A evolução do Psiquismo – 03 – O Desenvolvimento Intelectual

A evolução do Psiquismo – 03 – O Desenvolvimento Intelectual

A Evolução do Psiquismo – 03

O Desenvolvimento Intelectual

Com a armazenagem de informações na memória e com o habito de lembranças, o homem aprendeu a ordenar as ideias como pontos de referência em disposição cronológica. Aprendeu a produzir pensamentos a partir da conotação das ideias e dos diferentes pensamentos, desenvolvendo primeiro a capacidade da análise dedutiva, observada até os sete anos de idade e depois acrescentando aos poucos, quando há a oportunidade, a análise indutiva com aptidão para, progressivamente, desenvolver os questionamentos lógicos e razoáveis com dedução e indução dos sete aos 14 anos de idade.

Atualmente o homem pode desenvolver o discernimento do que seja razoável e provável dos 14 aos 21, se houver condições de instrução e orientação, ou, mesmo com a falta daquelas condições, havendo genialidade para percepção como o é para uns poucos.

O amadurecimento da atividade racional, dos 21 aos 28 anos, pode ser evidenciado pela capacidade de armazenar informações novas, diferenciadas e de modo consciente. Sendo racional e analítico para um desempenho profissional futuro, um aparente Bom Senso deverá existir. O Bom Senso é um dos fatores básicos do equilíbrio mental, resultando uma consciência sem tensões. Uma consciência sem tensões é fator de saúde física e mental.

A falta de bom senso indica imaturidade psicológica, e manifesta um desequilíbrio psíquico, neurológico, e ou glandular, com desajuste de conduta social. Essa falta está associada a uma evidente irresponsabilidade, merecendo mais atenção e cuidados quando ela segue de modo preocupante além dos 28 anos de idade, quando começa o amadurecimento profissional.

Os impactos emocionais durante o desenvolvimento físico e mental, com fixações de ideias como pontos de referência, podem fazer estacionar, ou, apenas dificultar a evolução da capacidade de raciocínio.

Para que a capacidade de desenvolvimento do psiquismo do lado intelectual seja livre como individualidade, com a liberdade de formação da personalidade de alma, a criança pode ser educada e treinada para viver em sociedade com os conceitos de moral e de ética, mas deve ser livre de induções sugeridas no sentido de Crenças Limitantes.

As convicções restritivas que são geralmente implantadas na primeira infância e que funcionem à base de temor, também impedem o livre desenvolvimento do raciocínio lógico.   A criança deve ser treinada para discernir o que é razoável e provável e deve saber a diferença que há no que seja pouco provável e mesmo improvável a partir dos oito anos de idade.

A Hipnose

Segundo os conceitos da medicina moderna a hipnose é um fenômeno natural relativo ao estado mental das crianças de até os sete anos, pois elas aceitam sugestões como sendo verdades pela incapacidade de análise crítica.

Igualmente é a condição mental de jovens de até 14 anos, pois quando sob um impacto emocional, diminuem o ritmo das pulsações do cérebro e aumenta a energia neurológica disponível, caracterizando alta sugestibilidade.

Nestas condições, resulta um aumento da sensibilidade aos estímulos e consequentemente em uma mais forte fixação das informações sugeridas no subconsciente. Este é um banco de dados e proporciona memória inclusive para reflexos resultantes de condicionamentos de comportamento.

Igualmente, o adulto intelectualmente imaturo, sendo atuado de modo a receber um impacto emocional, pode desenvolver um estado hipnoidal e receber sugestões, que sendo repetidas periodicamente, implanta-se no subconsciente e passam a ter força de verdade, fazendo parte da sua própria realidade mental. Esse fenômeno é conhecido como lavagem cerebral por ser inconsciente, ou, não percebido e pode ser explicado em termos de nível de energia no funcionamento do cérebro como suporte físico do psiquismo.

