12º – Apenas quero entender Jesus – Jesus e os Evangelhos

12º – Apenas quero entender Jesus – Jesus e os Evangelhos

Jesus e os Evangelhos

Pensando em reformulação verificamos através dos evangelhos, que Jesus, o Homem histórico, fisicamente existiu. Pela leitura dos Evangelhos o Jesus histórico era e sempre foi Judeu. Como Judeu historicamente sempre seguiu o Judaísmo e quando necessário, politicamente, confirmou as crenças a Lei e os Profetas.

Jesus como Judeu reinterpretou o judaísmo, desejando promover mudanças no Sistema, ou, reformular o mesmo. Ele o estudou, pois O chamavam de Rabi e também ensinava no Templo. Jesus não foi contra os Fariseus, pois seguia os seus preceitos e atividades, mas tentou corrigi-los em alguns aspectos da atitude e da conduta, pois a Seu ver, eram más atitudes e os seus costumes e hábitos deveriam ser repensados.

Jesus apresentou idéias de renovação de pontos de vista e de reinterpretação do Velho Testamento. Segundo os Evangelhos, a Visão de Jesus, a respeito da religiosidade e da religião, colocou o Mestre contra as outras tendências conservadoras vigentes na época. Pregava um “judaísmo renovado”, ou seja, um “Judaísmo Messiânico”.

Jesus tinha o Talento da Visão e com isso a capacidade de mostrar o lado objetivo bem como o lado subjetivo da Religiosidade em novos ângulos. Tentou mudar os sonhos e as realidades pessoais dos indivíduos, e também livrar muitos indivíduos de seus pesadelos, dando esperanças com suas Boas Novas. Tentou modificar as pressuposições básicas dos sacerdotes locais. No final das contas, a realidade interna, ou seja, a maneira como sonhamos acordados, de modo lógico e razoável é que determina as atitudes e as ações diuturnas em rumo a um futuro, mesmo que o futuro sempre seja uma suposição.

Nos Evangelhos, encontramos que Jesus propôs as “Boas Novas”, mas suas reformulações não atingiam diretamente as Leis e as Escrituras Antigas, evitando assim ser agredido já de início. Como era habito no Oriente, não disse todas as suas verdades diretamente, pois, talvez, poderiam chocar; também não seriam entendidas e não seriam aceitas.

Conferimos isso em João 13, versículos 10 e 11: “Eu vos falo por parábolas porque a vós outros (os discípulos), vos são dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas a eles não lhes é concedido”. Também em Mateus 16, versículos 10 e 11: “Por que lhes fala em parábolas?” Ele respondendo disse-lhes: “Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas a eles não lhes é dado”. Lembrem-se:- “os mistérios do reino dos céus estão dentro de vocês!”.

Cabe fazer um parêntesis e lembrar de que esse conceito de reino dos céus dentro de nós, também faz parte da milenar tradição dos africanos de língua Yorubá, onde “Orum Mila” significa o reino dos céus, como um lugar dentro da cabeça, onde vivem os mortos, os mitos, as fadas e os duendes, ou seja, o centro da Memória Visual, onde processamos as lembranças, e usamos para a Imaginação Criativa, bem como para as fantasias.

Curiosamente o mesmo conceito de o reino dos céus é encontrado na milenar Tradição Oral dos Polinésios e Havaianos, onde o reino dos céus é denominado Milú, e tem o mesmo sentido do encontrado entre os africanos. No entanto entre os havaianos que apresentam habilidades psíquicas, eles constroem no reino dos céus um jardim imaginário, o Jardim de Tiki, que serve de suporte psicológico para suas ações psíquicas.

Seria como o Mestre Jesus dizer:- Não adianta procurar o “reino dos céus” fora de você. Ou você o encontra em introspecção, ou não o encontra. “Vivei em oração” dá o caminho da Introspecção.

Afora isso deu aos discípulos informações reservadas, outra doutrina. Fica bem claro e indiscutível que havia pelo menos duas doutrinas nos ensinamentos de Jesus. Uma destinada às pessoas comuns e a outra, oculta, reservada aos discípulos, que eram os “iniciados” da época e deixando a mensagem aos outros possíveis iniciados de qualquer época.

Essa diferença de entendimento e de interpretação permanece e é evidente em todos os púlpitos de todas as Igrejas de todas as seitas e suas variáveis, pois geralmente dirigentes e dirigidos evidenciam sua posição na primeira fase, a de quem “toma o leite, e dá o leite”, interpretando parábolas, e doutrinando, desejando garantir sua autoridade com dogmas e com fundamentos, elaborados pelo entendimento dos mesmos dirigentes. Hebreus, Capítulo 5, principalmente os versos de 12, a 14. Leiam todo Capítulo 5. Depois, Hebreus, Capítulo 6, versos de 1 até 4. Meditem com reflexão.

A autoridade dos dirigentes atuais se prende a palavras e ao discurso, não em ações psíquicas, como era as que resultaram das habilidades psíquicas do Senhor Jesus. Confiram as condições propostas pelo Apostolo Paulo em Iª Epístola aos Corintios, capitulo dois, versículos de 1 a 16, principalmente no verso 4.  O trabalho de cobranças de hábitos e de atitudes recomendáveis, em detalhes, ficou por conta de Paulo o Apóstolo com suas Epístolas, onde praticamente elabora outro Sistema Filosófico de acordo com suas percepções.

Pessoalmente, Jesus não apontou todas as misérias humanas, pois, ninguém gosta de ver e enxergar as mesmas, mas, contou estórias e fábulas como fazem os Sufis, gerando novos sonhos, e não necessariamente os mesmos sonhos nas diferentes pessoas, inclusive nos discípulos, que diferem em 60% em seus escritos.

Seus pronunciamentos reforçaram, coincidentemente (?), as recomendações de Buda (VI a. C.) quanto a renunciar propriedades, prazeres e poderes, para que pudessem segui-lo e alcançar a Paz, mas indo além de Buda introduz o aspecto do amor incondicional ao próximo. De outro lado, as declarações do Mestre Jesus servem de base para os pronunciamentos de Maomé (VI d. C.).

Temos aí mais ou menos 1.200 anos de tentativas de melhoramento com adaptações do pensamento humano em três Sistemas que permanecem: o Budista, o Cristão e o Maometano, mas deste último, a interpretação atual nos mostra um incrível crescimento de radicalizações e violências no grupo Chiita. O Amor ao próximo foi para o espaço com o “Estado Islâmico de Consciência”.

Entendo que a tradução correta para o amor ao próximo sugerido por Jesus seria respeito incondicional ao próximo, pois, amor é subjetivo e, o respeito é objetivo e evidente, além de ser uma das manifestações do amor à forma (físico) e ao conteúdo (mental). Respeito ao físico e ao mental é bom e todos gostam. O maior desrespeito à inteligência do semelhante é a soberba “espiritual”, seguida pela soberba cultural, geralmente usada como suporte psicológico por aqueles que querem se prevalecer como autoridade, com abuso de “autoridade religiosa” e do poder temporal associado a ela.

Alberto Barbosa Pinto Dias, Bacharel, Licenciado e Especialista em História Natural (Todas as disciplinas Biológicas e Geológicas), USP, 1955.

 

Postado em : Apenas quero entender Jesus

Deixe sua mensagem

Seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *

*

.