A evolução do Psiquismo – 02- A Evolução dos Conceitos em Nível Psicológico

A evolução do Psiquismo – 02- A Evolução dos Conceitos em Nível Psicológico

A Evolução do Psiquismo

A Evolução dos Conceitos em Nível Psicológico

 

Na evolução estrutural do cérebro dos animais deve ter havido um momento em que, mutações favoráveis para os reflexos inatos de alimentação e os demais reflexos adquiridos para movimentos destinados à sobrevivência, proporcionassem alterações neurológicas que possibilitassem a percepção do que seja “espaço”.

No homem primitivo, com o desenvolvimento das memórias em relação ao espaço percorrido e fatos ocorridos durante os deslocamentos, deve ter havido também a percepção do que seja o “tempo passado”, pois o espaço percorrido pode ter sido relacionado também com a sequência dos dias e das noites.

Depois, com a sequência repetida das diferentes estações climáticas e suas consequências em termos de obtenção de alimento e abrigo, associadas ao movimento dos astros como o sol, a lua e sua sequência de aparições em fases, deve ter despertado a “noção de tempo futuro”, do amanhã, com a necessidade de melhor provisão de alimento e agasalho com as mudanças de clima. Cada fase da lua um período de tempo menor, e a cada fase de lua cheia um período de tempo maior depois confundido com um ano pelos tradutores da Bíblia.

As posições de algumas estrelas associadas a eventos sazonais também foram percebidas e, com o passar do tempo, a posição do sol e das estrelas deu a noção de rumo para os deslocamentos associados à noção de espaço e de tempo, também associados ao clima e à necessidade de obtenção do alimento.

Durante o desenvolvimento da humanidade muito tempo passou antes que Moisés (?) escrevesse o Gênesis. É possível que, no período anterior a ele, se contassem os meses como períodos de lunação e que, posteriormente foram mal traduzidos como se fossem anos, como já foi assinalado. Ex: Matusalém viveu 969 períodos de lunação, ou, 969luas cheias/12 meses = 80 anos e 9 meses, o que é bem mais razoável e mais provável do que a tradução dada como: “Matusalém viveu 969 anos”.

Também está traduzido no Gênesis que Matusalém viveu 187 “anos” e depois gerou um filho primogênito de nome Lameque. Ora, dos 187 períodos de lunação tiramos 187/12 = 15 anos e 7 meses. Todos nós sabemos as alterações fisiológicas aos 14 anos e o impulso sexual aos 16 anos. Assim Matusalém gerou um filho aos 16 anos o que é cabível e mais provável, sem contar os demais que vieram posteriormente.

O conceito de tempo passado evoluiu e no tempo de Salomão, a contagem de “setenta são os anos de um homem, oitenta se houver saúde”, como está escrito no Eclesiastes, são mais razoáveis e prováveis e de acordo com as condições dos calendários atuais.

 Talvez tenha sido assim que se firmaram na consciência do Homem as noções de tempo, de causalidade e de finalidade, com uma consciência de existir que é limitada pela morte. Esse tipo de vivência psíquica fez com que muitos humanos, sofrendo pela hora da morte por antecipação, desenvolvessem as mais variadas fantasias, que foram sugeridas como panacéia e como consolo ao medo do que poderia ser uma vida (existência?) depois da morte.

É lógica e plausível a sequência de indagações: Será que tudo finaliza no caixão mortuário?  Se a consciência de existir, prossegue, como será que prossegue?

A vida para depois da morte é prometida e esperada nos diferentes Sistemas Organizados como Religião, onde, com algumas variações de interpretação, os frequentadores são afiançados das vantagens de um comportamento positivo e das vantagens de obediência às normas e princípios religiosos para obtenção dos direitos de aquisição da eternidade.

Sem dúvida que princípios de higiene eram apresentados como tabus (proibições) religiosos. Carne de porco até hoje pode transmitir lepra.

Esse tipo de imaginação já existia muito antes da civilização egípcia e já era bem desenvolvida no Egito antes da imigração dos ancestrais de Moisés (Jacó e os seus) para as terras dos faraós. As ofertas e oferendas mantinham o direito de frequência ao templo e sustentavam os sacerdotes e seus “ofícios”.

