02 – A Huna – Reflexões – A Possível Relação Entre a Huna e Jesus

02 – A Huna – Reflexões – A Possível Relação Entre a Huna e Jesus

A Possível Relação Entre a Huna e Jesus

          Os estudos do Gênesis Bíblico nos revelam que o homem teria sido criado a imagem e semelhança do Criador. Como o Criador, até aonde chega o entendimento do homem, é uma Consciência Superior apresentando três aspectos, uma trindade, o homem pode, como Consciência, apresentar três aspectos. Também pode supor como seria a Divindade a partir do conhecimento da sua própria estrutura psíquica.

          Os conhecimentos da Huna, segundo a tradição havaiana, indicam que a manifestação da divindade no homem se dá depois que a sua consciência evoluiu em seus três aspectos. A origem dos conhecimentos da Huna, supostamente estabelecidos há 13.000 anos p. p. na Polinésia, são anteriores aos registrados no Gênesis, mas coincidem no aspecto da “trindade”. Sendo assim, o aspecto mental a ser desenvolvido e depois o desenvolvimento do psiquismo, devidos aos três  possíveis aspectos da consciência, são possibilidades para todos e são afirmados na Huna e “confirmados” no Gênesis, que é 5.000 anos posterior à Huna.

          De acordo com a Huna, primeiro com a evolução do aspecto conhecido como Eu base, unihipili, ou, segundo a psicologia moderna, o subconsciente. Depois com a evolução do Eu médio, uhane, ou nível consciente, lógico, racional e analítico, para depois, finalmente, mobilizar o Eu superior, superconsciente, ou, aumakua, ou, o Espírito Paternal, ou ainda, “o Pai em mim”, é uma questão de rótulos diferentes para uma mesma essência.

          Os Polinésios passaram a se preocupar em desenvolver o Aspecto Superior da Consciência do homem, sem se preocupar com os aspectos da Consciência Superior de um Deus, pois tinham o bom senso de sabê-la incognoscível aos humanos. Assim, ao invés de fantasiar vontades, necessidades e qualidades à Divindade Superior, desenvolvendo uma “Teologia”, trataram de se preocupar em desenvolver sua própria Consciência até o limite em que pode ser alcançado.

          Estudando-se a evolução de uma criança normal, hoje, utilizando-nos dos conhecimentos científicos associados aos anteriores, observamos que a mesma, desde o nascimento até aos sete anos de idade, na média, é incapaz de análise crítica, apresentando um tipo de raciocínio dedutivo baseado nas informações que recebe. A criança apresenta-se com alto grau de sugestibilidade e aceita todas as informações como verdadeiras, armazenando-as no banco de memória da Zona Gnósica de cada um dos sentidos, sediadas em cada uma das diferentes Áreas cerebrais. Esse fato favorece que adultos implantem crenças bloqueadoras.

          Com esse comportamento, que pode ser considerado hipnótico segundo as publicações referentes à Medicina Moderna, as crianças aceitam as sugestões conhecidas como Crenças, sem discussões ou resistências psicológicas. A programação cerebral feita por treinamento e educação de conduta nessa faixa de idade, torna-se permanente e é conhecida como Caráter. O cérebro apresenta pulsações elétricas de baixa freqüência (0,5 até 7 Hertz), com baixa energia (de 10 à 50 microvolts) se está dormindo e alto potencial de energia (250 ou mais microvolts) se está alerta. Dizemos que a mente é reativa para gravação de informações e a inteligência é do tipo biológico com formação dos reflexos condicionados, além dos inatos.

          Segundo a Huna, a energia vital manifesta denomina-se Mana quando é de baixa voltagem e Mana-Mana quando em dobro. Quando a energia se manifesta em alta voltagem, toma o nome de Mana-Loa. Assim sendo podemos dizer que uma criança até os sete anos de idade manifesta naturalmente energia de alta voltagem, ou Mana-Loa (250 a 1.500 microvolts, ou, mais).

