01º – Apenas quero entender Jesus – Das Igrejas, das Pessoas e das suas Atitudes

01º – Apenas quero entender Jesus – Das Igrejas, das Pessoas e das suas Atitudes

 Apenas quero entender Jesus

Memórias de percepções, reflexões e análise crítica, sem julgar nem condenar.

Das Igrejas, Pessoas e suas Atitudes

Percebi que para muitas pessoas, basta que aceitem Jesus como salvador e já se consideram salvas, mesmo sem refletir a respeito da Filosofia dos Evangelhos. Percebi que isso é reflexo da atitude e do enfoque da pregação de muitos dos teólogos, que diz:- “aceitou Jesus como salvador, então já está salvo”. Vi quando as pessoas entravam como convidados nas Igrejas e instadas a isso, levantavam o braço como sinal de aceitação das idéias desse tipo de pensamento, após uma ou mais prédicas sugestivas. Muitos se mostraram convencidos, mas, estariam convertidos?

Para serem convertidos, devem apresentar uma nova reprogramação cerebral com mudança de padrões de comportamento e de valores éticos. Se forem apenas convencidos no momento, poderá haver reconsideração e restabelecimento das condições anteriores diante das circunstâncias da vida pessoal. Todos os que chegaram à frente, como postulantes, foram abençoados e foram instruídos a respeito de normas, princípios e rituais locais. Também foram instruídos a respeito de fundamentos, a obedecer a um Estatuto próprio de cada Igreja e a contribuir com o dízimo. E o conteúdo filosófico dos Evangelhos? Esse fica para depois, aos poucos, cada semana, talvez…

Daqueles que receberam o batismo, como expressão de adesão à doutrina apresentada como sendo cristã, muitos permaneceram fiéis ortodoxos aos pressupostos e às crenças sugeridas, e outros se mostraram menos fiéis às normas, princípios e rituais, mas permaneceram nas Igrejas como ouvintes. Como a realidade de cada um é construída pela própria consciência, à base de pressupostos sugeridos, muitos não aceitaram as pressuposições e saíram vazios procurando pela pretendida salvação em outros lugares. Outros, dos mais jovens desencantados com alguns dos demais, ou consigo mesmos, trocavam ideias a respeito das filosofias de suas próprias vidas nas calçadas dos arredores da Igreja durante os cultos. Eram denominados de “a quinta coluna” por um dos diáconos mais antigos, Eu, Baris, Ferreira, Alex, etc.

Outros mais saíram em busca de locais de renovação; saíram em busca de novas esperanças e na expectativa de obtenção de um nível cultural e espiritual mais elevado, mas carregando consigo boas lembranças dos aspectos culturais e dos momentos de elevação passados. Destes, um bom número é encontrado em outras Igrejas onde sentiu que havia melhor entendimento, adaptação em relacionamentos e até para casamentos. Também buscaram suporte emocional e intelectual, sempre na busca de um reforço de convicção para a pretendida salvação. Cada um de nós é um universo de informações e de realidades pessoais, ajustando o nosso lugar no meio de outro universo das heterosugestões equilibradas com as autosugestões.

A Igreja pode ser um bom lugar de se estar em busca do crescimento espiritual, pois, supostamente, a maioria vai com a intenção declarada de um “encontro” com Deus. Muitos melhoram suas condições físicas, mentais e espirituais na medida em que acreditam e seguem as instruções de Jesus, e sentem-se mais seguros de si e em Paz, autossugestionados, na sua “Realidade”. Outros recebem más influências e se perdem em vícios; é uma questão de saber com quem andar.

Há aqueles que se amarram nas condições administrativas, encargos e funções da Organização, que passam a ser uma âncora, que pelas características da atividade, mais material e objetiva, podem impedir a evolução espiritual. Muitas vezes os cargos e funções servem apenas como reforço de Ego em uma posição político-social, com, ou, sem interesses pecuniários. Alguns destes na defesa de suas ideias e posições, e ou interesses, refletem os Evangelhos de Jesus nos dizeres de Tomé o Dídimo: “Os fariseus são como os cães deitados no cocho, não comem e impedem que os bois se alimentem”, pois tolhem a imaginação e as iniciativas pessoais de terceiros.

Também devemos considerar aqueles, que apesar de irem às Igrejas, acreditam em um esforço físico e mental para uma evolução espiritual, como o é em uma caminhada em São Thiago de Compostela, Atakama, Arika, Everest, Tibet, Ganges, Pirâmides, Picos dos Açores, Área do Sul da Espanha (Atlântida), Tihuanaka, Havaí, etc., ou, em Lourdes e outros santuários, como uma visita a Jerusalém e ao Santo Sepulcro. Sempre há um esforço físico em caminhadas onde há movimentos repetitivos (automatismos), que são somados a um esforço mental, consciente de uma finalidade sendo associados à emoção e à expectativa desencadeada pelo ambiente tido como “mágico”.

