01º – Realidades

01º – Realidades

REALIDADES- 1

Leia com atenção, sem pressa e com entendimento; você só pode apreciar o que for capaz de entender, aprender e compreender.

Passa a ser uma Realidade para cada um de nós o que se é capaz de Perceber. A percepção, como fenômeno psíquico, depende de se receber estímulos, sejam dados e ou informações, os quais, impressionando os órgãos dos sentidos, sejam mentalmente percebidos e decodificados, portanto entendidos e avaliados.

Essa capacidade de avaliação depende do grau de desenvolvimento da Consciência. Inversamente, o grau de desenvolvimento da Consciência depende do grau de concentração de cada um de nós e da atenção dada para as percepções anteriores, que resultaram em dados e informações armazenados no Banco de Memória, conhecido como Subconsciente.

A avaliação que fazemos do que tenha sido percebido, pode ser influenciada e mesmo modificada por sentimentos e desejos despertos pelas novas impressões, ou ainda, por idéias fixadas anteriormente como o são os preconceitos.

Uma avaliação, bem como a emissão do juízo que a expressa, podem ainda ser modificados por Convicções e por Interesses evidentes ou ocultos. Sempre é bom lembrar que uma convicção se faz pela somatória da , a qual é fruto de um sentimento, associada com um clarão de introspecção mais uma Crença, nem sempre correta, pois, é fruto do crédito dado a uma informação passada por terceiros, ou realizada em função de uma ideia ou pensamento imaginado, mas sem comprovação.

Assim cada um cria um “filtro” pessoal, formado por crenças e preconceitos e o molda à sua própria realidade e interesses daquele momento dado. A expressão dessa situação Mental é percebida através de um juízo, expresso por um pensamento lógico, até razoável, mesmo que a pessoa não leve em conta se é ou não provável o que pensa e o que diz para expressão.

Sob este ponto de vista, todos nós temos razão na medida em que cada um tem um arrazoado próprio para apresentar no relato, ou, exposição feita. A percepção de cada um sustenta e confirma a sua própria verdade pessoal, mas, as palavras e pensamentos que uma pessoa usa para descrever a sua própria “Realidade”, com as razões que a defendem, deixam transparecer o enfoque dado e o tipo de perspectiva que norteia o “filtro mental” que usa naquele momento.

Basicamente, existe o “Mundo” das Nossas Percepções e dos Nossos Conceitos, bem como noções dependentes das referências de espaço, tempo e causalidade, os quais servem para nortear os raciocínios tidos como verdadeiros.

De outro lado temos que considerar a possibilidade de que a psique de uma boa parcela da população tenha percepções de uma Realidade Pessoal Metafísica, mesmo que não a entendam nem a expressem de modo correto. Desses dois tipos de percepção, surgem os arrazoados que se contrapõem originando as diferentes abstrações.

Uma pequena parcela da população tem condições de compreender Realidades Pessoais, que tenham base em raciocínios abstratos. Diante desse fato, é preciso encontrar um tipo de Realidade Objetiva, a qual favoreça a percepção e satisfaça os interesses da maioria, principalmente quando se trata de manter um grupo unido em torno de um ou mais pensamentos, ou mesmo de uma Crença.

Daí a existência de homens Divinizados em todas as religiões e culturas, funcionando cada um deles como a Origem Objetiva do padrão objetivo, da filosofia e das razões subjetivas, que sustentam uma moral e uma ética a serem seguidos.

A percepção de uma Realidade Subjetiva é mais difícil de ser expressa, mas, a percepção de uma Realidade Objetiva é mais comum em pessoas que pensam de maneira concreta direta e objetiva, e estes são os que geralmente lideram no plano material.

Os demais, não tendo percepção subjetiva, e tendo dificuldades em relação ao pensamento objetivo, perfazem a grande maioria, cuja realidade tem base em fantasias e pensamentos menos amadurecidos.

Por exemplo, é de uns poucos o entendimento de que Deus como Espírito, não tem necessidade alguma de “ofertas de tolos” (Eclesiastes: 5), nem mesmo tem “desejos”, nem “vontades” como querem alguns teólogos; nem tem uma “feliz satisfação”, tal como é afirmado no Velho Testamento: “Agradável é ao Senhor o odor do carneiro gordo no altar de sacrifícios”.

