04º – Pensando na Vida

04º – Pensando na Vida

 Pensando na Vida 4

Depois do falecimento do José e o bla, bla, bla, de mais um anjo no céu, foi a vez da Ignezinha cair de cama. Ela deveria estar com dois anos, mas a desidratação foi muito forte e ela estava mal, completamente largada. Foi quando o tio avô Arthur Thyele que estudava Teosofia e Rosa-cruz, ficou de mãos dadas com a Ig, segurando em seus pulsos, e concentrado, passava energia. Respirava fundo e exalava lentamente. A partir daí a Ignezinha sarou. Todos ficaram proibidos de entrar, mas eu entrei quietinho, e fiquei observando o que ele fazia com os seus olhos fechados, e depois saí de mansinho. Entendi o que se passou ao estudar as monografias da Ordem Rosacruz aos 14 anos, e posteriormente a Teosofia aos 42 anos.

 Havia carnaval na Avenida São João, muitos carros de capota abaixada, muitas pessoas em um carro, lança perfume, e eu na calçada com a roupinha de “mariner” feita pela tia Lilia.

Tio Arthur foi estudar piano na Alemanha. Voltando eu e meu pai fomos esperá-lo na Estação da Luz.

Minha mãe era muito impressionada com a morte do José e a quase perda da Ignezinha, e então saímos do casarão para morar com o Vô Antônio e a Vó Xaxa (Emília). Foi quando minha mãe me levou ao Grupo Escolar da Rua Jaguaribe. O diretor era posudo e carrancudo. Eu berrei, fiz um escândalo e voltamos para casa.

Em seguida me levou para um jardim da infância particular bem perto de casa. Eu gostei dos agrados da diretora e dos agrados da menina loirinha, a Enide, colega de classe, que morava por perto na Aureliano Coutinho em um casarão. Nessa época o Zepelim sobrevoou SP e passou sobre nossa rua. O povão saiu para a rua, e a Martim Francisco ficou cheia, e havia comentários no empório do Sr. Mário, “o português”, na esquina com a Canuto do Val.

Acho que éramos ciganos, pois logo fomos morar em uma pensão na Rua Duque de Caxias, cuja dona era a senhora Maria Tereza, presbiteriana e muito exigente.  O marido tinha uma fábrica de colchões no Largo do Arouche (Guglielmetti). Logo eu dominava todos os cantos do Largo do Arouche e cercanias como a Praça da República que na época era limpa e bem frequentada. Os pontos principais eram:- o Nosso Pão, seus pães, doces e latinhas minúsculas de Leite Condensado Nestlé na base de 500 reis, e uma padaria na esquina da Ipiranga com Barão de Itapetininga, que assava pernil e servia-o com molho no pão a 2.000,00 réis.

Ganhei uma bicicleta Terraplane e aí o hiperativo psicoativo e dispersivo não parava mais. Alugava a bicicleta para os meninos andarem somente na Praça do Arouche a 500 réis três voltas. Depois ia comer, ou, no Nosso Pão ou na Mercearia da Rua Barão com Ipiranga. Um dia sugeri para um dos donos servir o pão com o molho a 500 réis aos que não queriam o pernil. O molho de tomates com cebolas era mais gostoso que o pernil, e amaciava o pão. Ele topou e dois dias depois anunciavam em um cartaz: Pão com Molho de tomate e cebola, 500 réis. Um sucesso para todos!

Minha mãe me colocou no primário do Colégio Batista Brasileiro e eu ia e voltava sozinho de bonde para a pensão. Em 1938 meu pai construiu na Rua Barão de Bananal 635 e mudamos para lá onde completei 10 anos em 1939. Lembro-me de quando Mister Porter (diretor) lamentou-se em assembléia com os alunos, pois ia deixar a diretoria por conta de decreto do governo. Assumiu a direção o Dr. Silas, que pouco estava presente, e a direção do Colégio ficou nas mãos da Secretária dona Fanny Freitas.

Ocorria a segunda guerra mundial, e escassearam os ônibus. Vinham lotados e não paravam mais nos pontos. Eu os pegava andando enquanto desciam a Avenida Pompéia com a marcha reduzida engatada e bem devagar. Minha irmã sobrava e então papai alugou a casa nova e novamente mudamos para a Rua Itapicurú 722, um sobradinho minúsculo, mas próximo do colégio que estava a duas quadras. Aí permanecemos até 1948 quando voltamos para a casa grande da Pompéia.

Foi um tempo de grandes atividades dos 12 aos 18 anos, frequentando as aulas de ginástica e de natação no Estádio Municipal do Pacaembu três vezes por semana, e o pátio do Colégio, sempre aberto aos alunos.

Muitos colegas mais adiantados e da nossa classe marcaram época, os irmãos Plínio e Rui Gandra (delegado), Breno e Togor Tessitore (coronel do Exército), Alberto Sciuffi (engenheiro, mas dedicado a saxofone e blues), Paulo Katchboriam que lidava com selos do correio, José Roisemblit, Alex (diretor no Itaú), Marcelinho (médico), Roberto (faleceu cedo com diabete), Gelmo (advogado) e João Santos, Walter Campos (advogado), Walter Sprogis, Silas Fº. Engenheiro, Olavo como Pastor em Santos, e o João (?) eu o vi de cabelos brancos em uma foto tirada quando a polícia federal flagrou uma mala de dinheiro, dito da Igreja Universal, em um aeroporto (deve estar bem como um dos braços do Bispo Macedo). As meninas, ah! As meninas ficam para o nº5.  A. Dias.

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