03º – Pensando na Vida

03º – Pensando na Vida

Pensando na Vida -  3

João 14:15  ”Se me amais, guardai os meus mandamentos.”

Com quatro para cinco anos mudamos para a Rua Pinto Gonçalves nas Perdizes para que eu pudesse frequentar o Jardim da Infância do Colégio Batista Brasileiro, distante uns três quarteirões. A cidade de São Paulo era tranquila e com quatro anos aprendi a ir e voltar sozinho, e quando chovia a diversão era vir com os pés na enxurrada. Gostava muito da professora dona Lourdes, que me pegava no colo e me dava beijinhos. Lembro-me de colegas como Samuel e Geraldo de Oliveira Lima. Nessa casa, minha mãe todas as noites me deitava na cama, lia um trecho da Bíblia, e eu fazia um pai nosso de cor para ganhar um cálice de suco de uva.  Mal sabia eu que ela me fazia a cerimônia da Santa Ceia, todas as noites. Hoje se tomo suco de uva lembro-me de minha mãe e do Pai Nosso e vice versa. Pavlov explica.

No primeiro Ano Novo, na Rua Pinto Gonçalves, tio Arthur veio buscar de carro o pai e a mãe para irem à igreja e eu fiquei sozinho em casa com uma empregada e a Ignezinha que tinha um ano de idade. Detestei a igreja que não sabia bem o que era, mas me deixava sem os pais.

Aos cinco anos de idade mudamos para a Rua Martim Francisco, em um casarão enorme de algum milionário que havia se mudado para a Av. Paulista ou arredores. Meu pai fez um consórcio de família e lá se alojaram os Dias, os Thyele, o tio Oswaldo e, a tia de meu pai Lília Quinte, que se casou com o Gustavo Krause. O casamento foi no casarão e ainda lembro-me do sabor da gelatina de mocotó feita em casa, com cravo e canela, bem como das ameixas pretas recheadas com gema de ovos e açúcar.

O bonde circular Higienópolis passava em frente. Vi quando uma senhora, gorda, vestida de preto, desceu do bonde com dificuldade, devagar, o bonde andou e a senhora rolou na rua até encostar-se ao meio fio. O chapéu e a bolsa voaram para longe. Pessoas saíram das casas para acudir, pois eram raros os caminhantes.

Era março de 1934 e lembro-me de meu aniversário quando completei cinco anos, Ganhei um cofrinho de madeira, em forma de taça que se encheu de moedas de 2.000 reis de prata. Lembro-me que depois disso, se meu tio Osvaldo precisasse de dinheiro, ele, com o consentimento de minha mãe, tiravam uma moeda do cofre, com o auxilio de uma faca, enfiada na fenda.

Diziam que eu era um espoleta, terrível, que não parava quieto. Por falar em espoleta, achei uma cápsula de bala de fuzil que sobrou da revolução de 1932, coloquei dentro da espingarda que atirava rolhas e apertei o gatilho. A espoleta explode um resto de pólvora que havia. Era domingo, casa cheia, os gritos e a correria foi geral.

Engoli uma bola de aço e o divertimento foi esperar a saída no dia seguinte. Pilim! Foi o som no pinico. Minha irmã Ignez e eu pegamos sarampo e nós dois esperávamos sarar em um quarto escuro, porque diziam que a luz faria o sarampo complicar. Minha mãe esperava o terceiro, o José, que faleceu logo depois do parto. A tristeza em casa foi geral, mas eu não entendia o que se passava. A. Dias (segue).

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Postado em : Pensando na Vida

1 Comentário


    • Eliane de Mendonça Vieira
    • outubro 3, 2015
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    Meu avô também começou um livro assim...tava ficando lindo, a vida dele foi incrível!

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