A objetividade do dízimo e das ofertas para sustento dos sacerdotes e que caracterizou o judaísmo no velho testamento foi obviamente adotada como Sistema nas Organizações Religiosas, de forma arbitrária, até os dias de hoje.

De um modo geral a capacidade para imaginação e fantasia se desenvolveu muito antes da lógica racional, fato esse observável na história da evolução do homem. Assim sendo, as ações psíquicas e as ações físicas que dependem da imaginação criativa, podem ter precedido o desenvolvimento mental direcionado para a intelectualidade.

Houve tempo em que, enquanto alguns de vida natural e simples descobriam as habilidades psíquicas, outros, com oportunidade de informações e treinamento de racionalização, desenvolviam o psiquismo como intelecto; outros o desenvolvimento do intelecto foi à base de informações e com treinamento físico. Separavam-se assim os tipos xamãs dos tipos intelectuais, e estes dos tipos guerreiros.

Observamos no desenvolvimento das crianças, que há predominância da imaginação antes do desenvolvimento da lógica racional. Esta inicia com deduções sem capacidade de análise e depois, na segunda infância e adolescentes, desenvolvem além da dedução, a capacidade de indução e análise.

É bem conhecido o fato de que há pessoas que têm facilidade de imaginação e algumas podem desenvolver uma forma de inteligência com projeção mental espacial, elaborando subjetivamente imagens tridimensionais por enfoque mental.

Também sabemos que um passo além é o enfoque mental desse tipo com mais a projeção de energia, obedecendo a um princípio conhecido pelo xamã autêntico: “A energia flui para onde o pensamento vai”.

Já foi constatado pela observação científica que a história do desenvolvimento de cada indivíduo de uma determinada espécie, desde a fase embrionária até a maturidade, sempre conta a história da evolução da própria espécie. Embriões de diferentes espécies de vertebrados evoluem apresentando as mesmas fases, sendo que dificilmente distinguimos embriões de diferentes espécies, se estão todos eles em uma mesma fase de desenvolvimento. Assim sendo, é possível que a história da evolução psíquica de um ser humano normal, retrate a história da evolução psíquica da humanidade.

Entende-se por ser humano normal aquele que apresente todas as características de desenvolvimento observadas na maioria em um determinado período da história da humanidade.

Detalhando o processo, é possível que o homem de Neanderthal pensasse como pensam hoje as crianças de até sete anos, com imaginação, mas com o raciocínio lógico dedutivo próprio da primeira infância.

O Homo Sapiens deve ter sido a manifestação de algum tipo de mutação, ou, com ganho de genes na cadeia de DNA (engenharia genética da parte de ETS?) que permitiram desenvolver neurônios e circuitos neurais para a racionalidade como nós a entendemos hoje.

Poderiam ser inicialmente com vislumbres de raciocínio indutivo com predominância de fantasia, depois com imaginação, como é no menino de dez anos; depois o raciocínio dedutivo-indutivo simples do adolescente, para depois amadurecer os conceitos de lógica e avaliação de probabilidades com bom senso, que caracterizam o adulto psicologicamente maduro.

O ponto mais alto do desenvolvimento racional é a maturidade, quando o adulto mostra o discernimento, o bom senso, o momento de distinguir o que é lógico, razoável e provável do que seja lógico, até razoável, mas pouco provável, ou mesmo improvável.

Ainda encontramos frequentemente, pessoas fisicamente adultas e que estacionaram o desenvolvimento psicológico em alguma fase anterior ao desenvolvimento mental esperado para o adulto amadurecido. Essas pessoas imaturas ignoram considerar o que seja improvável, ou, pouco provável, sendo vulneráveis a todo tipo de sugestão que procede de indivíduos com pensamento concreto, direto e objetivo, os quais podem dominar os imaturos.

 

Um dos fatores para manter a imaturidade pode ser um problema neurológico e outro, pode ser a falta de informações adequadas e mesmo falta de treinamento de raciocínio, o que é típico do adulto alfabetizado, mas analfabeto funcional.

De um modo geral a imaginação sem controle é a “louca da casa”, mas a imaginação controlada é a ferramenta mais útil de que dispomos para resolver problemas, desde que o nível consciente da consciência trabalhe com enfoques mentais de modo lógico e racional no nível da imaginação, como o é no homem evoluído como adulto maduro.

