05º – Pensando na Vida

05º – Pensando na Vida

 Pensando na Vida – 5

No primeiro ano primário a professora era dona Ludmila, sempre um pouco triste e já cansada. Faziam a alegria a presença da Sarita Alves Leite e a Alice, pois sentávamos em carteira dupla. No segundo ano a professora era dona Guilhermina Medeiros, firme, mas delicada, atenta a tudo, sempre esforçada. Minha colega de banco era a Ilse, um doce de criatura. No terceiro ano me puseram na primeira fila em carteira simples. A professora era Linda Zacharias, grande robusta, sempre zangada, e principalmente comigo que nessa época não parava quieto (hiperativo). Certamente tinha déficit de atenção e rejeição pela professora que tomou meu apontador de lápis luxuoso que meu pai me dera de presente. Nas férias eu fui com meu pai buscar na casa dela. No quarto ano eu adorava a professora Olga Penco, calma, tranquila, metódica, um doce no trato com os pequenos. Como ela morava na Pompéia, na Tavares Bastos, volta e meia eu estava na casa dela, onde o marido me recebia bem e me mantinha atento em seus afazeres consertando rádios. Eles não tinham filhos e eu adorava atenção que recebia deles.

A Educação Inventou um quinto ano, do qual não guardo muitas lembranças a não ser de Vilma Bechara. Por alguma razão eu era muito desatento e minha mãe ficava cansada em me tomar a lição, e eu sempre deitado, rolando no chão, e colocando as pernas para cima. Uma loucura! Acredito que as sucessivas mudanças de residência, meu pai com convulsões à noite e que desconheciam a origem, a doença da vovó com câncer que obrigou morarmos em sua casa para que a mamãe ajudasse, contribuiu para isso. Era muita mudança e eu não tinha o meu cantinho.

Vovó Emilia Kvintiz (?) faleceu quando eu tinha 9 para 10 anos. Lembro-me de que todos foram dormir, pois estavam muito cansados do trabalho que ela deu em casa nos seus últimos dias de vida, e eu fiquei acordado velando o corpo junto aos tios Walter, Pitz e Guilherme. Eles comiam cebola crua com sal e bebiam cachaça pelo defunto.

Depois disso um enfermeiro da Associação Beneficente dos Empregados do Comércio, descobriu que meu pai tinha a vesícula inflamada e fez uma intubação na própria enfermaria, fazendo verter a bile com o pus. Meu pai ficou completamente curado! Bendito enfermeiro.

Passei nos testes e entrei para o primeiro do ginásio, onde o destaque foi o prof. Paternostro, que como estudante de Sociologia e Política, dava aulas de geometria, sendo que depois passou a ser Psicólogo. Madame Marie Muzzanger usava o livro de Louise Jaquier pour le français.  “Vive l´eau, Vive l´eau, qui nous lave y nous rend prope!” Cantávamos animados. Não recordo dos outros colegas. No segundo ano o destaque foi a presença do pastor Rubens Lopes que dava aulas de Português, que parava na porta com olhar fulminante e não entrava sem que todos estivesse no lugar e de pé. Quem demorasse ia para fora com zero! Daí o maior respeito (medo). A professora de artes e desenho era Maria Alice Lamas, um doce de criatura.

Há um lapso de memória e passo a lembrar da quarta série Ginasial, com Olavo, João, Bertolazzo que era uma peste, Alex, Marcelo, Silas Botelho, Victor Giraud. As meninas ficavam em outra classe, Cecília Gama, Heloide Archero, Dolly Youssef, Maria Aguiar, Helena Hauwad etc. O destaque foi o esforço feito por Miss Backer para ensinar inglês mesmo fora de hora, nunca vi uma missionária tão esforçada. O professor Araújo, de Geografia, e o ancião Silva, que dava Latim e Ciências. A professora de desenho, Maria Alice Lamas que nos acompanhou até a quarta série Ginasial junto com todos os demais, foi um destaque de simpatia e competência, e até consegui fazer muitos desenhos de fisionomia a mão livre.

Havia outros colegas, dos quais me lembro da imagem, mas esqueço-me do nome. Salvatore Tasca foi importante. Ele era mais idoso e estava no terceiro Colegial quando eu estava no primeiro. Muito responsável dava aulas de Matemática para os mais atrasados e por essa razão tinha a benção da Drª Rosa Feldmann, professora de matemática e física.

Salvatore me inspirou, pois eu não era bom em matemática como o Silas Botelho e o Alex Thyele, mas havia muitos em pior situação. Ocasionalmente a Peguy (linda!) precisava de ajuda e eu me esforcei para explicar. Daí por diante, passei a estudar mais e melhor para explicar para a Peguy e para mais alguns outros. Certo dia o pai da Peguy veio me convidar para dar aulas particulares em sua casa e me ofereceu 25 cruzeiros por aula. Logo uma vizinha da Peguy, mas de outro Colégio solicitou aulas. Descobri que quando eu sabia a matéria, era um bom explicador.

Quando eu estava no segundo colegial dava aulas em minha casa para quatro meninas do Externato de Freiras da Pompéia, revendo e reforçando matemática e ciências físicas e naturais. Logo a Cecília minha prima dava aulas de Inglês e minha irmã de português.

Terminado o terceiro Colegial eu ganhei uma Lousa do Cursinho Brigadeiro e então na nossa sala de jantar era só pó de giz, com sucessivas aulas à tarde. Somava-se a essa atividade o cultivo de orquídeas e eu e Paulo Katchboriam chegamos a ter pelo menos 2.800 plantas entre Catléias, Lélias e Dendróbios… Como eu não saía do Orquidário, minha mãe “doou” todas as orquídeas para nosso amigo João Rocha, fotógrafo profissional. Sobraram uma Catleia e um Dendróbio nobile que sobrevivem em Atibaia. Assim passei a frequentar o Cursinho Brigadeiro, e a estudar mais o violino de um autor italiano, Ludovicus Ricozelli. A. Dias (segue).

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