01 – A Huna – Reflexões

01 – A Huna – Reflexões

A Huna – Reflexões

Mudando Perspectivas

          A Huna apresenta-se como uma Filosofia cujos conceitos estão associados às atividades psíquicas evidentes pelos seus resultados. Portanto a Huna apresenta-se como uma Psicofilosofia eficiente, mais para produzir resultados do que produzir crenças.

Uma das afirmações da psicofilosofia da Huna é taxativa:- “A eficácia é a medida da verdade”. Isto de saída permite pensar que, segundo a Huna, se os adeptos de uma Crença Qualquer não funcionam na prática, mostrando resultados objetivos da “ação espiritual”, as hipóteses de sustentação podem ser descartadas.

          Sob este ponto de vista, encontramos nos evangelhos, segundo o Apóstolo João, uma afirmação atribuída ao Mestre Jesus que, confirma a Huna. Em João 14, verso 12, Jesus deixa claro que, todas as crenças baseadas em cristianismo, ou não, que não levem seus adeptos a realizar habilidades psíquicas podem ser descartadas. No trecho citado podemos ler:- “Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço e, as fará maiores do que estas porque eu vou ao Pai”.

Jesus mostrava habilidades psíquicas para sustentar sua filosofia de vida e, podemos entender que, segundo Jesus, quem não mostrar espírito e poder, fazendo ao menos um pouco do que ele fazia, está com uma crença e uma atitude errada em relação à Filosofia exposta por ele. No mínimo não crê como deveria, e no que deveria crer.

          Com certeza o filósofo e apóstolo Paulo de Tarso conhecia esse posicionamento de Jesus e o reforça na Iª Epístola aos Corintios, cap. 2, verso 4, “a minha palavra e a minha pregação não consistiu em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder”. Esta afirmação de Paulo dá os parâmetros do que seria o cristianismo relativo aos pensamentos de Jesus, e no que coincide com o posicionamento da Huna. Também coincide com a Huna Hebreus 6 : versos 1,2,3,4.

A Huna, psicofilosofia desenvolvida pelos polinésios, de início era ação, era o “verbo”, palavra que indica ação e da qual se esperam resultados; depois veio o desenvolvimento de uma Filosofia. Esta existe há mais do que 13.000 anos, segundo a tradição Polinésia, e contem conceitos de ética e de moral. Certamente a psicofilosofia da Huna e seus princípios xamanistas pretendiam e pretendem regulamentar a atitude e o comportamento dos indivíduos de sua época, relativos às práticas de ações psíquicas, dentro dos limites desses preceitos de moral e de ética.

A Huna sugere que os princípios xamanistas devam ser observados pelos praticantes de habilidades psíquicas e também por seus adeptos, que ainda não têm as habilidades, mas que desejam obter essa faculdade com os resultados práticos.

Jesus no início de sua pregação era ação, mostrando habilidades psíquicas que certamente emocionaram na época e ainda emocionam nos dias de hoje com a simples leitura dos relatos de seus grandes feitos. Honestamente afirmava:- “estas coisas eu faço para que creiam em mim”, e então pregava as Boas Novas, as novas ideias dentro do ambiente Judeu, os novos padrões de vivência, com mudanças de valores e de padrões de atitudes pessoais e com os quais pretendia reformular o Judaísmo.

É aparente que pretendia libertar o povo Judeu, psicologicamente submetido a uma religião sem os resultados práticos que Ele, Jesus, demonstrava serem possíveis a uma boa amostra da população. Ainda por cima o Judaísmo onerava os adeptos com dízimos, ofertas e sacrifícios, sendo estes frutos de sugestões por parte de uma liderança religiosa que esperava e propalava que todos os problemas pudessem ser resolvidos por um Deus, do qual eles, sacerdotes, eram os intermediários e naturalmente únicos representantes.

O Judaísmo é um modelo de sistema organizado que pode ser imitado sob o aspecto da arrecadação financeira, e o foi pelos sistemas organizados, que hoje em dia se denominam cristãos.

 Depois da morte de Jesus, o apóstolo Paulo que não foi discípulo, portanto sem o contato direto, desenvolveu uma Filosofia denominada Filosofia Cristã segundo a sua própria ótica, baseado na oitiva, e possivelmente baseado na leitura de algum dos Evangelhos escritos de modo precoce. Paulo não diz exatamente o que Jesus ensinava, e principalmente, com relação ao trato com as mulheres.

