A Fisiologia das Emoções e o Stress

A Fisiologia das Emoções e o Stress

A Fisiologia das Emoções e o Stress

Nosso cérebro, como parte do encéfalo, evoluiu aumentando em tamanho e número de neurônios em relação ao dos animais e ao homem primitivo. Nosso encéfalo conservou uma porção neural que nos animais primitivos é relativamente mais desenvolvida, como podemos observar nos répteis. Essa porção é responsável pelas reações básicas de sobrevivência, como a busca do alimento, o ataque, a fuga e o instinto básico de reprodução. Essa estrutura primitiva é denominada Sistema Límbico.

 

O Sistema Límbico age através do Sistema Nervoso Autônomo, pelas inervações do S.N. Ortossimpático e do S.N. Parassimpático, bem como através dos núcleos do Thálamo. Essas inervações atuam sobre as glândulas através de pulsos eletroquímicos, fazendo com que produzam os hormônios em maior, ou, menor quantidade.

 

As inervações do Sistema Nervoso Ortossimpático atuam sobre as glândulas de origem nervosa como a porção medular das glândulas Suprarrenais, produzindo a adrenalina ou epinefrina. Este hormônio causa vaso constrição periférica e vaso dilatação na musculatura. Atua sobre o fígado e sobre a musculatura no sentido de que o glicogênio armazenado se converta em glicose, proporcionando mais combustível para a ação. Aumenta os movimentos respiratórios para uma evidente oxigenação e apronta o organismo para agir, em luta ou em fuga.

 

O S.N. Parassimpático produz, através de suas inervações, a acetilcolina que, dependendo da concentração, diminui ou anula os efeitos da adrenalina. O efeito da acetilcolina é de descontração, relaxamento muscular.

 

Um sensor neurológico no Bulbo controla o equilíbrio hormonal, o qual mantém normal o tônus da musculatura esquelética, isto é, seu estado de prontidão. Tendo um bom relaxamento com uma introspecção tranqüila e a acetilcolina poderá predominar. A acetilcolina é o hormônio natural da descontração e facilita um descanso reparador.

 

O corpo reage de acordo com os comandos de nosso cérebro e o cérebro é como uma máquina eletrônica. Como um computador, o cérebro é estúpido sem a ação da inteligência que o dirige. Como a inteligência é atributo da consciência e a ação desta é conhecida como Espírito em ação, tudo o que o cérebro registra e toda ação que dele emana, é conhecido como vida psíquica.

 

O cérebro vivo é uma máquina ligada na energia vital do corpo físico, mas as ações internas e externas se fazem pelo psiquismo atuante. O modo como as glândulas produzem os hormônios acompanha as emoções e estas são devidas às variações de energia modulada pelo psiquismo.

 

Não são os hormônios que fazem o indivíduo agressivo, com raiva, com medo ou com ciúmes, mas sim a intenção do psiquismo e atitude que a revela. O tipo de pensamento atuando sobre certas áreas do encéfalo, estimula as glândulas, que por sua vez evidenciam o estado da consciência pelas reações orgânicas correspondentes.

 

Se de um lado, o cérebro é uma máquina estúpida sem a inteligência que o dirige, de outro lado é uma máquina incrivelmente perfeita que comanda automaticamente todas a nossa atividades, evidentemente funcionando em perfeita sintonia com a “vida” psíquica, ou anímica.

 

O cérebro, comandado pela Mente que é um instrumento da inteligência, não distingue um fato real de um imaginário, reagindo a este último como se fosse um fato atual. Assim sendo, se uma pessoa cultiva rancor e imagina situações desagradáveis, faz com que nervos e glândulas produzam hormônios que preparam o organismo para a luta. Essa preparação psíquica sem a efetiva utilização dos recursos circulantes, leva à doenças específicas do stress, tais como hipertensão, glaucoma e diabetes de fundo emocional.

  

Também temos que considerar que há duas situações que são realidade predominante em nosso psiquismo: A Verdade e a Mentira, a realidade e a fantasia. A consciência do Homem mais o fruto do conhecimento do bem e do mal podem distinguir a diferença que há entre a atualidade e a realidade quando fantasia. Geralmente a realidade interior quando verdade é objetiva, criativa e construtiva, e assim é a imaginação criadora.

