicos preexistentes, mas ainda não utilizados, ou, crie novos circuitos entre os neurônios já existentes, fenômeno conhecido como neuroplasticidade e que, possam resultar em alguma habilidade psíquica.

            Ao conseguir produzir algum fenômeno, a pessoa poderá observar e estudar as evidentes diferenças de ação Mental entre os treinados e não treinados, bem como entender a ação daqueles que têm habilidades psíquicas de modo natural. Infelizmente a prática demonstra que nem todos, mesmo sob treinamento, se desenvolvem. Seguramente 10% se desenvolvem bem de início, dependendo da idade e do tipo sanguíneo que é portador.

            Algumas filosofias são acompanhadas de uma disciplina onde se observa uma sequência de práticas, mas na falta de um mestre prático e eficiente os afiliados ficam somente com a filosofia e a admiração dos resultados de experiências psíquicas feitas anteriormente por alguém habilidoso e as relatadas oralmente e ou impressas. Isto pode ser observado em algumas Ordens Iniciáticas.

            Também há o caso de que algum Sistema organizado tenha interesse em prolongar a tutela de seus adeptos e seguir o modelo de algumas ordens e religiões que sugerem uma contribuição mensal para sustento de sua posição, ou, “hierarquia”. O mesmo se observa em relação a alguns mestres que ensinam ao logo do tempo pequenas parcelas de informações e de exercícios com a mesma finalidade.

 UMA METODOLOGIA

            Muitos exercícios para desenvolvimento mental e psíquico podem ser organizados de modo a constituir uma metodologia. Uma metodologia constituída por exercícios práticos é confiável quando a prática decorrente da mesma mostra resultados eficazes e a teoria é baseada em hipóteses representadas por pensamentos lógicos, razoáveis e prováveis, relativos a efeitos objetivamente constatáveis.

            Muitas vezes os fenômenos que forem constatados de modo objetivo, poderão ser estudados e, cientificamente comprovados. Usando-se o método científico, observa-se um fenômeno, depois se tenta uma explicação para a causa ou causas.

            As explicações dadas à causa, ou, causas de um fenômeno, são formuladas com juízos denominados hipóteses. Baseados nas hipóteses tentam-se a repetição do fenômeno de modo controlado, usando-se a praticidade. A sequência de práticas que tenham sucesso, poderá então constituir uma metodologia de ação eficaz.

            Se o método aplicado, isto é, a sequência de práticas resultarem na repetição controlada do fenômeno estudado, as hipóteses são confirmadas como sendo verdadeiras para aquele fenômeno e então passam a constituir uma teoria. Procedendo desta maneira, adotamos a linha de pensamento científico, que é à base de toda informação e conhecimento razoável e provável existente na atualidade.

            Assim, a questão de se saber se alguém tem a possibilidade de desenvolver habilidades psíquicas, passa a ser apenas a disposição psicológica para aceitar a aplicação de uma metodologia que, proporcione abertura para as práticas e desenvolva as mesmas habilidades.

            Os resultados práticos fazem mudar nossas perspectivas anteriores, usadas para entendimento, compreensão e percepção e, mudam a conscientização. Se consequentemente mudam os padrões e valores teóricos que tenham sido assumidos anteriormente como verdades, no mínimo evoluímos em pensamento e, agora dispomos de alternativas para avaliar a razoabilidade. Certamente que os resultados da prática modificam as pressuposições que são tidas como teorias. Os resultados práticos mudam a realidade que foi tida anteriormente como verdade.

Temos a Metodologia. Porque não aceitar a experiência prática? Você é inteligente?
Porque não vem para contestar os seus próprios resultados?

Alberto Barbosa Pinto Dias, Atibaia, 27, agosto, 2010.

Bacharel, Licenciado, Especialista, USP, 1955.  diasmind@uol.com.br

Postado em : Folhas do Outono

Deixe sua mensagem

Seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *

*

.