A posição dos intelectuais, que não possuam habilidades psíquicas, sempre foi baseada em suposições que expliquem os fenômenos causados por elas. Essas suposições podem evoluir para conceitos e depois para uma filosofia.

É comum encontrar pessoas que discursam a respeito do assunto sem nunca terem ao menos um vislumbre de como se dá a prática.

Quem sabe faz. Quem não sabe fazer, quer ensinar.

Assim foram geradas muitas das hipóteses que se tornaram a base para uma ou mais filosofias, que suportam as crenças e as religiões oferecidas para muitos, mas que existem devido às habilidades psíquicas demonstradas por uns poucos, sem a devida explicação adequada para a existência de tais habilidades.

Jesus sabia integrar a imaginação com o lado lógico, racional e com o bom senso. Mostrou que tinha o domínio da imaginação controlada como fonte de percepções e como instrumento de ação para resolver problemas. Jesus mostrava habilidades psíquicas incontestáveis de hiperestesia, tais como telepatia, vidência, clarividência e de projeção de energia com imposição de mãos para transferência da mesma, ajudando os doentes e os enfermos.

Também demonstrou capacidade de dominar os elementos da natureza o que é considerada Grande Magia, quando é feito por pessoas que têm essa habilidade psíquica. Jesus é um paradigma para o ser humano se desenvolver, e Ele mesmo indica isso em João 14: 12.

Podemos acreditar que o Senhor Jesus, além disso, conhecesse os princípios psicológicos do que hoje denominamos neurolinguística, escolhendo sempre como se comunicar com os homens naturais e os homens carnais de sua época.

Jesus com suas explicações por parábolas deixava a interpretação por conta do nível mental dos ouvintes. Curiosamente Ele escolheu a maioria de seus discípulos entre homens do povo, homens naturais, simples, nos quais a força física, a emoção e a imaginação predominavam sobre o intelecto e alguns outros onde predominava o intelecto, por exemplo, Lucas, Matheus, e João nos quais predominavam experiências psíquicas.

O discípulo João, denominado o discípulo amado, deixou evidente que reunia qualidades de inteligência física, emocional, intelectual e espiritual. João registrou de modo direto e objetivo as afirmações de Jesus, segundo as quais, as habilidades psíquicas apresentadas por Ele, Jesus, eram inerentes a todas as pessoas. Que as pessoas acreditassem Nele como pessoa e que aceitassem a instrução passada por Suas palavras (João 14, v.6 a 21).

Em outra passagem do Evangelho Jesus afirma: “Ora não direis vós que o Reino dos Céus está aqui ou ali, porque o Reino dos Céus está dentro de vós”, ou seria: O Pai está dentro de vós! O Espírito Paternal está dentro de vós, ou ainda, na linguagem da psicologia de hoje: vocês dispõem de um Superconsciente, de um Eu Superior que é “o Pai que em mim opera as obras”. O Pai em mim é a parcela do Divino que me foi confiada e a mim cabe cultivá-la ou perdê-la. Um dos três aspectos da Consciência, O Superior. Por essa razão temos que acreditar que o Poder demonstrado por algumas pessoas vem de dentro.

Essa ideia de Reino dos Céus dentro de vós já existia antes de Jesus. Considerando-se que a espécie humana se desenvolveu inicialmente na África, podemos considerar que entre os negros de língua Yorubá já existia a ideia de Reino dos Céus, denominado ORUM MILA, conceituado como um lugar dentro da cabeça, onde vivem os mortos, como lembranças no imaginário, e as fadas os duendes e os mitos. O mesmo na tradição oral dos polinésios e havaianos, com o nome de Milu.

No entanto, o Reino dos Céus é apresentado intelectual e objetivamente pelas organizações baseadas em crenças, como sendo o local de uma vida melhor, porém, sempre para depois da morte. Inclusive há aquelas que afirmam que as agruras desta vida seriam compensadas naquela outra vida depois da morte com prêmios baseados em figurações e imagens havidas nesta vida objetiva, satisfazendo a fantasia dos imaturos.