Seria uma mera coincidência que Paulo repetisse o processo de elaboração de uma Filosofia a partir das ações psíquicas, sendo demonstradas naquele tempo por Jesus? Os tempos eram outros, o ambiente outro, a cultura básica era outra, de modo que a filosofia cristã desenvolvida por Paulo tem suas características próprias, mas as ações e os resultados objetivos das ações psíquicas de Jesus, conhecidas como milagres, eram similares às práticas dos seus ancestrais polinésios, e a sua doutrina e ações têm as mesmas bases e características da filosofia xamanista dos polinésios.

Os princípios xamanistas da Huna foram conservados puros pela tradição dos polinésios, que foi estudada e documentada com mais atenção no Havaí na década de 1930, pelo então psicólogo e ex-pastor batista Max Freedon Long.

Os ensinamentos teóricos de Jesus, conhecidos como Lei Áurea dos Evangelhos, e coincidentes com a Huna, evoluíram alterados como filosofia cristã e são encontrados nas Cartas e Epístolas de Paulo. Estas foram aproveitadas pela equipe do Imperador Constantino, que em 250 d. C. mandou desenvolver um Sistema Religioso Organizado. Esse Sistema foi baseado na filosofia de Paulo e nos Evangelhos usados como sendo convenientes, e que foram denominados Canônicos. A religião resultante foi denominada Católica Apostólica Romana.

Os organizadores da Religião Católica Apostólica Romana desprezaram as escrituras evangélicas consideradas menos convenientes, denominadas apócrifas, possivelmente para manter a imagem da existência de Jesus como um homem divinizado e completamente livre de atitudes e de problemas humanos. No lugar da filosofia de Jesus e de seus fundamentos originais, passaram a predominar as normas, os princípios, os dogmas e os rituais de mais um Sistema Organizado Religioso.

 O Imperador Constantino impôs o seu novo Sistema Religioso, organizado de forma arbitrária, e associado ao poder do Mito, a todos os seus súditos, inclusive aos soldados de seu exército, que sendo oriundos de diferentes culturas, disputavam entre si a validade de algum suposto poder dos seus inúmeros deuses cultuados em suas religiões de origem, e ocasionavam com isso discórdias em seus acampamentos. Um só mito, uma só religião e um só exército, unidos por um condicionamento físico e outros condicionamentos mentais, obediente ao poder temporal, dominava parte do mundo oriental e ocidental.

Depois veio a Reforma Luterana, a qual visava mudanças nos padrões de comportamento da liderança religiosa que sucedeu ao primeiro Sumo Pontífice do Sistema organizado por Constantino.

 A idéia da Reforma foi seguida por muitos outros Sistemas Organizados como variantes de uma religião, e mais suas seitas derivadas, as quais foram denominadas protestantes.

Hoje em dia pelo menos 2.000 variantes de seitas protestantes dividem as denominadas verdades bíblicas com variações em interpretação de textos, normas, princípios, rituais, dogmas, ou fundamentos, e na maneira de sustentar as Organizações e sua Hierarquia de comando. Proliferam como Sistemas Organizados de forma arbitrária, livres de impostos, e aliados dos governos, sugerindo que os mesmos governos são pela vontade de seu Deus.

A filosofia mais os conceitos de ética e de moral da Huna dão à mesma um sentido de religiosidade, mas não há o desenvolvimento de uma religião como um Sistema Organizado. Cada indivíduo adepto e conhecedor de fato da Huna, não é sujeito nem se sujeita à uma hierarquia. Cada indivíduo que conhece O Segredo das habilidades psíquicas, e as usa na prática, apenas obedece ao código de comportamento ético recomendado. Este código favorece as condições psicológicas individuais que mantêm a liberdade de Consciência e de ação muitas vezes denominada de espiritual.

Jesus pregava as Boas Novas dentro do mesmo esquema, evidenciando que também desejava o mesmo tipo de liberdade de pensamento, pois afirmava:- “e conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. Seria libertar de qualquer sujeição do tipo psicológico? Um reforço a essa idéia é dado pela alusão que Jesus faz aos “cegos guiando cegos” e outras mais à hipocrisia e ao cinismo dos religiosos de sua época, porém válidos para muitos outros de qualquer época.