O impacto causado pelas palavras que suscitem a imaginação acompanhada de emoção, baixa à frequência das pulsações cerebrais e o aumento do nível de energia é mensurável. As sugestões recebidas passam a ser fortemente impressas no subconsciente e assumem o aspecto de serem verdadeiras. Essas impressões fortes geralmente impedem uma posterior mudança de perspectiva, fixando assim uma realidade que é pessoal. Aquilo que você acredita como Verdade, é Verdade para você, e pode não ser Verdade para outro que não seja atuado.

Pessoas que sofrem esse tipo de processo hipnótico, além de não reconhecerem que estão sendo mentalmente programadas e em consequência sujeitadas, defendem seus dominadores.

Naturalmente, sempre há os 20% a 25% de espertos que simulam sua adesão a um grupo de dominados, mas que conseguem manter seu discernimento, isolando-se das sugestões e usando as vantagens do aspecto tribal de comportamento do grupo no ambiente social.

 Alguns deles aderem como líderes para tirar proveito político e material de um grupo social nessas condições de enfoque mental dirigido para uma só perspectiva. Em muitos a malandragem se revela depois de eleito, como alguns já bem conhecidos através das divulgações de experiências do passado.

Muitos dos treinamentos de visualização e de imaginação oferecidos como disciplina em meios não sectários, são treinamentos introspectivos e permitem que a condição de ser lógico e racional trabalhe em nível de introspecção, correspondendo a uma auto-hipnose consciente e produtiva.

A auto-hipnose, como ato moral consciente, pela repetição de posturas e ou de sons com fixação de imagens, desencadeia o automatismo neurológico que, proporciona os estados alterados de consciência com autocontrole e desenvolve habilidades psíquicas.

A habilidade psíquica mais comum, por ser evidente, é o contato subjetivo entre cérebros e é conhecido como telepatia. A sensibilidade para recepção de informações procedentes de outros cérebros é denominada hiperestesia.

A Filosofia como Produto do Processo Intelectual

Colher informações a respeito de tudo o que existe em relação a um determinado assunto, ordenar as mesmas, analisar e questionar é filosofar.

 A capacidade de Filosofar, como processo intelectual, engloba tudo o que sabemos e o que pensamos a respeito das coisas materiais e das possíveis percepções que vão além do plano físico.

Filosofar é a discussão racional do que seja lógico e razoável, com discernimento do que seja provável pouco provável e até improvável.

Discernimento é a capacidade de julgar as coisas de modo claro e sensato.

Ter discernimento é ter perspicácia para percepção de um fato, ideia, ou, pensamento e fazer uma análise corretamente, deixando de modo claro a perspectiva que foi usada para alcançar uma compreensão e o porquê da percepção alcançada sob essa perspectiva.

É ter perspicácia para perceber que a mudança de perspectiva pode mudar a compreensão de um fato, ou, assunto fossilizado. Discernimento é a percepção dessa relatividade. “O Homem Espiritual tudo discerne, mas não é discernido pelos demais”. 1ª Epístola de Paulo aos de Corinto, Capítulo 2, verso 15. Extensivamente o homem que desenvolveu habilidades psíquicas, pela experiência, pode ter maior discernimento.

Não observamos a mesma capacidade de discernimento em todas as pessoas quando focalizamos um mesmo assunto, e ainda menos quando se englobam vários temas, sendo quase impossível o mesmo grau de discernimento para todos os diferentes conteúdos dos diferentes temas nas diferentes pessoas.

Este fato se evidencia quando consideramos a variedade de interpretações, abstraídas e imaginadas como sendo a verdade, quando se considera apenas um determinado texto de um tema místico como um versículo bíblico, por exemplo. É maior a complicação quando, aos que discutem, falte uma base de conhecimento científico.

O conhecimento científico permite limitar o campo dos enfoques mentais possíveis ao que é razoável e provável, descartando o pouco provável e o improvável. O conhecimento científico associado ao conhecimento das habilidades psíquicas aumenta o nível do discernimento.