O esforço físico repetitivo e o automatismo desenvolvido podem levar a um estado alterado de consciência, a “algum estado de espírito” com alguma experiência psíquica muitas vezes descrita como sendo do tipo de “elevação espiritual”. Considere-se a liberação de hormônios próprios de esforços continuados e ritmados, tais como são a serotonina, as endorfinas, cefalinas e outros, que proporcionam sensação de euforia e bem estar, como um leve, ou, até mais profundo estado alterado de consciência tipo transe, depois de produzida uma catarse. É assim que alguns voltam de uma viagem à Jerusalém com uma Síndrome, mais ou menos evidente, conhecida como Síndrome de Jerusalém pelos psiquiatras.

Há aqueles que se esforçam por encontrar a pretendida espiritualidade em Ordens e Disciplinas que desenvolvem a mística e estudos esotéricos em meio à luz de velas, incensos e efeitos sonoros como já ocorre, desde a antiguidade, em muitos templos de diferentes religiões e ordens, além de frequentarem igrejas de alguma religião. Há que se preencher algum vazio no meio das inconsistências causadas pelo mau entendimento e ensinamento dos Evangelhos, bem como a mesmice dos procedimentos (Hebreus 6: de 1 até 6). Os místicos esotéricos buscam algum apoio extra na Ciência. É curiosa essa questão de “se sentir” em diferentes estados de espírito, ou, em diferentes estados alterados de consciência. A atitude de uns é alardear os resultados como testemunho, mas a de outros faz lembrar aos que estão por fora da situação, que com relação a seus resultados pessoais, obedecem às recomendações explícitas:-  “Não dê aos cães o que é sagrado para você, para que eles não considerem como esterco”. J.C. (Evangelhos segundo Tomé, o Dídimo).  Continua…

Alberto Barbosa Pinto Dias, Bacharel em História Natural (todas as Disciplinas Biológicas e Geológicas), Licenciado, Especialista. USP, 1955.
Qualquer questionamento sempre será bem recebido e respondido.

Postado em : Apenas quero entender Jesus

5 Comentários


    • Arthur Santos
    • agosto 10, 2015
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    Há outras pistas, os horários e a forma em que ele saía para orar. Era sempre pela madrugada e uma oração solitária. Em alguns milagres Ele dá Graças ao Pai antes da execução, já tendo como confiada a realização do mesmo. Enfim pistas há muitas, caberia escrever um tratado sobre a oração como já há vários no mercado. O engraçado é que apesar da abundância do conhecimento e das facilidades de vários livros sobre o assunto, mesmo os fiéis não os colocam em prática, por falta de esforço e continua disciplina pessoal, preferindo serem pastoreados colocando-se sempre numa situação passiva de aquisição das graças, isso em qualquer movimento religioso.

      • Alberto Barbosa Pinto Dias
      • agosto 11, 2015
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      A questão é que os pastores e padres não sabem nada a respeito das práticas, e como ensinar?

    • Arthur Santos
    • agosto 10, 2015
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    O fato é que ele não ensinou nada em segredo, nem mesmo aos apóstolos : João18- 20 "Respondeu-lhe Jesus: Eu tenho falado abertamente ao mundo; eu sempre ensinei nas sinagogas e no templo, onde todos os judeus se congregam, e nada falei em oculto. 21Por que me perguntas a mim? pergunta aos que me ouviram o que é que lhes falei; eis que eles sabem o que eu disse. " Entretanto algo que não sabemos nos foge, no sentido de que sentimos que havia algo mais para que os milagres acontecessem. Os apóstolos estiveram com Ele durante três anos, se fosse o mesmo conhecimento ensinado abertamente nas praças o povo também faria os mesmos milagres. Então me ocorreu que embora o conhecimento ensinado seja o mesmo, o "treinamento" , isto é a disciplina não era a mesma, mas sim um intensivo de três anos acompanhando o Mestre e realmente modificando a "programação". Inclusive se forem lidos atentamente os evangelhos ele está continuamente advertindo e admoestando os apóstolos, já o mesmo não ocorre de modo específico em relação ao povão, mas sim de modo genérico.

      • Alberto Barbosa Pinto Dias
      • agosto 11, 2015
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      Ótima dedução, tal como a minha! Se os discípulos escreveram algo a respeito, deve estar escondido no Vaticano.

      • Alberto Barbosa Pinto Dias
      • agosto 30, 2015
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      Correto Arthur!

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