01º – Pensando na Vida

01º – Pensando na Vida

 Pensando na Vida – 01

Cada artigo a respeito de filosofia de vida pode ser como um espelho, quem inicia a leitura se reflete, quando se reflete, mas também pode não refletir nada e então me desculpe. Estou reativando os 30 mil milhões de células do cérebro com meus enfoques mentais nessa regressão de memória. As imagens ainda estão vivas em minha mente que visualiza as situações.

Era bom aquele tempo em que se vivia de modo instintivo, sem responsabilidades, mas usufruindo da bondade, do carinho e dos cuidados dos pais. Os estímulos para começar a falar e o despertar das percepções relativas aos sentidos, e algumas ocasionais percepções intuitivas que surpreendiam e encantavam os pais e os amigos visitantes.

De antes dos quatro anos algumas imagens vêm à memória, como flashes, numa sucessão que dão certeza da nossa existência na linha do tempo:- O banho na banheirinha de folha de flandres aos seis meses, com a expulsão da fita azul da chupeta que eu havia engolido. Foi só risadas do tio Osvaldo, irmão da mamãe, com apenas 14 anos e ainda de calças curtas. Com o ruído apareceu tia Lucinda também rindo, pois a água do banho ficou imprópria. Puseram a fita em cima da tampa do caldeirão que estava em cima da cama coberta com colcha branca.

Lembro-me do colo da Tata (Angelina) aos oito meses, e de uma boneca de pano sem a cabeça jogada perto do ralo de ferro no quintal cimentado, da mamãe de pé junto a pia ralando cenouras. De repente a Tata me levanta e grita: Está urinando em mim! Com o susto eu puxei o brinco da orelha esquerda dela e sangrou. Eu era um guri forte, campeão de robustez infantil do Posto de Saúde do largo do Arouche, e rasguei a orelha dela. Coitada!

De um ano, já andava pela casa. Lembro-me de quem deu a boneca, dona Augusta, tia avó, uma boneca alemã com cabeça de porcelana e olhos azuis com pálpebras que se fechavam ao deitar. Logo tiraram a cabeça para não quebrar. Nos anos 30 tia Augusta tinha uma chácara com seu nome em Guarulhos, hoje é a Vila Augusta naquela localidade. O “tio Arthur” era industrial com uma fábrica de produtos de papel e papelão, bem como saquinhos de papel crepom, para a Sonksen colocar bombons, na Rua Aurora.

Com um ano, andando pela casa, chão com passadeira de linóleo, os móveis de sala de jantar, a atração para a cristaleira e o que havia dentro, por essa razão me vigiavam, com a presença do tio Oswaldo de calças curtas nos seus 14 anos, tia Cecília, tia Lucinda. Lembro-me que eu falava alguma coisa, e ao passar empurrava delicadamente as pessoas e dizia: lichencha!

A casa com portas de duas folhas com uma parte de vidro em cima, janelas de vidro e outras de pau pintadas de cor chumbo a óleo, sem venezianas. Segundo me disseram a casa era no topo da Rua das Flores, bem próximo à Rua da Liberdade, na época em que SP teria 50.000 habitantes. Ainda nessa época entre um e dois anos, lembro-me de um agito em casa com a presença do tio Gama. Ele e a tia Cecília iriam para a Baía, onde ele seria administrador de uma fazenda de Cacau em Ilhéus. Falavam a meu respeito e entregou um papel a meu pai. Depois vim, a saber, que era a escritura de um terreno em Ribeirão Pires que foi passada em meu nome.

Depois que o tio Gama e a tia Cecília se foram, lembro-me de algumas imagens de uma mudança e ainda está muito nítida a seqüência de imagens de estar andando na casa em que morava, mas já vazia. Seriam dois para três anos de idade quando fomos morar em uma casa pequena. O bonde passava na frente. Seria a Rua Voluntários da Pátria?

Minha mãe adoeceu e ficava muito tempo na cama. A tia Armanda estava sempre presente para ajudar, carregando um bebê. Lembro-me de quando o doutor Tertuliano Cerqueira lancetou a coxa direita dela e fez ventosa com um copo. Minha irmã Ignez havia nascido e minha mãe teve febre puerperal, mas se reabilitou.

Meu pai não deixava de ir à Igreja tocar violino aos domingos e isso nos incomodava muito, pois já ficávamos sozinhos a semana inteira, e mais o domingo. Minha mãe chorava e eu comecei a detestar ouvir falar de igreja.  Meu pai caiu do bonde e bateu o joelho e por um tempo ficou em casa, que bom! Andava de palheta e bengala depois disso.

Era um domingo de finados e meu pai não foi à Igreja. Nesse dia me levou para “passear” no Cemitério, se não me falha a memória de Santa Terezinha. Não tínhamos nenhum morto era só um “passeio” de feriado de pobre. O dia de sol quente me cansou, pois fui levado caminhando a pé e puxado pela mão. Deu-me um sorvete de palito, era vermelho e diziam que era de groselha. Chegando a casa eu ardia de febre e dor na garganta. Ganhei uma semana de cama com compressas de álcool na garganta, e pastilhas de homeopatia? Alberto SEABRA era padrinho de batismo (Católico) de minha mãe. Passeio de pobre no cemitério só resulta em urucubaca. Nessa época eu detestava mais os cemitérios do que igrejas. A. Dias (segue).

 

 

 

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1 Comentário


    • Eliane de Mendonça Vieira
    • outubro 3, 2015
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    Gostoso!

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