          A partir dos sete anos de idade, na média, percebe-se o início do desenvolvimento da capacidade de raciocínio do tipo humano na medida em que faz questionamentos. Há alterações fisiológicas no cérebro, as quais evidenciam a formação, ou, a ativação de novos circuitos neurológicos. Os sete, oito, nove anos de idade se caracterizam pelos “mas, por quê?”. A encefalografia registra pulsações elétricas com o dobro da freqüência quando elas estão em estado de alerta (14 Hertz), mas com metade do potencial elétrico (100 microvolts) do apresentado anteriormente, caracterizando o que a Huna menciona como Mana-Mana. A capacidade de registro de informações ainda é alta, associada à capacidade de conotação de idéias, ajudada pela imaginação, agora muito desenvolvida aos dez anos de idade.

          A percepção da variação do meio ambiente, pois sai de casa, vai à escola, ao club, à igreja, etc, leva a criança a desenvolver uma capacidade de adaptação aos diferentes meios, com mudanças de atitude e de comportamento.  Desenvolvem-se assim todos os reflexos condicionados que associados aos reflexos inatos criam as diferentes personalidades, ou, (persona=máscara) adequadas às circunstâncias. A “persona” bem como o caráter acompanha a pessoa como adulto. Se há variação de personalidade no adulto é porque os padrões já estão estabelecidos juntamente com as emoções, evoluídas principalmente a partir dos 4 até aos 7 anos de idade. Quando o adulto se emociona, se revela na “persona básica” e menos elaborada.

          Dos 13 aos 14 anos de idade há as novas alterações fisiológicas com maior produção dos hormônios que, caracterizam a puberdade com a evolução do físico para a maturidade. Enquanto que dos sete anos de idade aos quatorze anos, o jovem armazena informações e desenvolve o raciocínio dedutivo-indutivo, a partir dos quatorze desenvolve a racionalização e a capacidade de avaliar o que é provável, pouco provável, ou mesmo improvável, estabelecendo os padrões de bom senso ao completar os 21 anos de idade. Nem todos amadurecem esta última fase de análise crítica.

          Nesse estágio do desenvolvimento, conhecido como maturidade, observa-se que, no indivíduo normal pela média, estando lógico, racional e analítico e usando o bom senso, o eletroencefalógrafo registra pulsações elétricas com freqüência três vezes maior (21HERTZ) do que as registradas na primeira infância (7 Hertz) e curiosamente, um potencial elétrico de 50 microvolts, que é metade do apresentado na adolescência (100 microvolts). Para esse aspecto de desenvolvimento da Consciência a psicofilosofia dos havaianos denomina de Uhane, ou, Eu médio o qual faz a ligação com o Eu Base a cada introspecção.

          O Uhane, ou aspecto da consciência conhecido como consciente, por ser responsável pelas atitudes, decisões e ações conseqüentes, ele depende das informações do banco de memória, pontos de referência, ou, idéias, armazenadas no subconsciente, ou, Unihipili, para elaborar os pensamentos. Para tanto, o consciente deve se integrar com o subconsciente, ou seja, deve fazer introspecção. O enfoque mental introspectivo, que direciona a atenção para o banco de memória, pode ser superficial ou mais profundo e faz uma exclusão relativa dos enfoques conscientes que seriam direcionados para o ambiente (exterior consciente).

          A atenção continuada em um objeto que esteja no exterior consciente, ou, em um pensamento quando introspectivo exige um desgaste de energia vital. Quando a energia vital está com o nível baixo, não se consegue focalização do consciente (uhane) no subconsciente (unihipili) e este último começa a liberar informações sem controle, caracterizando a divagação, ou, em casos mais graves a alienação.

