02º – Aprender e saber – Um capítulo só em quatro etapas

02º – Aprender e saber – Um capítulo só em quatro etapas

02º – Aprender e saber – Um capítulo só em quatro etapas

(…Continuação)

É lógico que todo sistema de controle de atitudes, faz a criança parar para pensar, quando já é maior do que sete anos de idade, por ocasião do início do desenvolvimento da lógica racional, dedutiva e indutiva, e ela pode escolher entre ser respeitadora e igualmente ser respeitada, ou muito pelo contrário. Uma liberdade sem os limites do respeito devido ao próximo dá em confronto no pátio, nas ruas, e acidentes de moto, carro, e mortes em portas de boates quando a criança livre predomina no adulto na hora da emoção.

Quando o sistema repressivo é entre adultos que desconsideram o respeito necessário e suficiente entre pessoas, e sendo ele aplicado por parte de algum tipo de autoridade, como um patrão, por exemplo, para que eu não me enrosque com outras maiores inconveniências, o efeito  pode ser o inverso do esperado.

Quando o adulto está em situação de empregado para sobrevivência, qualquer desrespeito o faz regredir a um estado de emotividade, e, reprimido, luta entre a reação de defesa, ou, a de engolir o sapo. Se for psicologicamente do tipo A, descarrega a adrenalina e é despedido, mas se livra de um infarto, ou, de um AVC.

Se for psicologicamente do tipo C, descarrega cortisona com um ódio que algum dia devolve dobrado, ou então, sente o amargo do sentimento de culpa com necessidade de expiação. Se foi programado desde a infância para isso; pode até começar um processo de câncer. É uma escolha a ser feita se for bem informado.

Essa atitude repressiva e com críticas repetidas tem sido ferramenta de dominação para certos tipos de chefes, que só sabem administrar alguma categoria de trabalho, aonde se vêm na obrigação de “ensinar” o que não sabem, ou, não podem fazer o que “ensinam”. Eu já tive um chefe assim. São como os eunucos: sempre sabem como a coisa deve ser feita, mas não conseguem fazê-la e a válvula de escape é a crítica vazia. Um jogo sadomasoquista que às vezes cola em alguns, mas em outros não cola e não dão bola!

O mesmo se observa em alguns dos líderes orientadores religiosos que se comportam como se pertencessem às mais elevadas esferas da espiritualidade na ora do ofício, e depois, quando fora dele, se esquecem de que são meros mortais e querem continuar representando.

Alguns deles deixam a impressão de que o sofrimento físico e ou o sofrimento moral são a única expressão válida para a vida. Até parece que o amor e a espiritualidade, como meios eficientes de elevação, não têm lugar nesses meios ambientes, a não ser entre os escolhidos e ungidos, mas longe dos olhos dos demais são homens naturais.

Para outros, fixados que estão no sacrifício de Cristo, como exemplo para todo cristão, vivem isolados, sofrendo suas misérias mentais com seus atos contraditórios.

Se há algumas falhas na formação do Homem, uma delas é essa complacência em um sofrimento a ser imitado, e da autonegação do Ego com a consolação da autopiedade; é um estado passivo de doação, no qual sofrer e se humilhar, tornou-se um hábito digno de louvores, sempre que isso diga respeito aos outros. A vida é um palco.

As pressões psicológicas das lideranças dos sistemas organizados de forma arbitrária, e as tensões geradas, além de inúteis, aprisionam os egos mais fracos no início do desenvolvimento do sistema lógico e racional, e eles permanecem mais emotivos, numa atitude infantil de autodefesa, e até mesmo se tornam agressivos nas relações de força. Quando os adeptos são indivíduos tornados sujeitos a uma convicção associada à ignorância, tornam-se fanáticos.

Uma convicção é o estado mental resultante da associação de uma fé com um sistema de crenças, expresso por normas, princípios, dogmas, fundamentos e rituais condicionadores. Observe-se a conduta dos fundamentalistas islâmicos, organizados 600 anos d. C. em atitude de defesa contra a agressividade dos cruzados e de outros que os seguiram. Essa reação está viva até hoje. Europeus que se cuidem, pois são prolíficos, em breve eles serão os governantes nas democracias decadentes, e através do voto, pois serão em maior número devido à poligamia institucional.

Em tais circunstâncias, que espaço sobra para o amor como sentimento e como emoção no sentido de sustentar uma felicidade para todas as pessoas das diferentes crenças?

Na medida em que há a conscientização em indivíduos, de que opiniões baseadas em suposições são ”crenças fracas” por faltar embasamento no que seja provável, e se estabeleça a diferença que há entre opinião e conhecimento, já se poderá notar alguma evolução no sentido da razoabilidade, que passa a ter o apoio da lógica e do bom senso, o qual está acima de qualquer razão que sirva de suporte para atitudes.

No trabalho em uma escola comum, ou, em “uma escola dominical” dentro de uma igreja, há um momento em que o discípulo deve atingir uma compreensão real, devida a um entendimento resultante da análise de todas as perspectivas possíveis de serem enfocadas, por ocasião da transmissão de uma informação básica recebida, ou, melhor se houver uma prática que demonstre resultados antes da explicação.

De início, até se pode aceitar uma compreensão resultante de uma informação recebida como suposição, e sugerida como realidade externa, mas depois, se o discípulo for bem orientado, deve ter experiências pessoais, com resultados eficientes, que proporcionem condições de testar a realidade sugerida, para então, raciocinar de modo lógico e dentro do bom senso, construindo o entendimento real.

Tomemos por um exemplo simples os cálculos matemáticos, que só se aprende fazendo os exercícios repetidamente e depois conferindo os resultados.

Entender significa perceber o significado lógico de uma informação passada. Compreender é aceitar a informação como verdadeira, e com isso construir uma crença, mesmo que seja em função de uma informação científica.

Portanto, todo cuidado deve ser tomado por quem já saiu do nível da simples razão razoável para o nível do intelecto questionador, e depois para o nível da abstração que leva a conferir os resultados sob as diferentes perspectivas. Há líderes que confundem entender com compreender. Há professores que depois de uma explicação teórica, perguntam se o aluno compreendeu, no lugar de perguntar se entendeu.

Para Reflexão: A compreensão em nível de realidade interior harmonizada com a realidade exterior está no contínuo movimento das idéias e pensamentos com suas conotações constantes, resultantes das reflexões, alternadas com descansos. Em síntese, a compreensão é resultado da dinâmica da meditação reflexiva, ativada e continuada pela atitude de uma consciência que tem por enfoque mental a busca do conhecimento, que para alguns é a causa da vida e os mantém.

Se uma informação que é passada a um intelecto desenvolvido, é dada sob uma perspectiva que oferece uma razão, que apesar de ser lógica e razoável, é insatisfatória por parecer pouco provável, essa informação passa a ser um problema para um pensador questionador.

O intelectual que seja esclarecido busca uma experiência que dê resultados eficientes, os quais sirvam de base para um raciocínio posterior embasado em fatos e não em suposições, e assim o problema desaparece, ao menos para ele, confirmando ou não se a informação dada tem um significado lógico aceitável para merecer a sua compreensão (aceitação).

(continua…)

Alberto Barbosa Pinto Dias, Bacharel em História Natural (todas as Disciplinas Biológicas e Geológicas), Licenciado, Especialista. USP. 1955.

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Postado em : Conhecimento X Cultura

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