 

A fantasia é somente subjetiva, uma “realidade” interior, pessoal, não constrói nada, apenas mantem as conveniências do seu autor no momento. A realidade, como verdade interior, exige entendimentos que sejam lógicos, razoáveis, prováveis e compreensíveis. Muitas vezes exige que se perceba que a mudança de perspectiva faça a diferença.

 

A fantasia exige crença. A verdade é evidente, a fantasia é enganosa. No entanto se uma fantasia for repetida muitas vezes e muitas vezes verbalizada, cria-se um “programa” no banco de memória, que converte a mentira ou a fantasia em realidade como verdade só para a pessoa que se submete. O comportamento passa a ser função dessas “realidades”, e temos um convicto, ou, um fanático de qualquer ordem.

 

É como em um processo de auto-hipnose, em que o sujeito está consciente de início, mas depois é tomado pelo tipo de programa cerebral que atingiu e marcou o subconsciente em “lavagem cerebral”. A pessoa passa a ter um enfoque mental predominante à medida que perde a capacidade de livre associação de idéias. Predomina o raciocínio dedutivo a partir das premissas tomadas como verdadeiras, como nas crianças. Perde progressivamente a capacidade de raciocínio indutivo para determinados assuntos programados, perdendo a capacidade de análise crítica.

 

A capacidade de análise crítica admite a possibilidade de outras perspectivas, mas quando sob a sugestão hipnótica, são recusadas por bloqueio psicológico. O processo é curioso de se observar e não faltam ocasiões. Se alguém aceita ouvir uma série de conferências a respeito de qualquer assunto, de início está alerta e tem condições de questionar, mas depois da terceira ou quarta palestra, pelo cansaço e pela repetição baixa a guarda e passivamente assimila a nova ordem sugerida. Alguns cochilam durante a palestra e o caminho está aberto para as sugestões na lavagem cerebral.

 

Os técnicos em domínio de massa usam figuras de retórica que estimulam a imaginação e desencadeiam emoções. As emoções favorecem a liberação de hormônios, condicionam o cérebro a uma baixa pulsação com elevação da energia potencial que permitem a fixação de novas idéias e pensamentos no banco de memória sem análise prévia.

       

A presença de Jesus no planeta terra foi real. Os ensinamentos de Jesus transmitidos nos evangelhos foram realidades para Jesus, procedentes de um código mais antigo, e passado aos discípulos criaram novas realidades, mas nem todas as realidades foram passadas nas escrituras.

 

Na atualidade, os pensamentos de Jesus assimilados por qualquer pessoa, tornam-se uma realidade individual. Viver os pensamentos de Jesus significa vida e saúde. “Ama a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo” é a regra áurea do equilíbrio pessoal, verificável no Código da Huna, da tradição oral dos polinésios e havaianos, o qual data de mais do que 11.000 anos.

 

Quem ama não ofende, não injuria, não prejudica. A tradução correta poderia ser: “Respeite a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”. Esta afirmação é mais efetiva por ser objetiva e verificável a todo instante. Ler os evangelhos e “orar em secreto ao Pai” é a chave de segurança, sugerida por Jesus ao computador cérebro de quem tenha religiosidade.

 

Os hormônios são produzidos em áreas específicas do nosso cérebro de acordo com nossos sentimentos e emoções. Quando aceitamos que o sentimento genuíno de nossa consciência é o afeto, todo nosso corpo funciona em harmonia, o sangue flui nas artérias e veias, o coração bate tranqüilo, os demais órgãos funcionam bem e nem percebemos onde estão os pulmões, o estômago, o fígado e os intestinos.

   

Todos nós tendemos à construir uma realidade pessoal diante dos fatos. Se essa realidade construída anteriormente não condiz com a percepção de uma atualidade e nós insistimos e ainda que só no plano mental vamos contra a verdade, criamos uma desarmonia interior que resulta em tensões no nível da consciência. Essas tensões resultam em doenças psíquicas ou físicas com a somatização de processos que resultam em hipertensão, isquemia, entupimento de vasos, enfarte do miocárdio, derrame, etc.

 

Muitas vezes a pessoa não mente intencionalmente, mas ela mesma tem dúvidas a respeito daquilo que transmite como verdade por obrigação funcional. Com essa atitude cria um estado de tensão na consciência com desequilíbrio energético e a cobrança aparece mais tarde com os sintomas, as doenças e as enfermidades.

 

O hábito de mentir, mesmo sofrendo tensões na consciência por conhecer a verdade, somando-se a insistência na mentira, com “cara de pau” como mecanismo de defesa, caracteriza o comportamento histérico de alguns homens públicos.