          Um subconsciente vazio de informações não ajuda o consciente, que é o encarregado de conotar idéias e elaborar pensamentos, a resolver problemas em diferentes situações. Um subconsciente, carregado de informações falsas, produz pensamentos falsos, algo parecido com os sofismas. As pessoas diferem no conteúdo informático e conseqüentemente no nível de consciência relativo às informações e suas consequências.

          Informar-se exige atenção e concentração nos enfoques voltados ao ambiente e é o que fazemos com nossos órgãos dos sentidos. Depois, exige concentração nos enfoques introspectivos quando recordamos as informações novas, ordenamos as idéias e os pensamentos, comparamos com as conclusões anteriores, analisamos e questionamos. Essa fase da introspecção é denominada meditação dinâmica. Repetir a introspecção para recordar os dados assimilados, denomina-se reflexão e esta reforça a gravação dos mesmos dados na memória e cria o estado de facilitação neurológica para recordação e desenvolvimento da imaginação criativa (sonhar acordado).

          A avaliação do Entendimento é necessária e é feita pela análise da lógica e da razoabilidade da informação, bem como da possibilidade de ser provável. Se há interesse no assunto o Estudo é caracterizado pela procura de mais informações relativas à informação recebida, acontecimento, ou, fato de observação. Novas informações são somadas às iniciais e há possibilidade de novas idéias surgirem como intuição heurística. Assim sendo todos nós passamos pela etapa de integração do consciente com o subconsciente (uhane com unihipili). A integração poderá ser de maior nível na medida em que há maior ou menor intensidade de ações de recepção-percepção de informações e de repetição dessas  informações de modo introspectivo, como também ação de levantamento de dados no banco de memória e associação desses dados em um mesmo tempo.

          Depois de entendido o assunto é preciso observar qual é que foi a perspectiva usada para assimilar as informações e direcionar a compreensão. Devemos ter a consciência de que dependendo da perspectiva usada, teremos um tipo de compreensão, que pode ser mudado quando se muda a perspectiva. A compreensão dá o rumo da percepção e a percepção influi no nível de conscientização.

          Mudando-se a perspectiva, mudamos a compreensão e conseqüentemente a percepção e o nível de conscientização. Se assim for, haverá uma expansão na tomada de consciência.

          Segundo a psicofilosofia Huna, cada qual pode se basear nas experiências pessoais que fornecem dados objetivos e subjetivos, desenvolvendo-se na medida  em que mudando as perspectivas, mudamos valores e padrões, evoluindo o Nível de Consciência. Podemos mudar as perspectivas sugeridas por terceiros,  mudando assim os  padrões e os valores sugeridos como uma Crença, para que  possamos obter um desenvolvimento psíquico que possa ir alem das barreiras psicológicas impostas pelas Crenças de terceiros.

          A experiência vem com a prática. A prática desenvolve habilidades psíquicas. As habilidades psíquicas podem ser desenvolvidas com ou sem espiritualidade.

 

          A espiritualidade depende de padrões éticos e morais aceitos como verdadeiros para um grupo psicosocial e psicoreligioso. Como em algumas crenças as habilidades psíquicas estão condicionadas aos valores éticos e morais considerados espirituais em uma cultura, onde as pessoas se acham cultas e boas e por essa razão se acham filhos do Deus Incognoscível e Insondável, as pessoas que tem habilidades psíquicas e estão fora desses padrões, são consideradas como tendo o poder por estarem “associados ao mal”. Curiosamente como o mal é considerado ausência de Deus, as pessoas que se acham de Deus, têm que admitir que o mal tenha poder. Com esse tipo de raciocínio tem que admitir que um dia Deus vá banir todo o mal que, inclusive as perturba, ao invés de admitir que o bem e o mal convivam com a consciência da própria pessoa e não tem nada a haver com a Consciência Superior, da qual não têm a mínima noção do que seja, mas insistem em dizer que a conhecem. No mínimo afirmam: “eu conheço Jesus e você conhece Jesus?”.

