A evolução do Psiquismo – 04 –  A Evolução do Pensamento Místico

A evolução do Psiquismo – 04 – A Evolução do Pensamento Místico

A Evolução do Psiquismo

 A Evolução do Pensamento Místico

 

O Senhor Jesus, por exemplo, tentou reformular a decodificação do Sistema de Organização do Judaísmo, fazendo-o evoluir sob outra perspectiva e se deu mal com a liderança religiosa dominante na época. O mesmo ocorre hoje em dia com quem queira mudar uma perspectiva, que sustente uma organização qualquer já estabelecida de modo arbitrário, e ameace os interesses dos envolvidos com o estado de poder mental sobre um grupo de pessoas e das finanças resultantes disso.

O Senhor Jesus mostrava habilidades psíquicas que impressionavam as pessoas que o cercavam e então doutrinava com uma filosofia de vida. Honestamente dizia: “Estas coisas eu faço para que creiais em mim”, conforme está registrado nos Evangelhos, mas para os cristãos eram milagres.

A Filosofia do Mestre Jesus gerou as bases de Sistemas Filosóficos atualmente denominados como sendo de Filosofia Cristã. Muitos desses Sistemas, como organização, impõem normas, princípios, dogmas e ou fundamentos gerados pelas lideranças humanas, mas sugeridos como sendo de inspiração divina. Observe-se que, algumas delas, contrariando a recomendação de Jesus, impedem a liberdade de busca fora dos seus próprios fundamentos estabelecidos, os quais correspondem ao alcance mental da liderança, ou seja, da sua própria interpretação do que seria a doutrina do Mestre Jesus.

Essa variação de entendimentos de uma Filosofia de Base se observa em todos os outros Sistemas Filosóficos, ou, linhas de pensamento convertidos em religião como no Budismo, por exemplo, pois hoje já há mais do que uma figuração de Buda e mais do que um tipo de Sistema Organizado como Budista.

Também observamos a mesma diversificação de doutrina entre os Islamitas com no mínimo a divisão entre Sunitas e Xiitas, e suas seitas variantes.

Em qualquer Sistema Político Organizado, do tipo social-partidário, místico ou não, observamos doutrinas, normas, princípios, dogmas e ou fundamentos que caracterizam uma organização de homens para conduzir homens sujeitos como adeptos.

Portanto Místico é todo indivíduo que estaciona o processo mental no nível em que aceita tudo o que seja lógico e razoável, desconsiderando o que seja ou não provável.

Estudando-se os Evangelhos, percebemos que Jesus doutrinou em dois diferentes níveis. Um nível apresentado em parábolas e recomendações ao vulgo, passíveis de especulações de ordem intelectual. Outro nível de doutrina mais prática dado diretamente aos discípulos tendo este permanecido parcialmente em reservado. Podemos acompanhar no relato dos Evangelhos, que a partir de um dado momento, alguns dos discípulos doutrinados e possivelmente instruídos e treinados em reservado, também passaram a apresentar habilidades psíquicas para resolver problemas de ordem física e mental da natureza humana. Os discípulos não relatam nos Evangelhos Canônicos as técnicas aprendidas do Senhor Jesus. Teriam sido excluídas durante a montagem feitas nos tempos do Imperador Constantino?

Apenas para conotação, igualmente os kahunas havaianos primitivos não revelavam o como e o porquê de suas habilidades psíquicas, a não ser para um filho ou filha escolhida. Em havaiano, Ka = o dono; Huna = o segredo.

Assim, atualmente, todas as hipóteses que tentam explicar os fatos de qualquer natureza e suportam as teorias desenvolvidas em função das mesmas hipóteses, fazem parte de uma Filosofia desenvolvida pelas lideranças intelectuais onde a maioria não tem as práticas das habilidades psíquicas.

Desenvolvendo-se uma prática onde os resultados são eficientes, a eficácia torna-se a medida da verdade e o aspecto místico passa a ter um valor relativo. Talvez por essa razão os que detêm o conhecimento de como fazer a prática são perseguidos em todos os tempos. Perdido o temor ao mistério, secam as fontes de poder e de rendimento provenientes dos que forem dominados por sugestões que levam ao medo e isto não é conveniente aos que tiram benefício desse aspecto psicológico.

Por incrível que pareça esse esclarecimento não é aceito por quem se acostumou com a fantasia, ou, que não tenha desenvolvimento intelectual para perceber a diferença que há entre simples hipóteses e os resultados práticos.

Os fatos conhecidos como milagres, recebem explicações em hipóteses baseadas na doutrina voltada ao povo comum, ou, ainda em escritos segundo o entendimento dos discípulos Evangelistas e do Apóstolo Paulo que não foi discípulo. Não há nos Evangelhos indicações de como desenvolver as práticas das habilidades psíquicas ensinadas por Jesus em reservado a seus discípulos, exceção das informações vislumbradas nos escritos do Apóstolo João como já foi citado.

