24º – Apenas quero entender Jesus – Da Influência de Paulo no Cristianismo

24º – Apenas quero entender Jesus – Da Influência de Paulo no Cristianismo

Da Influência de Paulo no Cristianismo

O apóstolo Paulo, contemporâneo dos filósofos gregos, Doutor da Lei Romana, estruturou e pregou a Filosofia do Cristianismo segundo a sua própria ótica. Ontem e hoje ela foi tomada como modelo para as pregações baseadas nas Cartas e Epístolas.

O Imperador Constantino instituiu juntamente com seus prelados um Cristianismo Teológico, um Sistema estruturado nas Epístolas de Paulo e nos Evangelhos escolhidos como Canônicos (mais convenientes). Assim, Constantino acatou a Religião Cristã com sede em Roma (Édito de Milão em 313 d. C.) para unir os seus exércitos, que procedentes de várias regiões, estavam mentalmente divididos, pois, cultuavam diferentes deuses. Foram todos convertidos em Católicos Apostólicos Romanos na base da autoridade (História Universal).

Hoje a Filosofia Cristã, segundo a perspectiva de Paulo, é o alicerce para a maioria dos sermões ouvidos também nas Igrejas posteriores à Reforma, sejam tradicionais ou renovadas. As “conversões” na Europa sob o domínio da Igreja de Roma e posteriormente nas Santas Cruzadas foram similares às “conversões” ao Islã sob a influência de Maomé, à espada, ferro e fogo.

As Distorções – Depois da fundação e consolidação da Igreja em Roma por volta do ano 300 d. C., acompanhando a “evolução do espírito” da espécie humana no Ocidente, vieram à evidência das incoerências entre o que deveria ser o cristianismo e as atitudes de monges, cruzados e templários nas “santas cruzadas” (1.000 d. C.), com os massacres e pilhagens, contra árabes e judeus, com usufruto das riquezas e das mulheres oriundas das mesmas pilhagens.

Roma foi fortalecida como sede religiosa quando, uma família de mercadores e também usurários, os Médici, conseguiram eleger um Papa. Um Médici, como o Papa Leão X, tinha um estilo de vida que enfraqueceu o poder financeiro da Santa Sé. Ele sanou as finanças da Igreja mais tarde com as vendas das Indulgências, documentos que “salvavam” as almas de todo tipo de corrupto, do príncipe devasso e impiedoso, ao ladrão de galinhas, mediante pagamento diferenciado.

Ainda hoje há na Catedral de Granada, Espanha, um cofre em uma das capelas com dizeres junto a um cofre destinado a ofertas: “quem colaborar com a caixa de ofertas desta Capela, terá anos de indulgência relativos ao purgatório”. (Observado em agosto de 1986, durante nossa viagem à região, o que espantou meu pai que me acompanhava).

A situação de hipocrisia religiosa dos políticos dominantes na época, como em todas as demais épocas, era tal, que inspirou Nicolo Machiavel a escrever o livro “O Príncipe”. Este senhor, Machiavel, frequentador da corte do Papa Leão X, por alguma opinião em condição infeliz, foi afastado. Estando em isolamento em uma propriedade no campo, teve condições de refletir sobre a vida na corte papal em Roma, resultando o seu livro.

Depois de viver em vários ambientes agitados, ao se retirar com tempo para refletir, todos nós procuramos equacionar alguma coisa como verdade dentro da nossa realidade, tendo-se sempre a consciência de que aquilo que se pensa ser a verdade é a verdade para quem pensa que seja, e percebe o que perceba.

Como a percepção não é a mesma para todos, é impossível que a verdade nesses níveis seja percebida da mesma maneira por todos. Assim, aquilo que você pensa que é a verdade, é a verdade para você. O mesmo se passa conosco. O que é histórico como fato, é histórico. As razões verdadeiras para os fatos, as apresentadas pelo nível de percepção dos implicados, e as que forem presumidas posteriormente é que diferem.

Os Médici se sustentaram no Poder nomeando os parentes mais chegados e confiáveis para os cargos que cercavam o papado (Nepotismo antigo, mas atual). Com a força moral enfraquecida, nessa mesma dinastia seguiu como Papa Clemente VII, que observou a necessidade de ter um exército que garantisse a sua segurança. Surgiu o primeiro Corpo de Guardas da Santa Sé.

A Renascença, dos valores artísticos e científicos na Europa, que, diga-se de passagem, devemos à família Médici, protetores de Michelangelo, Vasani, e Galileu Galilei, perdeu seu brilho diante das incoerências dos frades, irmãos e compadres da Santa Madre Igreja, que com a “santa inquisição”, condimentada pelo Temperamento Espanhol, matou e confiscou propriedades, joias e dinheiro de judeus, ciganos e outros falsamente denunciados na Europa. Era o latrocínio oficializado em nome de Deus.

A “santa inquisição” substituiu a venda das indulgências como fonte arrecadadora de recursos para a Santa Sé. Assim, muitos foram tidos como bruxos e a esse pretexto o fim era o mesmo: morte e confisco de bens. Nem o sábio Galileu Galilei escapou da morte, apesar de protegido do Duque de Florença, um dos Médici, e o pretexto para sua execução foi o de que ele negou a tese da Igreja, segundo a qual, o Sol girava ao redor da Terra. Galileu substituiu-a pela sua concepção heliocêntrica, de que a Terra gira ao redor do Sol. Mesmo em se retratando, foi morto em nome da “infalibilidade” da Santa Sé, que como se sabe é falível.

A soberba espiritual naquela época venceu as Verdades Científicas. Hoje em dia alguns ramos religiosos e místicos derivados da reforma, “se isolam” das verdades científicas, mas como já não têm como eliminar legalmente a existência dos cientistas, como já o foi no passado, sobrou o isolamento que querem impor em nome da salvaguarda das crenças tradicionais, e o que sobra do Imaginário.

Como separar a Santa Madre Igreja e as outras de após reforma, bem como seus dignitários, de suas ações históricas, políticas e antiéticas em todas as épocas? A venda das Indulgências foi uma apelação, e a Santa Inquisição foi uma aberração.  O mesmo se diz da caça às bruxas de Salem proporcionada pelos evangélicos “protestantes” nos EEUU.

Todas essas ações são próprias de homens naturais e carnais travestidos de espirituais. É possível que a Inquisição, como instituição cristã, tenha derramado mais sangue do que o paganismo, pois repetiu as matanças que os cristãos proporcionaram nas cruzadas, quando então diziam estar em busca do Santo Graal.

Alberto Barbosa Pinto Dias, Bacharel em História Natural (Todas as Disciplinas Biológicas e as Geológicas), Licenciado, Especialista, USP – 1955.

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