          Na cultura em que se desenvolveu o Sistema da Huna, o principal a ser observado para o desenvolvimento espiritual é “não ferir a nenhum ser vivo (sem ofensas, injurias ou prejuízos causados) e o amor compartilhado”. Dez mil anos depois, Jesus expressou a mesma ideia: “ama o próximo como a ti mesmo” e considera como sendo pecado as ofensas, as injúrias e os prejuízos causados a terceiros. Para ter esta atitude, independemos de ter religião.

          Quanto à expressão de Jesus: “ama a Deus sobre todas as coisas”, há a possibilidade de que Ele se referisse ao Eu Superior, ou, ao “Pai que em mim opera as obras”, uma vez que também afirmou que “o Reino dos Céus está dentro de vós”. A atitude de respeito ao Eu Superior, ao Pai, coincide com o ensinamento da Huna que, também independe de sectarismos.

          Quem fere ou ofende, devido à emoção envolvida e ao alto potencial de energia desenvolvido com a emoção, passa a ter uma memória de fatos negativos que serão indeléveis. Essas ações consideradas como pecados contra o próximo e mais suas memórias associadas a complexos de culpas, passam a constituir barreiras psicológicas que impedem o progresso da integração dos três Eus, ou, impedem que o Uhane (consciente) atinja a percepção da existência e a ação integrada com o Eu Superior, o Aumakua, ou, Superconsciente.

          No ensinamento da psicofilosofia da Huna devemos orar para obter resultados, mas a condição que deve anteceder a oração é colocar a “casa em ordem”, isto é, saber exatamente o que se quer e saber ver com clareza de enfoque, além de saber se perdoar e perdoar os demais. Jesus expressa essa condição quando afirma: “vivei em oração”, o que é uma condição de introspecção e “orai pelos vossos inimigos” que é uma condição de paz e harmonia interior.

          Obedecendo a essas condições, o Uhane, integrado com o Unihipili, ultrapassa as barreiras psicológicas e se integra com o Aumakua, ou, com “o Pai em mim que opera as obras”.

          Jesus garante a eficácia de sua instrução através das palavras do apóstolo João como se pode verificar no Evangelho de João, capítulo 14, versículo 12, onde lemos: “aquele que crê em mim (em minhas instruções), também fará as obras que eu faço e as fará maiores do que estas.”. Esta última afirmação indica que qualquer pessoa poderá alcançar o status de integração dos três Eus que Jesus alcançou, obtendo os resultados da Prece-Ação.

          Antes disso, nos versículos 8, 9, 10 e 11 indica a integração do Eu base, consciente, com o Eu Superior quando Filipe o questiona (8) dizendo: “Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta.”.

          Responde Jesus (9): “Estou ha tanto tempo convosco e não me tendes  conhecido Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai ; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai?”.

          (10) “Não crês tu que Eu estou no Pai, (O consciente integrado com o Eu Superior) e que o Pai está em mim? A palavra que eu vos digo não as diz de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim é quem faz as obras.”.

          (11) “Crede-me que estou no Pai e o Pai em mim; crede-me, ao menos, por causa das mesmas obras.” (curas, alterações no ambiente, etc). Seria dizer: “a eficácia é a medida da verdade”.

          Em seguida no verso (12) João deixa registrada a possibilidade de qualquer pessoa alcançar a integração dos três Eus, constatável pela verificação de resultados, obedecendo ao princípio da Huna de que “a eficácia é a medida da verdade”.

          Apenas por suposição, admitamos que Jesus cresceu, aprendeu alguma coisa no Egito e depois dos doze aos 30 anos tomou conhecimento da Huna e desenvolveu a integração dos três Eus nesses 18 anos de recolhimento. Pela eficácia do sistema se dispôs a libertar o seu povo das amarras dos sacerdotes, que pela sugestão de crenças, mantinha o povo amarrado e contribuinte do dízimo, ofertas e compra de animais para sacrifício, vendidos pelo Sinédrio, tidos por Jesus como inúteis. Dois mil anos depois de Jesus, estudando-se a Huna, podem perceber que o cristianismo de Paulo, ou melhor, a filosofia do cristianismo elaborada por Paulo, se baseou em suposições errôneas e precisa ser reformulada e curiosamente, com o mesmo tipo de resistências que os sacerdotes ofereceram a Jesus em sua reformulação do Judaísmo.