O discernimento depende do trabalho do nível consciente da consciência no banco de memória e no processo de imaginação controlada. A capacidade de discernimento pode ser prejudicada por emoções relacionadas à tristeza, amargura, ansiedade e temor, pois geram tensões na Consciência e diminuem o nível da energia que, é necessária para manter os pensamentos em nível lógico, racional e com bom senso.

Dá um branco na memória, quando o Consciente não consegue acessar o banco de memória no subconsciente. A diminuição da energia vital pode determinar esse fato. É assim que um idoso pode ter falhas de memória, mas não as tem quando introspectivo, e ha calma e silêncio no isolamento.

Há perda de 20% da capacidade de discernimento diante de tensões devidas a estados emocionais como amor ou ódio, podendo chegar a 90% em casos de tensões devidas à ansiedade e medo como é no “branco mental”, ou, perda de memória que pode ocorrer no estudante estressado por ansiedade e insegurança.

Com o amadurecimento devido ao aumento da idade cronológica e ao desenvolvimento psicológico correspondente e ainda mais com o desenvolvimento mental para a intelectualidade, todos nós podemos filosofar a respeito de qualquer assunto, fato, ou objeto. Para tanto basta dispor das fontes de informações relativas ao tema enfocado e o entendimento do mesmo sob as diferentes perspectivas.

Estaremos mais próximos de uma atualidade, quanto maior for o número de informações e pontos de referencia que detivermos no banco de memória e que façam parte de nossa realidade. Também o entendimento de uma atualidade depende da capacidade de conotação lógica e razoável das ideias e pensamentos a respeito de um assunto, objeto, ou, fato de observação. Uma atualidade, sendo percebida, pode mudar uma realidade pessoal anteriormente condicionada.

A Verdade para cada um de nós é a realidade mental que cada um possua em um dado momento. Assim sendo, a verdade é relativa a cada estágio do conhecimento em cada indivíduo.

Quando a pessoa se limita a armazenar informações restritas a uma crença, ou, mais do que uma crença de qualquer tipo, a sua verdade pessoal passa a ser relativa ao que se consolidou como crença, ou, crenças. Assim sendo, normas, princípios, dogmas e fundamentos de uma crença, são fatores limitantes do potencial de raciocínio de quem os aceite e se sujeitem a eles.

As atualidades científicas podem modificar a realidade mental de um indivíduo se houver oportunidade de informação e aceitação da instrução.

Todo indivíduo adulto e maduro pode ser naturalmente filósofo. Essa condição depende apenas de uma atitude mental que permita processar o autoconhecimento na medida em que a pessoa se dedique a observar, colher dados e ou informações, e a lembrar do que percebeu fazendo reflexões, ordenando as ideias, analisando e questionando as ideias e pensamentos próprios, ou o que for sugerido.

Ao descansar em Contemplação, dá tempo a que o subconsciente, como outro aspecto da Consciência, processe os dados e resulte em intuição heurística, ou, clarão de introspecção, ou ainda em gestalt.

Também há a possibilidade de se receber informações do inconsciente coletivo, ou seja, do que é resultante da sintonia com outros cérebros de modo subjetivo e então processar o conhecimento em um “flash de iluminação” que independe de enfoques místicos, mas depende da integração do consciente com o subconsciente e depois tomar consciência da ação do Superconsciente.

O filósofo descompromissado de algum Sistema Organizado com um pacote de crenças segue uma regra transmitida pelo Mestre Jesus aos seguidores de sua filosofia, pois Ele também não tinha compromissos restritos a algum Sistema anterior: “De tudo examinai e retende o que for bom”. Aqui o conceito de bom ou não, pode ser relativo ao que é próprio ou impróprio útil ou não, verdadeiro ou não.

Sempre é bom lembrar que a eficácia é a medida da verdade, ou, só o que funciona é verdadeiro. Crenças limitantes que não funcionam, pessoas que só fazem discursos, e não funcionam, são descartáveis.

Alberto Barbosa Pinto Dias, Bacharel em História Natural (todas as Disciplinas Biológicas e Geológicas), Licenciado, Especialista. USP, 1955.

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