 

“Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará…”. Vos libertará no mínimo das doenças, e isto significa vida plena com saúde física e mental. Conhecer implica em reconhecer. Conhecer, mas não admitir, fazendo prevalecer a fantasia e tentando mascarar a verdade, é uma luta interna e inglória. Quanto mais a pessoa nega a verdade mais cedo adoece.

O desequilíbrio da histeria poderá resultar na paranóia e finalmente na esquizofrenia.

 

As áreas encefálicas relacionadas com o comportamento e com as emoções, atuantes no sistema nervoso autônomo, são ricas em substâncias químicas produzidas pelas células do S.N. Central. Essas substâncias são denominadas Monoaminas, tais como a Serotonina, precursora da Acetilcolina, e a dopamina, a noradrenalina, a endorfina. Os neurohormônios são mediadores químicos e determinam sensações e ações.

 

As abordagens médicas somatopsíquicas com a aplicação de medicamentos que interferem nos sintomas, não resolvem os problemas de ordem psicossomática em sua origem. As drogas utilizadas em psiquiatria são eficientes diante de um surto de desequilíbrio mental, pois agem modificando o teor das monoaminas encefálicas atenuando os sintomas.

 

O ódio, o medo, a inveja, a agressividade e suas ações conseqüentes, sob efeito de medicamentos, ficam em potencial no subconsciente, atuando durante o sono e desencadeando pesadelos.

 

A insônia causada pelo stress psicológico pode ser combatida com drogas que deprimem a atividade do S.N. Central, mas impedem o indivíduo de sonhar, desenvolvendo neuroses. Ao que tudo indica, os sonhos são válvula de escape para as frustrações e as tensões na consciência, entre outros tipos de choques psicológicos. Aprenda a recordar de seus sonhos, escreva-os, analise-os com introspeção e livre-se de tensões. Proceda a recordação dos sonhos como terapia.

 

Qualquer tipo de substância ou droga, que for ingerida, aspirada, injetada, ou absorvida pela pele, e que age modificando a química cerebral produz efeitos colaterais; são contrachoques que alteram o equilíbrio químico do cérebro com reflexos em todo organismo.

 

Resumindo, se o stress de qualquer origem é prolongado, enquanto na fase de resistência, a Hipófise libera o ACTH, que é um hormônio que age sobre as suprarrenais estimulando a produção de cortisona, hormônio este que aumenta a capacidade de resistir à dor e ao cansaço. Se a tensão é muita e continuada, o excesso de cortisona produz aumento de destruição de proteínas dos tecidos, convertendo-as em glicose, o que resulta em envelhecimento precoce.

 

Alguns bons indícios desses descaminhos causados pelo stress são as alergias, os resfriados e as gripes constantes, que indicam modificações no sangue com queda de resistência.

 

Tanto a raiva contida, como os medos, desencadeia automaticamente uma reação hormonal, na maioria das vezes fora da percepção da pessoa. Aqueles que estão sempre com medo ou raiva, ou inveja, usando a imaginação nesses processos, produzem descargas hormonais constantes e sem que percebam, diminuem a energia interior e caminham para o esgotamento e para a depressão.

 

Evite viver, ou, trabalhar em ambiente onde predomina o medo, a hipocrisia, o ódio, a inveja, a incerteza e a desconfiança, pois esta é a medida mais saudável. “Esquecer” o desagradável do passado, virar a página e evitar emoções inúteis; perdoar, mas lembrar do suficiente, para evitar que se repitam situações análogas, é uma ótima terapia e perfeita profilaxia.

 

Inversamente, uma atitude de respeito fraterno, com avaliação dos relacionamentos com enfoques mentais agradáveis, ou neutros, resulta em paz interior. Lembrar paisagens e situações felizes ocupar-se como orações, cânticos com significado amável bem como outros enfoques emocionalmente neutros é um bom meio para chegar à Paz Profunda.

 

A introspecção com estes enfoques, ou mesmo isenta de qualquer tipo de pensamentos, como na meditação, leva o cérebro a funcionar em equilíbrio e as pulsações eletroquímicas são acompanhadas de concentrações normais de neurohormônios.

Alberto Dias. Atibaia, 25/09/05.             

Alberto Barbosa Pinto Dias, Bacharel em História Natural (todas as Disciplinas Biológicas e Geológicas), Licenciado, Especialista. USP, 1955.

Postado em : Fisiologia

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