          Devemos levar em conta que Jesus de modo inteligente, tentava reformular o Judaísmo, introduzindo os princípios da Huna com cautela de linguagem, a fim de obter receptividade e não de entrar em choque com os conceitos arraigados. Jesus sabia, assim como é do conhecimento da Huna, da necessidade da mudança de padrões e de Valores.

   Talvez por essa razão procurasse pessoas simples e não os intelectuais da época,  cheios de vaidades, de soberba espiritual e ciosos de seus conhecimentos, decorados do Pentateuco e da Tora como verdades infalíveis.

          Os conhecimentos dos cristãos são baseados no Velho e no Novo Testamento, principalmente na Filosofia baseada no entendimento de Paulo, que não tendo sido discípulo direto se louvou na leitura dos Evangelhos e no seu entendimento como Doutor em Leis Romanas, somado ao cabedal de seus conhecimentos de Judeu, convertido às boas novas de Jesus.

          A conseqüência do enfoque de Paulo é que o entendimento dos cristãos, relativo ao aspecto Pai, não é como integrante da trindade de aspectos da consciência humana, mas toma o mesmo rumo dado pela perspectiva de Moisés, como sendo algo transcendente e inatingível: “Deus, sentado no seu trono de graças no alto dos céus, contempla a criação.” Como a mente humana é incapaz de conceber uma forma de consciência superior à sua, parte para a fantasia, ou, para figurações imaginárias, ou mesmo para as imagens de escultura já tidas como ineficazes e proibidas nos tempos de Moisés.

          Outra confusão dos cristãos tradicionais, oriundos da Igreja de Roma desde os idos de 256 d. C., e também dos oriundos da Reforma de Lutero, bem como os que se isolaram como grupo religioso a partir de Paulo, os Baptistas, é em relação ao conceito de Espírito Santo, o qual encerra uma profunda mudança de padrões e de valores, expresso por Jesus. Podemos verificar isso em João, 14: 16 – “Eu rogarei ao Pai e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre;” (17) “O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós.”.

          Aqui se percebe que Jesus ao sentir a presença do Pai em mim, obtido por Ele pela prática dos princípios da Huna, mantém uma ligação com a idéia do Pai como Entidade Universal, Onisciente e Onipresente, para poder transmitir a idéia ao discípulo, dentro dos padrões do entendimento geral anterior a respeito de Jeová.

          Na verdade dois “espíritos” norteiam o homem a cada instante: o Espírito da Verdade e o espírito da falsidade.  O Espírito da Verdade vem pela orientação do Eu Superior, do Pai em mim, da minha consciência mais profunda, da parte divina no homem. O espírito da mentira, da falsidade, vem do Eu base, do eu inferior, das emoções egoísticas como inveja, soberba espiritual, vaidade, desejos de posse material, do nosso lado animal, do “sepulcro caiado” que manifesta a ausência do Pai.

          Aquele que se integrou com o Eu Superior passa a ter uma visão clara dos limites do Ego e automaticamente usa o Bom Senso, característica de quem age bem, corretamente, de maneira equilibrada na maioria das vezes. Ninguém dos encarnados está livre de erros, mas o que manifesta esse “Espírito Santo”, sendo verdadeiro e integro pelo menos na maioria das ações, já está diferenciado. Na média, um erro e quatro acertos, em cinco tentativas, são toleráveis.