Assim sendo, segundo a Huna, qualquer um dos Sistemas Organizados, que funcione à base de regras, princípios e normas restritivas, e que tornem os indivíduos, sujeitos às crenças limitantes, e ainda mais não funcionam para o desenvolvimento de habilidades psíquicas com práticas evidentes e eficientes, podem ser descartados.

A pregação de Jesus coincide com a Huna:- “Ora em secreto ao Pai…”, aconselhando uma ação individual, eliminando os intermediários e suas pretensões. É evidente que isso O levou à morte, devido à reação dos sacerdotes, que viram prejudicada sua autoridade e seus interesses materiais, mas sem a perda do poder que ainda tinham sobre a população. Não foi deles que partiu a decisão e o pedido da morte de Jesus feito a Poncio Pilatos?

O mesmo poderia acontecer nos dias de hoje, pois a mesa dos comensais que vivem à custa de sugestologia e a respeito do abstrato e do subjetivo, somados à objetiva venda de produtos, aumentou consideravelmente dentro e fora do âmbito do cristianismo, e à custa do cristianismo como são os insumos para o cotidiano e festas religiosas.

 Os conceitos de moral e de ética da Huna, dizem respeito a uma condição de paz interior, necessária para as atividades psíquicas que exigem introspecção, ou seja, concentração com expectativa, sem a interferência dos possíveis bloqueios psicológicos, que são devidos às dúvidas relativas ao merecimento dos resultados por parte dos envolvidos na aprendizagem.

A ação psíquica é individual, e cada adepto da Huna deve se comunicar com seu próprio “Espírito Paternal”, o “Pai”, ou, “Aumakua” na linguagem dos havaianos.

O Uhane, ou, o nível consciente da consciência, se integra com Unihipili, ou, subconsciente, para ultrapassar as barreiras psicológicas deste último, e se integrar com o Aumakua, ou, Superconsciente, ou seja, o “aspecto oculto” da Consciência que pode se revelar em determinadas condições. Nunca se impressione com rótulos, são apenas rótulos.

A prática da introspecção, segundo Jesus, é expressa como:- “Viva em Oração” o que proporciona a integração do consciente com o subconsciente.

A eliminação de barreiras psicológicas próprias do subconsciente, segundo Jesus, é:- “orai pelos vossos inimigos” que implica em perdoar e facilita se perdoar, proporcionando viver em paz e de modo profundo quando não há limites para a ação mental e o indivíduo descobre que o momento de poder é agora “no reino dos céus”.

Segundo a Huna as ações objetivas e as psíquicas subjetivas sempre devem ser éticas, mas a psicofilosofia Huna admite a possibilidade de autodefesa com ação através da energia movida psiquicamente (espírito). O grau de intensidade da reação passa a ser o resultado da avaliação do grau de Consciência individual em relação à ação recebida.

Na época da dominação das ilhas do Havaí, Juizes e Promotores de Justiça que, não respeitaram a cultura local e condenavam injustamente os Kahunas (xamã, guardião do segredo) havaianos, para satisfazer a vontade de religiosos políticos que acompanharam os militares na conquista das ilhas, morreram de paralisia sem causa aparente. A simples percepção desse fato, por parte das autoridades civis, resultou na libertação dos Kahunas havaianos e no silêncio a esse respeito nos oradores de púlpito, em suas prédicas direcionadas aos auditórios cativos e passivos.

Dez mil anos depois da introdução da Huna na Polinésia, o pensamento de Jesus difere da mesma Huna apenas neste aspecto da reação às agressões e violência. Segundo Jesus, seria oferecer a outra face, a não resistência, próprias do Zen Budismo (600 a.C.), pois nos tempos de Jesus a desobediência ao governo era punida com a morte. Ghandi, dois mil anos depois, pregou sua filosofia de resistir sem violência diante de uma Lei de Ocupação Britânica, quando então o hinduísmo cobra ética ao “cristianismo” do invasor.

Possivelmente esses sejam os resultados de detalhes de posturas filosóficas individuais, cada qual no seu tempo e que diferem da psicofilosofia Huna. Por sua vez essa alteração de princípios é mais adequada à sobrevivência da maioria, em uma população que viveu em numa época em que, poucos ou nenhum, poderiam revidar no plano subjetivo com efeitos no plano objetivo, como o é, em extremo, a reação individual do xamã com “a oração da morte” aos seus algozes.

