01º – Aprender e saber – Um capítulo só em quatro etapas

01º – Aprender e saber – Um capítulo só em quatro etapas

Aprender e saber – Um capítulo só em quatro etapas

Aprender e saber requer qualidades tais como:

a. Capacidade de concentração com atenção para observação;

b. Paciência para dar o tempo necessário para o entendimento;

c. Prudência para analisar qual a perspectiva usada por quem passa a informação falada ou escrita.

Então se houve entendimento, ou, se temos a percepção do significado lógico da informação, estabelecemos a compreensão, ou, a aceitação da informação entendida como sendo verdadeira, a qual passa a fazer parte de nossa realidade pessoal como uma crença, seja ela dada por dados científicos ou místicos.

Uma vez “acreditada”, mesmo que temporariamente, essa crença precisa ser armazenada de forma organizada no banco de memória, isto é, ordenada junto a outras informações de mesmo naipe e nível.

A ordenação das informações nos permite fazer uma análise da lógica de cada uma delas e do conjunto, avaliando a razoabilidade e a probabilidade de ser: provável, pouco provável, ou improvável.

A confirmação ou não do “estado dessa crença” pode vir com o tempo e com a aquisição de novas informações, nas mentes abertas a novas experiências, que são elaboradas em função dos inúmeros questionamentos, naturais nas Consciências em Expansão e que conotam ideias e pensamentos.

Durante séculos cada Homem foi condicionado em sua primeira infância à imitação de ações de terceiros que foram bem sucedidas. Depois, sugestionado, na segunda infância e na adolescência a imitar ações de terceiros que foram bem sucedidas; depois, como adulto, obrigado a imitar posturas sociais de terceiros que foram bem sucedidas.

Diante das diferentes profissões, condicionou-se à imitação de posturas e de esquemas mentais considerados adequados para o sucesso, e que deram certo há seu tempo, em uma ou duas, ou mais gerações, mas não para todas. O resultado para alguns pode ser o enfado na ocupação, e ganhar uma alergia ou uma doença autoimune.

Em grandes Sistemas Organizados de forma arbitrária, o Homem foi limitado por conceitos rígidos e teorias psicológicas “da hora” dos RH considerados mais avançados. Muitas delas eram experimentais e desprovidas de maiores fundamentos. Faz-me lembrar de quando ainda adolescente, um sociólogo se impôs como psicólogo, e aplicava testes para avaliar habilitação profissional. Meus pais, preocupados com minha atitude de adolescente mais imaginativo e criativo e menos voltado para as objetividades da vida, me obrigaram a um teste com ele, e resultou um QI = 80, com fácies mais teóricas do que práticas. Oh! Que decepção!

No primeiro ano da Faculdade, durante as férias, funcionários do Governo do Estado, “testavam” um tipo de avaliação de Inteligência na Escola e me arrebanharam como aluno do primeiro ano, no laço “para aumentar o percentil” junto a outros professores que faziam um curso de férias. Saiu a lista de resultados, publicada e afixada na parede do Departamento da Faculdade. O catedrático em primeiro lugar com 8,5; o assistente com 8,0; os professores no curso em uma lista de 7,5 a 3,5. O meu nome não constava. Mais uma decepção.

Fiquei chocado com o QI 80 na memória, e no teste feito na USP, pelo governo, excluído da lista talvez por comiseração, então pensei: “melhor que vá trabalhar com um taxi”. Minha mãe, formada normalista, naturalmente mais madura, me disse que fosse ao palácio do Governo, onde funcionava a tal comissão de psicólogos, e perguntasse por que meu nome estava fora da lista. Fui. Riram muito diante da minha pergunta, e eles disseram: – seu nome está na lista enviada, sua nota é igual a 9,4 e é a segunda nota do Estado. Só está abaixo da de um cientista do Instituto Biológico. Se estiver fora da lista publicada na sua faculdade é por motivo óbvio para nós! O óbvio é o que está evidente para quem conhece as razões básicas relativas a um fato. Então pensei, vou acreditar no resultado deste teste porque, além de ser elaborado por um grupo oficial, me é animador. Mudei de atitude.

Tudo é relativo. Não fui ser taxista na praça, mas depois fui ser “horista” dando aulas no secundário, situação mais difícil, mal remunerada, com 30 a 40 fiscais por hora, fora os pais coruja, até que surgiu oportunidade na primeira Faculdade Estadual de Ciências, no interior de São Paulo. Uma questão de mais “status” e numerário do que qualquer outra coisa.

Nessa Faculdade fui professor catedrático, contratado para fisiologia geral e humana, de 1957 até 1962.

Nessa ocasião fui visitar um colega professor de psicologia. Eventualmente fiquei algum tempo esperando em sua sala de visitas. Nesse meio tempo surge um filho do mesmo professor com oito anos de idade, e ficou de pé, a meio metro de distância, me encarando e me estudando calado como um bom aprendiz de psicólogo. De repente cuspiu na minha direção e emplacou minha camisa com um distintivo gelatinoso. Ficou me olhando de modo desafiador. Noutro repente, eu cuspi nele! Ficou surpreso com a reação e me chutou a canela. De pronto devolvi o chute na dele. Surpreso e indignado chorou, e correu para dentro. Minha reação foi o inverso da reação do índio que dá a cara à tapa, para não inibir a “agressividade” do futuro guerreiro da tribo. Eu não estava diante de um filhote de índio.

Nisso veio o pai, psicólogo. Sendo esclarecido a respeito do “episódio” e da psicotécnica aplicada, ele se explicou e disse que o filho estava sendo educado por um método experimental de total liberdade sem repressões. Pedi desculpas, se atrapalhei a “experiência” com minha intervenção, mas que ele se cuidasse, pois a cobaia não estaria preparada para viver fora de casa, em ambiente onde predomina a psicologia do psicotapa, e na educação à moda de Salomão, considerando o sábio bíblico, que coincide com a portuguesa do início da colonização, e evidente ainda no início do século XX, mas considerada bruta nos meios mais refinados. Os psicólogos modernos me desculpem o atraso na época, porque hoje, nós já evoluímos para Transpessoal, depois de ser fã de Pavlov, Freud, Jung, Maslow, Skinner, e dos humanistas, com a ajuda da Bioenergética, estudada sob a perspectiva da Fisiologia Geral e Animal na USP, antes da ação reprobatória.

É lógico que todo sistema de controle de atitudes, faz a criança parar para pensar, quando já é maior do que sete anos de idade, por ocasião do início do desenvolvimento da lógica racional, dedutiva e indutiva, e ela pode escolher entre ser respeitadora e igualmente ser respeitada, ou muito pelo contrário. Uma liberdade sem os limites do respeito devido ao próximo dá em confronto no pátio, nas ruas, e acidentes de moto, carro, e mortes em portas de boates quando a criança livre predomina no adulto na hora da emoção. 

(continua…)

Alberto Barbosa Pinto Dias, Bacharel em História Natural (todas as Disciplinas Biológicas e Geológicas), Licenciado, Especialista. USP, 1955.
Qualquer questionamento sempre será bem recebido e respondido.

Postado em : Conhecimento X Cultura

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