          Quando o espírito da verdade habita o consciente de alguém, ele ouve a voz da consciência, nem que seja apenas uma leve sensação de desconforto ao pretender tomar uma atitude ou uma ação que causa dúvida. Se agir de modo impulsivo e depois se arrepende da ação feita, ora ao Pai e volta a por a “Casa” em ordem (outro princípio da Huna). O Espírito da Verdade é uma expressão do respeito devido ao Pai em mim e de respeito ao meu semelhante. Respeito é bom e todos gostam, além de uma expressão de afeto mais evidente, constatável e mensurável do que uma simples declaração de amor ao próximo.

          Ao afirmar que: “Eu e o Pai estaremos convosco” é a própria expressão de que tudo está interligado.

          O desafio proposto pela Huna de que a Ignorância é a barreira inicial que impede o entendimento da necessidade da mudança de padrões e de valores, convida as pessoas a mudarem de perspectiva,ou, de enfoque, ou ainda de ponto de vista. O homem vive imaginando, sonhando, acordado e ou dormindo, e a verdade de cada um é aquilo que cada um consegue imaginar, daí a conclusão de que o que você pensa que é verdade é a verdade para você, ou, “o mundo é o que você pensa que é.” IKE = Iº princípio da Huna.

          Quando o homem tenta organizar os pensamentos, no nível de consciência em que se encontra, acaba organizando um Sistema, daí “todo sistema é arbitrário” e passível de mudanças. O Judaísmo é um Sistema Organizado e se baseia na ação de alguns profetas que através de centenas de anos demonstraram ter descoberto o caminho da integração dos três aspectos da consciência, com evidente atuação do Superconsciente, ou, Eu Superior. A partir de Moisés e de “suas Leis”, estabeleceu-se um “Sistema Organizado”, uma hierarquia e começaram a prevalecer os problemas da natureza humana básica.

          A nossa mudança de padrões e de valores depende de estarmos abertos às novas informações. Novas informações diminuem a ignorância que é o maior desafio nessa etapa do desenvolvimento da integração do Eu médio com o Eu básico. As novas informações devem ser avaliadas sob as diferentes perspectivas, pois cada perspectiva pode levar a uma diferente compreensão. Daí o Talento da Visão, saber ver claramente os diferentes graus de compreensão quando os pensamentos resultantes do entendimento são submetidos às diferentes perspectivas.

          A tomada de novas informações depende da Focalização e de estarmos Atentos, usando todos os sentidos para que elas acessem as áreas sensoriais de nosso cérebro: Táctil, Visual, Auditiva, Gustativa, Olfativa. A repetição das informações de modo introspectivo reforça a recepção e fixação dos estímulos. Facilita a decodificação, a percepção, o entendimento e reforça os sinais no banco de memória (unihipili), formando os cristais de proteína que encerram as informações na memória permanente. A introspecção com focalização mental dirigida de modo inteligente proporciona a ordenação dos pontos de referência, ou, das idéias e permite a elaboração dos novos pensamentos, bem como a associação destes com os referenciais anteriores. Jesus recomendava:- “De tudo examinai e retende o que é bom”, como um meio de se livrarem da Ignorância que é o maior desafio dessa etapa.

          2º – Kala – Não há limites para o deslocamento da consciência com possível focalização em qualquer parte do Universo. Tudo é possível, pois “na casa de meu Pai há muitas moradas”. Cada pessoa é uma morada e dispõe de um Aumakua, ou, Supraconsciente, ou, o Pai que em mim opera as obras, ou ainda uma porção da Consciência Divina evoluindo no psiquismo de cada um.

          A espuma quântica, ou, Mana, substância mobilizada pela consciência, ou Mana-Aka, pode se movimentar nos dois sentidos de cada direção. Por essa razão tudo está interligado e tudo é possível. “A separação física no plano material é uma ilusão útil”. O sentimento de amor na consciência estabelece uma freqüência vibratória que é criativa e construtiva, possibilitando equilíbrio pessoal e harmonização com o ambiente, utilizando as ligações energéticas com a eliminação de qualquer mal ou desordem. Assim tudo pode ser curado, ou, reorganizado.