Com as diferenças de entendimento e percepção entre os discípulos, os Evangelhos considerados canônicos coincidem em apenas em 40%. Alem disso é usual, na atualidade, a pregação de sugestões baseadas nas Cartas de Paulo, que como filósofo e intelectual, ele não foi discípulo do Mestre Jesus. Seus escritos e suas cartas às Igrejas, suas coincidências e desencontros, dependeram de sua própria perspectiva e compreensão dos Evangelhos interpretados por ele. Daí para diante a partir de diferentes traduções e interpretações, em quantas mãos e perspectivas foram apresentadas em diferentes púlpitos nestes dois mil anos?

Uma Filosofia pode conter ou não afirmações de conteúdo ético e de conteúdo moral. Se uma determinada Filosofia traz em seu conteúdo afirmações de como se pode viver bem consigo mesmo e com os demais e recomendações de fundo ético e moral que, levam as pessoas a evitar atritos, confrontos e tensões na consciência, a filosofia pode ser aproveitada como fundamento místico, ou, religioso de um Sistema Organizado.

Um mesmo fundamento filosófico pode receber um novo Rótulo quando associado à outra maneira de doutrinar, com normas e princípios diferentes, desenvolvidos como sendo outro Sistema Organizado por outras lideranças. Isso pode levar aos atritos entre os diferentes Sistemas devidos aos interesses de cada organização, apesar de serem ensinados os mesmos conceitos de ética e moral.

Uma filosofia pode ser base para uma crença, mas quando a filosofia também está associada às ideias que digam respeito à existência de uma ou mais divindades, completa o quadro para que se desenvolva uma Grande Religião como Organização, em função da religiosidade como um sentimento natural no homem.

Assim temos O Judaísmo como resultado de uma filosofia ancestral, obedecendo as Leis de Moises expressas depois de sua estada e educação no Egito.

O Hinduísmo a partir dos Vedas (1200 AC). A filosofia de Buda: Budismo (600 AC).

A filosofia de Jesus:- O Cristianismo, como uma nova perspectiva do Judaísmo (As Boas Novas), hoje com 1.800 variantes nas diferentes seitas.

A filosofia de Maomé:- Islamismo… (600 DC), como uma nova perspectiva dos evangelhos.

Depois de um milênio e meio surgiu a filosofia de Kardec que a partir de 1856, evoluiu como O Espiritismo e que, envolvem de modo místico adeptos de várias origens religiosas, tendo por base fenômenos de ordem psíquica.

Ultimamente contamos com a filosofia de Massaharu Taniguchi que, fez uma composição harmônica de todas as Filosofias anteriores e resultou na Sei-Cho-No-Ie, Sistema Organizado como mais uma religião.

Portanto, uma religião é o resultado da Organização de um Sistema de Crenças derivadas de alguma Filosofia. Uma religião se caracteriza por suas normas, princípios, dogmas e ou fundamentos, e rituais. Todas cobram pedágio como dízimos e ofertas alçadas.

A Igreja que congrega pessoas relativas a uma religião, é uma Organização e funciona a base de Estatutos com Registro Civil. Algumas são como uma empresa de médio à grande porte, livres de impostos e arrecadação financeira baseada em confiança. Crescem em número de unidades e em quantidade de adeptos. Esse último fato se observa na atualidade, e a maneira como essas organizações estão evoluindo estuda-se na História Universal.

Outro fato é o de que cada Religião como Organização, tem um conteúdo filosoficamente válido, mas os homens se confrontam em nome do Sistema Organizado, ou, mais ainda em nome dos interesses da Organização a que pertence. Portanto, os problemas humanos relativos às crenças se manifestam em função das Organizações Religiosas e de seus interesses.

Outro é o problema de se organizar diferentes conteúdos tidos como espirituais em normas, princípios e rituais em nome do desenvolvimento de uma pretendida espiritualidade. Organizações sugerem hierarquias, comandos, poder, arrecadação e despesas, todos justificados como condições necessárias do plano material, mas que podem impedir ou atrasar o desenvolvimento espiritual pela exaltação dos Egos e desencadeando os evidentes problemas materiais da natureza humana, sempre movida pelos interesses e pela vaidade.

A Imaginação e a Criatividade não são aceitas em uma organização quando ameaça mudar o “status quo” de qualquer um dos tipos das hierarquias dominantes. São desse modo que se iniciam as dissidências e os conflitos que dão continuidade ao processo de estruturar novas organizações.

Como o verdadeiro poder está nas habilidades psíquicas (Iº aos Corintios, Capítulo 2, versículos de 1 a 4), se alguém como filósofo pretende passar uma verdade da sua realidade prática, colocando em código o conteúdo filosófico de um texto, como em parábolas, por exemplo, a variedade de entendimentos ocorridos posteriormente no nível intelectual, justifica a variedade de crenças e das seitas decorrentes de uma mesma filosofia. No entanto não vemos habilidades que demonstrem que O Poder vem de dentro. Vemos e ouvimos discursos.

Alberto Barbosa Pinto Dias, Bacharel em História Natural (todas as Disciplinas Biológicas e Geológicas), Licenciado, Especialista. USP, 1955.

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