Quem sofre coação e em função disso desenvolve o ódio e, não sabe como exteriorizar essa energia, se prejudica com as tensões na própria consciência. A oração para perdoar ou a oração da morte para revidar vasa esse excesso de energia, direcionando-o com enfoque mental e livrando o oprimido de sintomas indesejáveis da autodestruição que se segue ao sentimento de impotência, como as doenças causadas pela depressão, reações autoimunes e enfermidades.

As reações objetivas de descontentamento da parte de uma população para com seus governos sempre causaram repressão e morte, pois assim agem os governantes nos Impérios, nos Reinos e nas Repúblicas onde se cultua, ou não, os princípios cristãos. A não violência passa então a ser uma questão de Bom Senso e sobrevivência e possivelmente nada tem a haver com religiosidade, ou, com “fazer a vontade” de uma divindade que todos desconhecem.

O que é que se recomenda diante da criminalidade atual, sem controle por parte de autoridades incompetentes, não é a mesma coisa?

E por um acaso os “deuses” de qualquer Ordem ou Sistema Organizado resolvem os malefícios da criminalidade oficial, da criminalidade oficiosa, ou, da “fora da lei”?

Os fanáticos de algumas filosofias convertidas em religião, estando com ódio aos repressores, agem de modo objetivo e matam, ou se matam para matar o inimigo como um suposto desagravo às divindades de suas crenças. Enquanto outros, quando podem, usam a pressão econômica, a pressão política e das armas, sem a possibilidade de usar a ideia de desagravo a uma divindade.

 Quaisquer crenças associada à Ignorância resultam em fanatismo e, andam de mãos dadas em qualquer um dos Sistemas Organizados, seja como religião, ou, seja como político. O futebol pode ser um esporte saudável, mas devido ao fanatismo e como Sistema Organizado é instrumento político, mostrando muitas vezes seu aspecto de movimento de uma massa sem controle.

A psicofilosofia da Huna faz reconhecer que o Homem não tem capacidade para entender uma Consciência Superior à sua própria, como seria a Consciência de uma Divindade. É evidente que muitos não têm condição de entender nem mesmo a extensão do nível de consciência de alguns de seus semelhantes. Para dar vazão à inveja gerada pela diferença de percepção e consciência, há desde a galhofa até a perseguição, passando pela crítica, desde a mais suave até a acerba.

O Apóstolo Paulo aponta em Iº Cor. Cap. 2, verso 16, essa impossibilidade do homem conhecer a Divindade e, por essa razão, os teólogos em seus sermões falam do Deus de seu próprio entendimento, sugerindo que Ele tem desejos, vontades e até necessidades, meras qualidades humanas, tal qual é na mitologia greco-romana.

A psicofilosofia da Huna se preocupa com o desenvolvimento possível de todos os níveis de consciência do homem. Por essa razão os princípios xamanistas da Huna não dizem respeito ao temor devido a alguma entidade espiritual fiscalizadora de atitudes e costumes, mas sim à autodestruição da “alma” pela perda da integridade da Consciência na falta de ética. O mesmo que Jesus pregava 10.000 anos depois e continua a ser o motivo de autodestruição de políticos sem religião, e dos religiosos políticos.

Os princípios da Huna em seus aspectos mais elevados são pragmáticos e objetivos, pois também não dizem respeito à espera de algum auxílio por parte de entidades do mundo espiritual, pensamento esse desenvolvido em muitas religiões e seitas e motivo para sugestão de dízimos e ofertas aos “deuses”. Alberto B. P. Dias, Bacharel, Licenciado, Especialista, USP, 1955. diasmind@uol.com.br

Postado em : Huna - Reflexões

4 Comentários


    • Eliane de Mendonça Vieira
    • agosto 29, 2015
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    Prof, a Huna tem a ver com Hoponopono? Shanti

      • Alberto Barbosa Pinto Dias
      • agosto 30, 2015
      • Responder
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      Eliane, Hoponopono é que tem que ver com o Código Huna.

    • Nery Nalin Seitz
    • agosto 7, 2015
    • Responder
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    Belo artigo, caro mestre! Abraço fraterno!

      • Alberto Barbosa Pinto Dias
      • agosto 30, 2015
      • Responder
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      Agradecido Nery!

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