Mais adequado, para ser direto e objetivo, seria: “agradável é ao sacerdote, o odor… e todo tipo de oferta ou oferenda, dados na intenção de agradar o Senhor”.

A necessidade de ter miríades de formas de deuses e ou demônios ou santos, anjos e figuras a serem imaginadas, evocadas, rejeitadas ou invocadas é própria da insegurança e fantasia infantil dos 70 % da humanidade que está evoluindo.

A necessidade de um homem divinizado que sirva como modelo concreto para uma conduta pessoal é própria do homem lógico, racional e analítico, de pensamento direto concreto e objetivo, que faz a transição de emotivo para intelectual, sendo estes aproximadamente 25% em qualquer cultura.

Para os 5% restantes fica somente a necessidade metafísica monoteísta pura.

A prova disto está inclusive na crença do povo Judeu Ortodoxo, onde, além de Moises, há 72 nomes para Deus, sendo cada nome próprio para uma finalidade ou ocasião, que satisfaça alguma necessidade do homem natural.

O mesmo se pode pensar em relação aos diferentes nomes atribuídos para Maria, mãe de Jesus, dentro do cristianismo Católico. Todos repetem, direta ou indiretamente, os padrões dos deuses da mitologia grego/romana, com alguma ótica própria da cultura psico religiosa dominante.

Assim sendo, as relações entre causa e efeito, dentro de uma realidade individual, podem não ser um padrão para todos os momentos em uma mesma pessoa. Há fatores sutis, relacionados com emoção e sentimentos, bem como com interesses imediatos, que produzem efeitos muitas vezes inesperados em termos de comportamento, principalmente se considerarmos os enfoques subjetivos que cada um pode elaborar a partir dos enfoques e percepções objetivos.

Como será que reage o psiquismo de alguém que deixa Nossa Senhora do Rosário para seguir Nossa Senhora da Aparecida, ou, Nossa Senhora das Seringueiras se por um acaso mudou-se para o Acre, ou ainda, mais recentemente, Nossa Senhora do Peão Boiadeiro se vive no Pantanal?

Seja lá o que for que uma pessoa acredita ser verdadeiro em um dado momento, naquele momento, é verdadeiro para ela! Assim a verdade, como sendo uma realidade, é relativa e pessoal.

Diante de uma experiência de cunho pessoal sempre há um tipo de percepção muito individual. Ao descrever essa experiência, a pessoa usa uma série de palavras que são abstrações de sua percepção e do seu enfoque mental.

A elaboração e a repetição dessas frases criam as suas convicções, ou seja, a sua própria Realidade. É assim que um “repetidor” de “verdades relativas” se torna carismático pelo automatismo com que repete suas convicções, como o senhor Malafaia, o Bispo Macedo, o senhor Waldomiro, R. R. Soares e o senhor Hernandes, implicando em procedimento hipnótico.

Isto implica também em que se uma pessoa crê em algo diferente ela poderá ter uma verdade diferente. Igualmente através de alterações de convicções, poderemos mudar a maneira como as coisas acontecem dentro de um modelo de vida escolhido para se viver.

Explorar intelectualmente diferentes convicções é explorar o sentido da fé, como intuição, e explorar cada crença como frutos de informações exteriores. É uma maneira de perceber como as coisas funcionam em outros “modelos de filtros” mentais.

É por esta razão que estar calado e atento em uma reunião, enriquece mais do que a preocupação em expor um ponto de vista. Ouvir atentamente uma prédica permite perceber o tipo de preocupação atualizada do orador, principalmente, se for uma preocupação financeira.

Ouvir uma sequência de prédicas de um mesmo indivíduo, com intervalos de tempo, permite estabelecer as mudanças que ocorrem com o passar do tempo em suas percepções, e as variações de metáforas e enfoques em redor de suas crenças e convicções, apesar de manter a mesma fé. Permite verificar também as modificações de idéias e de atitudes dos adeptos e ouvintes fiéis, sujeitos às normas e princípios aceitos como verdades.  (segue: REALIDADES-2)

Alberto Barbosa Pinto Dias, Bacharel em História Natural (todas Biológicas e Geológicas), Licenciado, Especialista, USP, 1955.

 

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Postado em : Realidades

1 Comentário


    • Eliane de Mendonça Vieira
    • setembro 7, 2015
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    Já viu esse filme, professor? Vale a pena! Namastê

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