22º – Apenas quero entender Jesus – A Psicoreligiosidade

22º – Apenas quero entender Jesus – A Psicoreligiosidade

 A Psicoreligiosidade

A religiosidade, como resultado do desenvolvimento do psiquismo em cada um, depende do tipo de cultura da região geográfica onde o indivíduo se desenvolveu. As verdades relativas, resultantes dos processos psíquicos, podem ser expressas de modo intelectual por qualquer ser humano dotado de entendimento, coerência, linguagem adequada e são fruto da influência de três impulsores subjetivos básicos, considerando-se:-

1-    A Intuição como um processo de percepção e de entendimento global que independe de raciocínio e é próprio desde a primeira infância, quando predomina o instinto.

 2- A Força dos Sentimentos e Emoções, que se instalam a partir dos quatro anos de idade e interferem nos processos de racionalização. Havendo sentimentos e emoções, a sugestibilidade é exacerbada e esses fenômenos são próprios da segunda infância e adolescência, além da intuição que nem sempre permanece.

3- O Nível de Desenvolvimento da Razão Humana, que normalmente tem início partindo dos sete anos de idade, mas que pode atingir o desenvolvimento pleno aos 21 anos. Pode ser mais tarde para algumas pessoas, talvez 28 anos quando acontece. Quando não acontece temos um indivíduo com 40 anos, e ainda mentalmente adolescente.

Esses níveis devem se superpor e, às vezes, acontece a superposição com integração e desenvolvimento da capacidade de abstração. A característica principal da pessoa madura e equilibrada é ser lógico, racional, analítico e com Bom Senso, atendo-se ao que é razoável e provável, alem de ser responsável no que diz e em suas ações.

Pode haver a predominância de um dos impulsores, como também pode haver a total ausência da razoabilidade em determinadas pessoas que não completaram o amadurecimento por deficiência neurológica, ou, falta de desenvolvimento educacional, ou ainda a falta de informações atualizadas.

Estamos todos em evolução mental a cada dia e, às vezes, a cada momento. É interessante observar que a maioria dos adultos se esforça por voltar para uma fase intuitiva através da introspecção, muitas vezes depois do exercício da razão plena. É como se depois de desenvolvida a razão, houvesse uma busca da pureza de percepções da idade infantil; uma volta do enfoque da razão às origens divinais do “sopro da vida”.

É algo relativo à:- “é preciso ser como as crianças para entrar no reino dos céus”.

Adultos normais e maduros apresentam os três aspectos da Consciência em equilíbrio e sabem conviver com as incertezas; não necessitam de quem lhes faça afirmações lógicas, até razoáveis, mas pouco prováveis para que se sintam seguros.

Pessoas imaturas não sabem conviver com incertezas e têm necessidade dessas afirmações, que aparentemente dão segurança temporária, abrindo campo para ação e permanência de especialistas em mística e ou mistificações.

Não podemos crer cegamente em tudo o que nós imaginamos. Menos ainda acreditar, sem um bom arrazoado, que Deus nos inspirou em toda nossa imaginação nestes arrazoados. Muito menos ainda pensar que Deus sempre tenha inspirado a todos os terceiros que queiram impor seus arrazoados como inspirados e iluminados, ou ainda, ditando normas em nome de Deus.

Isso pode explicar porque em um mesmo grupo, ao receber certo nível de informação, consciente ou inconscientemente, as pessoas reagem mostrando diferentes níveis de entendimento e aceitação. Explicam também as mudanças de postura em relação aos “sonhos básicos” de cada um, mudanças essas que ocorrem com o passar do tempo, com a idade, com a instrução recebida e que tenha sido assimilada, e ainda com o amadurecimento intelectual.

Uma pessoa menos culta, ou, de menor nível de entendimento, arraigada em crenças, agarra-se em figurações de fundo emocional e rejeita temporariamente a razão das coisas objetivas. Alega que “é uma questão de fé”, mesmo sem saber distinguir a Fé, que é fruto da Intuição e elaboração endógena, do que seja Crença, como fruto da Emoção somada à Sugestão que parte de terceiros. Como 70% das pessoas têm dificuldade de pensamento analítico, geralmente formam-se “rebanhos emocionais”.

Note-se que há pessoas menos cultas, mas com maior nível de entendimento, paciência e compreensão do que muitos, que são cultos. São os sábios pela natureza que, têm os dons pela graça do Espírito Santo, pelo Bom Senso que têm. Outros são instruídos, mas como indivíduo, mostra falta de bom senso e de equilíbrio emocional e mental nas ações, o que é próprio do psicologicamente primário ativo, que quer dominar os demais.

Assim, algumas pessoas, depois de uma vida de devoção, vivendo um tipo de sonho religioso hipnótico, até-auto hipnótico, ao ter a oportunidade de visitar o Santo Sepulcro, podem sofrer um impacto emocional, e apresentar algum tipo de “surto” psicótico conhecido como “Síndrome de Jerusalém”.

O grau, duração e consequências da Síndrome de Jerusalém, dependem do grau da cultura e da estrutura psicológica do indivíduo. Geralmente a pessoa acredita que ganhou galardão com o evento, e no mínimo torna-se loquaz, assume a postura de um novo profeta, pois quer fazer valer suas ideias e seus interesses perante os demais até que perceba que não convenceu a todos, podendo com isso sofrer depressão.

Há aqueles que, convencendo os outros, ou não, permanecem alienados, vivendo sua própria nova realidade no palco da vida.

Segundo um psiquiatra de Jerusalém, os menos susceptíveis são os de crença católica e os mais susceptíveis são os adeptos de seitas evangélicas, oriundas da reforma, principalmente as renovadas, ou, avivadas e carismáticas, que desenvolvem transes hipnóticos nos participantes, e que facilitam as arrecadações financeiras vultosas.

Alberto Barbosa Pinto Dias, Bacharel, Licenciado e Especialista em História Natural (Todas as disciplinas Biológicas e Geológicas), USP, 1955.

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