          O que falta às pessoas? – O esclarecimento! A Verdade Objetiva das Ações Subjetivas e não suposições que levam à ineficiência.

          Qual a dificuldade em esclarecer as pessoas? – As Limitações estabelecidas pelas barreiras psicológicas, formadas pelas Crenças sugeridas pelos sistemas organizados que dependem das pessoas serem sujeitas e contribuintes.

          “Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará”. Jesus o Cristo (Cristos, do grego = o iluminado). Indica a necessidade de esclarecimento. Estava dizendo:- “Saia dessa situação, pois seus padrões e modelos são falsos”. “Mude o enfoque”.

          Como falar a verdade abertamente sem correr o risco de morrer na mão dos que se acham prejudicados com a queda de autoridade e ou da arrecadação de bens materiais? – Na época, nem Jesus se salvou do sofrimento na cruz, pagando pelo pecado do Mundo, que não entendeu o amor compartilhado, nem entendeu que todo poder vem de dentro (“meu reino não é deste mundo”) nem que a realidade de cada um é o sonho de cada um. Jesus deixou muito marcado seus pensamentos registrados nos Evangelhos, os quais coincidem com a mensagem da Huna, que posteriormente pode ser passada de modo equivocado até os dias de hoje.

          3° – Makia. – “A energia segue o fluxo do pensamento, ou, a energia flui para onde o pensamento vai”. Como a energia quântica tem duas mãos de direção em cada rumo, a concentração com atenção, pode estar voltada para perceber o que chega como informação via objetiva pelos órgãos dos sentidos, ou pela via sensorial subjetiva (vidência), como também pode estar concentrada em emitir informações (projeção sensorial efetiva). O que controla a direção do fluxo de energia é a intenção e a vontade, que juntamente com a inteligência, porção da consciência responsável pela decodificação e pela percepção do significado da informação, é qualidade da Consciência.

          Para que tudo funcione a gosto, as pessoas devem desenvolver a Focalização, ou seja, enfoque consciente resultante da atenção. Estar atento significa estar com todos os sentidos voltados para o objeto, ação ou fato acontecido. A atenção pode estar voltada para o meio ambiente e então o consciente está voltado para o exterior. A atenção pode estar voltada para o interior, introspectiva, e o consciente, o (uhane), trabalha no banco de dados do subconsciente (unihipili). Assim o trabalho subjetivo e o objetivo se fazem com um processo de exclusão relativa.

          A inteligência é enfocada com atenção no cérebro, através da Mente que, deve colocar os dados e as informações em ordem. Também podemos expressar que a Mente como instrumento da consciência inteligente faz enfoques no cérebro e ordena as idéias. Uma vez que as idéias estão ordenadas, podemos proceder a uma análise lógica e avaliar a razoabilidade das informações bem como separa o que é provável  do que seja pouco provável e mesmo improvável.

          Esse tipo de atividade caracteriza o amadurecimento intelectual e é o único mecanismo que pode livrar o indivíduo, como consciência individual, do maior desafio do desenvolvimento intelectual que é a Confusão.

 

          4º – Manawa – “A hora de poder é agora.” É aproveitar o momento presente, aqui e agora para agir. É estar presente para poder agir e aproveitar os resultados de uma experiência. Como tudo é relativo, qualquer pessoa inteligente pode mudar os valores e os padrões estabelecidos como normas, princípios, dogmas e ou fundamentos, quando perceber que são cerceadores da sua liberdade de pensamento. (“conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará”). Daí o maior Talento a ser cultivado é a Flexibilidade.