A complementaridade é dada em algumas organizações pela crença de que haja uma ressurreição da carne, a qual, objetivamente, voltaria a ser tal como foi antes da decomposição e ainda mais pela ideia de um arrebatamento.

Esta colocação dá um reforço de Ego para aquele que se acha, por algum motivo, “escolhido”, seja pela boa aparência física, ou, bem dotado mentalmente, ou, ainda materialmente abonado e que, sendo emotivos, são ativos e psicologicamente aceitos pelo grupo sujeito às normas e disciplinas doutrinárias de alguma Crença.

Quando as pessoas são no máximo de pensamentos do tipo concreto, direto e objetivo, desconhecem no seu nível de realidades as atividades do psiquismo extracorpóreo. Este é uma realidade para aqueles que o vivenciam, e é uma vida paralela aqui e agora e mais além das fronteiras da Teologia e da intelectualidade objetiva.

Já deveriam pensar assim os poderosos faraós do Egito antigo com suas mumificações, esquifes e monumentos, sempre dirigidos pela poderosa classe sacerdotal e suas organizações, enquanto que, aos “inferiores”, sem riquezas, bastava uma cova comum e a ideia de um paraíso a ser atingido e ou a ideia de um inferno a ser temido. Podemos constatar que o modelo é antigo.

Outros crêem na possibilidade de uma ressurreição na carne, como uma nova oportunidade. A filosofia destes últimos está mais próxima da realidade de uma ação transcendente, transpessoal, conforme as colocações de Jesus: “Elias já voltou… e não o reconheceram…”. “Eu vou voltar…”. E a do Apóstolo Paulo: “Mas quando Jesus vier (voltar) muitos dirão…”.

A outra expressão do Mestre Jesus segundo o Evangelho apócrifo de Thomé: “O Reino dos Céus está dentro de vós e fora de vós”, está de acordo com a onipresença e com a onisciência sugeridas como qualidades de Deus e supostamente como qualidade para a porção do homem que é desenvolvida à imagem e semelhança do Senhor, a consciência.

Isto reforça a ideia de que o Superconsciente seria um dos aspectos da Consciência que, pode agir dentro e fora do corpo, muito além do corpo e poderia ser “O Pai (espírito paternal) que em mim opera as obras”.

E então, segundo Thomé, Jesus continua: “O reino dos céus não está abaixo de vós porque os peixes os precederiam, não está acima de vós porque as aves os precederiam, mas está dentro de vós e fora de vós”. Esta última colocação dá uma explicação bem gráfica para a imaginação dos discípulos que tinham menor nível de entendimento abstrato. O poder vem de dentro da pessoa e pode exercer a sua ação fora do corpo físico, o que é obvio para todos que têm essa qualidade de pequenos deuses. Cabe ler Salmo 82: 6 e 7 – “Eu disse: sois deuses, e vós outros são todos filhos do Altíssimo, mas como homens morrereis”!

Jesus deixa claro que independentemente de organizações, o caminho do Reino dos Céus é através da prática da introspecção: “Vivei em oração”. Também a expressão do salmista: “Aquele que habita o esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará” e mais a de Jesus: “Ore em secreto ao Pai…”, reforçam a ideia de que a introspecção seja o caminho da integração do Consciente com o Subconsciente e através deste último a integração com o Supraconsciente, ou, “o espírito paternal”.

O que é que fazemos quando estamos introspectivos? Não usamos a visualização e a imaginação? Quando usamos a visualização e a imaginação nosso cérebro não está funcionando na faixa de pulsação eletroquímica e nível de energia em que funcionava quando éramos crianças? Isto está de acordo com a colocação do Mestre: “deixai vir a mim as criancinhas porque delas é o reino dos céus”..

O que difere o adulto das crianças? Não seria a ação do nível lógico e racional com bom senso que como atributo do Consciente, pode agir em nível de imaginação no banco de memória do subconsciente e de modo controlado como Jesus o fazia? E isto não é um estado alterado de consciência para os adultos acostumados só a racionalização?

Alberto Barbosa Pinto Dias, Bacharel em História Natural (todas as Disciplinas Biológicas e Geológicas), Licenciado, Especialista. USP, 1955.

Qualquer questionamento sempre será bem recebido e respondido.

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