          O defeito psicológico da Procrastinação é o empecilho que muitos tem  como atraso de vida. A maior parte das dúvidas em relação a agir, desaparece quando lembramos que “Tudo é Relativo”, inclusive as Leis estabelecidas para garantir o Estado de Direito. Já vimos e ainda veremos, todos os dias, como o rigor das leis e dos julgamentos é relativo ao status social – financeiro dos infratores. (“aquele que menos tem até o que tem lhe será tirado”. Profetizou J.C.). Até este ponto Buda pregou e ensinou.

          5º – Aloha – “Amar é compartilhar com” (Huna). “Ama o próximo como a ti mesmo”, “divide tudo o que tens e segue-me”. (Jesus). “O amor aumenta quando o julgamento diminui”, (Huna). “Não julgueis para que não sejais julgados”, (Jesus). “Tudo está vivo atento e ou reativo”, (Huna). “Usar o poder do amor que faz a ligação entre todos os seres vivos”, (Huna).

          Jesus ensinou e esclareceu até este nível a todos, mas os passos além foram possivelmente explicados em reservado aos discípulos que, apresentaram habilidades psíquicas. A cor verde representa a energia vibratória que emana do sentimento de amor e resulta em curas instantâneas (pequena magia).

          6° – Mana – “Todo poder vem de dentro” (Huna). “Pai nosso que estais nos céus, santificado seja o vosso nome, seja feita a vossa vontade, assim na terra como é nos céus”. (Jesus). Considerando que Jesus instruiu: “ora, não direis vos que o reino dos céus está aqui, ou, ali, porque o reino dos céus está dentro de vos”, concluímos que Jesus estava dizendo de outra maneira que “todo poder vem de dentro de vós”.

          “Para que o poder se manifeste deve haver permissão” (Huna). “A tua fé te salvou, a tua fé te curou”, Jesus se expressava assim para dizer: “você acreditou em mim e permitiu que eu te ajudasse”. Ele não disse: venha cá que vou te curar.

          A fé é o moto da atitude de permitir uma ação, ou, de agir quando não há dúvida. Portanto o maior obstáculo a ser vencido é a Dúvida que resulta do Medo, fator de stress e de impossibilidade de acesso do uhane no unihipili, ou, acesso do consciente no subconsciente, para as mudanças de valores e de padrões de comportamento. A dúvida também pode vir da desconfiança que é uma das mascaras do medo.

          A cor azul representa a energia do psiquismo que resulta em pensamentos (azul índigo) e em comunicação falada ou por gestos (azul celeste).

          7º – Pono – “A eficácia é a medida da verdade”, (Huna).

          Jesus: “Crede-me, que eu (uhane) estou no Pai (aumakua) em mim; crede-me, ao menos, por causa das mesmas obras.” Em seguida no versículo 12 ele declara que qualquer pessoa pode fazer as obras que ele faz desde que siga suas instruções.

          A flexibilidade é o dom de ser eficaz sem se prender a regras e modos de fazer que possam funcionar para uns e não para outros. Se alguém descobriu um modo de fazer e dispõe de uma “ferramenta psíquica” eficiente, que a use sempre, sem se importar com aqueles que como os eunucos, sempre sabem como a coisa é feita, sempre sabem hipóteses e filosofias, mas não conseguem fazer.

          Segundo a Huna, o mestre é um tecelão de sonhos com resultados eficientes no plano material, qualidade essa a se buscada pela prática dos princípios. É aquele que sabe orar para colocar a casa em ordem antes de fazer a prece-ação. É aquele que se perdoa e sabe perdoar para obter a paz profunda, que permite obter resultados favoráveis durante a introspecção.

          Segundo Jesus: “Vivei em oração”. “orai por vossos inimigos” e seja eficiente porque o Pai em você opera as obras. Amem! A cor violeta representa a energia vibratória superior que agindo na matéria mediante a ação do psiquismo corrige os problemas e livra das doenças. Alberto Barbosa Pinto Dias, Especialista, USP – 1.955.

Veja também – Caminhos da Psicologia – 1

Postado em : Huna - Reflexões

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